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A ARROGÂNCIA DO "SERTANEJO" BRASILEIRO


Depois da onda conservadora no âmbito político, é a vez da onda conservadora no âmbito musical.

Estamos falando da "velha MPB dos festivais", "cansada", "idosa" e "complicada"?

Não. Estamos falando do brega-popularesco, que, agora ancorado pelo "sertanejo universitário" e pelo "funk", representam o velho travestido de "novo".

São sucessos "populares demais" que se desgastam facilmente. Em seis meses, já soam mofados.

Para piorar, a música brega-popularesca, ou seja, Música de Cabresto Brasileira, é arrogante, megalomaníaca e não aceita críticas.

Recentemente, a cantora Elba Ramalho, veterana na MPB dos anos 1970, estava preocupada com a escalação de "sertanejos" em eventos comemorativos do São João, durante os festejos juninos.

Ela foi educada em seus comentários, mas reprovou a supremacia dos "sertanejos" nos eventos.

"É um direito do sertanejo estar no São João. Mas a grade de programação não pode ser feita de dezoito sertanejos e dois forrozeiros . Não é a festa do peão", disse a cantora.

Elba até elogiou os "sertanejos", demonstrando diplomacia e tolerância.

Mas aí a cantora "sertaneja" Marília Mendonça demonstrou a arrogância típica do gênero, que praticamente monopoliza as listas das cem músicas mais tocadas nas rádios brasileiras.

"Vai ter sertanejo no São João, sim. Porque quem quer é o público. Então, muito obrigada por me abraçarem. Sei que vocês gostam mesmo é de música boa. Não importa o estilo", disse a cantora.

O problema é que a "vontade do público" é um fator duvidoso desses ritmos comerciais.

Numa sociedade hipermidiatizada, o que é a "vontade do público", diante da pressão das emissoras de rádio e TV controladas por oligarquias?

Seria como, no âmbito político, falasse da "vontade do Brasil", como se deu nos protestos anti-Dilma.

O "sertanejo universitário" é, do contrário que o nome diz, uma mesmice nada criativa, como se espera de ritmos cultuados pelas universidades.

Nas duplas masculinas, nota-se uma mesma fórmula vocal para uma porção de duplas.

Nomes que se repetem, ritmos que são os mesmos, aquele acordeão estereotipado.

Difícil é a intelectualidade "bacana" vender o "sertanejo universitário" como "libertário" e "guevarizado", com tanto patrocínio do latifúndio.

Há vários estilos de música brega-popularesca, mas o "funk" e o "sertanejo" se sobressaem nessa nada diversificada "diversidade cultural".

E tudo se expressa como um explícito pop estadunidense à brasileira.

A música brega-popularesca sempre viveu do "complexo de vira-lata", querendo ser uma sucursal do pop comercial dos EUA.

O problema não é isso, mas seu pretensiosismo de ser levado a sério demais, como pretensa "arte superior" e ocupando espaços demais, incluindo os que não lhes são seus.

A música brega-popularesca não tinha problemas quando estava nos seus espaços próprios.

Quando passou a querer os espaços da MPB, sob a desculpa vitimista do "combate ao preconceito", passou a causar incômodo.

E esse incômodo piorou sua situação, fazendo com que seus ídolos se tornassem arrogantes e seus fãs, reacionários.

A coisa chegou a tal ponto que hoje a MPB perdeu o diálogo com boa parcela da juventude brasileira, mesmo a de nível universitário.

O "novo" associado à música "popular demais" é na verdade o velho, a velha breguice que aborda o povo de uma forma caricatural e estereotipada.

A mídia venal quer que o povo, culturalmente, não queira ser brasileiro.

As forças progressistas mordem a isca do discurso da "cultura do povo pobre".

Acha que o comercialismo do "popular demais" irá empoderar o povo brasileiro.

Até que a plutocracia passe, mais uma vez, as forças progressistas para trás.

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