Pular para o conteúdo principal

CONDUÇÃO COERCITIVA DE EDUARDO GUIMARÃES REPERCUTIU MAL


Durou uma manhã um episódio que causou muita tensão na opinião pública.

Atendendo dois mandados de Justiça, policiais invadiram a casa do jornalista Eduardo Guimarães, responsável pelo Blog da Cidadania, bem cedinho. Foi em São Paulo, capital.

Pareciam policiais dos tempos da ditadura militar.

Eles teriam entrado no prédio onde mora o blogueiro, proibindo o porteiro de avisar previamente o referido morador, subiram e arrombaram a porta do apartamento.

Teriam apreendido um laptop e um celular de Eduardo, e levaram ele a uma unidade da Polícia Federal na Lapa, onde ele foi mantido incomunicável.

Proibiram Eduardo de se comunicar com advogados. Mas estes, informados por outrem, foram logo assistir o cliente, nesta situação delicada.

Pouco antes do meio-dia, Eduardo foi solto. Mas computador e laptop não lhe foram recuperados.

Pior: até o computador da esposa de Eduardo, que contém endereços médicos para o atendimento à filha do casal, que sofre uma grave doença, foi levado pelos tiras.

A decisão da condução coercitiva partiu de Sérgio Moro, o midiático juiz da Operação Lava Jato.

A medida é considerada ilegal, porque Moro processou Guimarães por ter vazado informações sobre outra condução coercitiva, a do ex-presidente Lula, há um ano.

Nesta condição, Moro não podia convocar Guimarães para depor, ainda mais com esse aparato humilhante, porque demonstraria ato parcial de um juiz.

Além disso, Moro cometeu uma incoerência, pois a grande imprensa faz muitos vazamentos de informações e não há condução coercitiva. Isso é bom, mas deveria se estender também aos progressistas da mídia alternativa.

Com a condução coercitiva de Eduardo, Moro parece também ser seletivo na consideração com os jornalistas, só aceitando aqueles que agem de acordo com o juiz da "República de Curitiba".

O caso repercutiu tão mal que mesmo jornalistas que não gostam do trabalho de Eduardo criticaram a atitude do juiz da Lava Jato.

Reinaldo Azevedo, embora definisse o trabalho de Eduardo como "bobagem", admitiu que a condução coercitiva foi abusiva e fere a Constituição, no que se diz à liberdade de expressão.

Ricardo Noblat, outro que não aprecia o trabalho do blogueiro, pediu explicações a Moro pela condução coercitiva.

Evidentemente, outros jornalistas e ativistas progressistas saíram em solidariedade a Eduardo Guimarães.

O Centro de Estudos Mídia Alternativa Barão de Itararé, presidido por Altamiro Borges, o Diário do Centro do Mundo, Luís Nassif, Paulo Henrique Amorim e Carta Capital foram alguns dos principais veículos de apoio.

Nassif definiu a atitude contra Eduardo Guimarães como um "desejo pessoal" do juíz por "vingança".

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato de Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo também manifestaram nota de repúdio à ação da Polícia Federal.

As entidades temem que a condução coercitiva seja um precedente para a repressão dos jornalistas no Brasil.

Até Dilma Rousseff definiu o assunto como grave, por ameaçar a liberdade de imprensa e expressão.

A repercussão da ação da PF não foi boa.

Se Sérgio Moro queria prejudicar Eduardo Guimarães, não conseguiu.

O juiz lhe deu visibilidade, e Eduardo, em que pese os aparelhos apreendidos, saiu mais fortalecido.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ESTUPRO COLETIVO DERRUBA MITO DA "LIBERDADE DO CORPO"

O vergonhoso caso do estupro coletivo desmascarou uma situação que a intelectualidade "bacana" sempre abafou com falso relativismo.

O mito da "liberdade do corpo" num país do combate ao assédio abusivo.

O terrível caso ocorreu num bairro popular, na região de Jacarepaguá.

33 homens afoitos cercando uma moça de 16 anos, dopando a menina, depois a estuprando sob o registro da câmera do celular e depois publicando na Internet.

Um episódio de pura truculência, mas condicionado pela ilusão de liberdade sexual que a intelectualidade "bacana", que apostava num Brasil brega, queria para as classes pobres.

Mesmo mulheres aparentemente ativistas, dentro dessa intelectualidade, davam dois pesos e duas medidas.

Elas reclamavam contra a imagem caricatural que as mulheres, de classe média, recebiam dos comerciais de TV.

Mas consentiam que a mesma imagem fosse impunemente abordada sob o rótulo do "popular".

Reclamavam quando a imagem da mulher de classe média…

GOVERNO TEMER E A REVOLTA DOS UMBIGOS

A "revolta dos umbigos" que surgiu nas mídias sociais achou que tinha o poder pleno nas mãos.

Lutaram para ter Michel Temer no lugar de Dilma Rousseff para realizar uma agenda mais conservadora para o Brasil.

Essa agenda é um misto do programa eleitoral derrotado de Aécio Neves em 2014 com as "pautas-bombas" do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Primeiro, os "revoltados" na Internet se escondiam nas mídias sociais, se limitavam a trolar assuntos culturais ou coisa próxima e fingiam serem progressistas.

Depois, deixaram a máscara cair e iniciaram uma campanha para derrubar Dilma Rousseff.

Conseguiram o que fizeram, pois faziam parte de uma "frente ampla" às avessas, que clamavam por retrocessos políticos sob a desculpa do "combate à corrupção".

Estavam junto dos empresários em geral e, em parte, os que controlam a grande mídia.

Foram animadores juvenis de uma campanha que ludibriou a sociedade inteira, que passou …

CRIMINALIZAÇÃO DO "FUNK" É UMA PROPAGANDA ÀS AVESSAS

Um abaixo-assinado na página do Senado atingiu, anteontem, a marca de 20 mil assinaturas, diante de uma causa bastante controversa, a de criminalização do "funk".

A proposta é de autoria do empresário paulista Marcelo Alonso, que se declara pai de família e afirma estar tentando "salvar a juventude".

Deu um tiro no pé, porque a proposta acabou estimulando mais o natural coitadismo do "funk", tido como "vítima de preconceito".

A repressão policial transformou um ritmo musicalmente medíocre em "canção de protesto".

A presença de "bailes funk" em noticiários policiais transformou os ricos empresários-DJs, ávidos por dinheiro, em supostos ativistas culturais.

A criminalização transformou medíocres MCs de vozes esganiçadas em pretensos militantes.

Da mesma forma, a criminalização do "funk" fez um mero ritmo dançante e comercial virar, durante anos, um pretenso paradigma de folclore popular.

Enquanto rolava o discurso de…