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TSE SALVA A PELE DO TEMEROSO MICHEL


O Brasil teve um desfecho um tanto triste.

O presidente mais impopular da história do país, Michel Temer, obteve mais uma vitória ao se ver poupado pelo Tribunal Superior Eleitoral, que absolveu a chapa Dilma-Temer.

A chapa era acusada de irregularidades na campanha de 2014, como abuso de poder econômico.

É certo que Dilma Rousseff também foi absolvida, mas foi um dado tendencioso e inócuo, pois ela está fora do poder desde maio passado, e, de forma definitiva, desde o fim de agosto último.

A intenção era inocentar Temer, evitando mais uma cassação.

Mas, mesmo que ele fosse cassado, teria entrado com recursos.

Temer virou um grande "mala" para a população, e com certeza confirmou minhas previsões em 2010.

O temeroso governante não seria um novo Juscelino Kubitschek.

Naquela época, mesmo as esquerdas estavam mais crédulas e ainda não viam a jovem (e bota jovem nisso) esposa de Temer, Marcela, como a "bela, recatada e do lar".

Ela ainda simbolizava um estranho e inexplicado "feminismo" enquanto o marido mais velho (e bota velho nisso) era visto como um "grande estadista" apenas pela sombra da esposa.

Felizmente essa visão foi superada e o que se vê hoje é um político conservador, cujo projeto político é um coquetel que mistura o pior de Jânio Quadros e dos generais Castelo Branco e Ernesto Geisel.

É certo que o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral era mais um simulacro, uma sequência de "equações jurídico-legislativas" que já surgiram de uma operação errada.

Essa operação foi expulsar uma presidenta eleita por boatos muito mal explicados.

E aí vimos o quanto os interesses são mesquinhos, pois para cassar Dilma e deixá-la fora do governo se empenhava para puni-la com muito rigor.

Agora, quando é o retrógrado Temer que está no comando, há um processo mais generoso e poupá-lo. Absolver Dilma, neste caso, foi como acariciar um cachorro morto.

Os ministros do TSE votaram da seguinte forma.

A favor da cassação da chapa votaram o relator, Herman Benjamin e os colegas Rosa Weber e Luís Fux.

Já contra a cassação, votaram quatro: Napoleão Nunes Maia, Tarcísio Vieira, Admar Gonzaga e o presidente do TSE, o nosso conhecido showman Gilmar Mendes.

Tarcísio e Admar já foram nomeados por Temer para "engrossar" os votos. O próprio Temer arrumou sua absolvição nessa trama.

Gilmar Mendes, nem se fala. Sob a desculpa de falar sobre trabalho, os dois jantaram numa noite de sábado, fora outros encontros de típicos BFFs (sigla que, traduzida, quer dizer "eternos melhores amigos").

A vitória de Temer, no entanto, é vitória de Pirro, como teve que admitir Ricardo Noblat, que não é lá um jornalista progressista, mas anda agora se posicionando contra Temer.

Vitória de Pirro é aquela vitória obtida com altíssimo custo, mas que trará prejuízos incalculáveis.

Temer ainda é alvo de denúncias graves, e é acusado de corrupção ativa e até obstrução de justiça.

A acusação recente está por conta das transações com a JBS, de Joesley Batista, que forneceu até jato particular para viagens do presidente e sua família.

Diante dessa ciranda política, houve, na Bacia de Campos, a explosão de um navio de petróleo que deixou um funcionário morto.

Foi com o navio sonda NS-32 (Norbe VIII), na área conhecida como Campo de Marlim.

A Bacia de Campos teve uma tragédia famosa, a da plataforma da Petrobras, P-36, que matou onze trabalhadores e desgastou o governo Fernando Henrique Cardoso, que apoia o governo Temer.

No acidente recente, o navio prestava serviços à Odebrecht, e, além do funcionário morto, pelo menos outros dois ficaram em estado grave.

O morto era técnico em inspeções e calibração da empresa prestadora de serviços IMI (Instituto de Metrologia Industrial Ltda) e tinha apenas 28 anos.

Mas não é necessário um acidente destes para desgastar o já agonizante governo Temer.

O presidente já está isolado, apoiado apenas pelos seus aliados mais próximos, mas sem qualquer legitimidade popular.

Michel Temer pode, por enquanto, dormir tranquilo e saborear a pizza fornecida pelo TSE e pelo amigo Gilmar Mendes, que, oportunista, alegou que "não se pode substituir presidente a qualquer hora".

Mas os protestos contra Temer aumentarão e é possível que novas surpresas contribuem para o desfecho final.

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