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RENATO RUSSO CRITICOU A ALEGRIA "INFANTIL" DE XUXA E DERIVADOS


Vemos um cenário absurdamente insano no Brasil. Uma positividade tóxica, uma histeria tresloucada marcada não por ressentidos reacionários extremo-direitistas, mas pela população "democrática" comandada pelo presidente Lula.

É uma estranha "democracia", na qual se reprova o senso crítico, como se fosse uma espécie de AI-SIMco, um momento em que só existe a "democracia do Sim, Senhor", uma repaginação do velho "milagre brasileiro" em que o maior foco social está nas chamadas "esquerdas festivas" e seu desbunde, manifesto pelos seus herdeiros das atuais "esquerdas identitárias".

Com exclusividade, o nosso blogue chama a atenção da atitude da elite do atraso, agora "ressignificada" numa classe "legal", "amante da liberdade e da justiça social", mas que esconde seus surtos golpistas aqui e ali, como se nota na sua fobia a narrativas que escapam do pensamento dominante manifesto nas redes sociais.

Nesse estranho cenário em que a nostalgia é embalada por canções medíocres como "Evidências", na gravação de Chitãozinho & Xororó, e "Um Dia de Domingo", de Michael Sullivan e Paulo Massadas, há uma sutil inversão de valores, em que as críticas sociais de Renato Russo são demonizadas e tratadas como "visões de um ressentido social", enquanto Xuxa Meneghel, de graça, ganha status de "cantora de protesto" com sucessos como, pasmem, "Ilariê".

Citamos o contraste entre Russo e Xuxa - ironicamente, aniversariantes de 27 de março - porque o portal Whiplash publicou uma matéria na qual um influenciador digital analisou a música "Índios" e se lembrou de uma antiga entrevista do saudoso vocalista da Legião Urbana, que revelou que a estrutura "infantil" de sua composição era uma forma de alertar para o problema que Xuxa Meneghel e similares, através dos programas infantis, estariam informando e educando as crianças.

Disse Renato Russo, através desses trechos:

"Eu queria fazer uma brincadeira inspirada na Xuxa, pegar algo muito sério e tratar de um jeito totalmente banal. A música começa com uma entonação que lembra uma criança falando. Não sei se você percebeu, mas tem um toque que remete à Mara Maravilha ou até ao Menudo.

"À medida que a ciência e as artes avançam, nossas almas se corrompem. Por trás da polidez das regras sociais, muitas vezes, esconde-se um egoísmo vil. Essa visão crítica da sociedade, unida à ideia da degeneração da inocência natural, é central em ‘Índios’, que se torna uma reflexão sobre a corrupção do ser humano".

Nota-se que as antigas crianças dos tempos do Clube da Criança e do Xou da Xuxa são, hoje, pessoas de, em média, 45 anos, que obtiveram uma formação cultural bastante deteriorada, passando a infância e a adolescência consumindo música popularesca e hit-parade e passando a ter um gosto musical limitado, restrito a um punhado de "grandes sucessos" e preso numa zona de conforto de ouvir as mesmas músicas, mesmo as deploráveis canções brega-popularescas, mais de dez vezes por dia.

São pessoas conformadas com a vida que levam, resignadas com os problemas cotidianos, apegadas a um consumismo voraz e inconsciente e tomadas da hipocrisia em querer parecer o que não são, pela obsessão tóxica em ser, ao mesmo tempo, "tudo de bom" quanto às suas pretensas qualidades e "gente como a gente" quando passa pano em seus erros.

Hoje vemos pessoas infantilizadas, algumas de maneira bastante perversa, como gente que despreza a necessidade de descanso da vizinhança, que pode ter muitos idosos doentes, mas também tem pessoas saudáveis que adoram dormir cedo nos fins de semana e vésperas de feriados para caminhar na manhã seguinte ou realizar um passeio ou uma visita a um familiar. 

Esses inimigos do descanso ficam rindo, contando piadas, tudo em altíssimo volume, e não raro cantam em coro, em gritaria, os refrãos dos sucessos do trap, fora as irritantes inserções de "funk" na trilha sonora musical dessa criminosa poluição sonora dessas noites sem lei.

Um passageiro já havia tocado sucessos da Xuxa em altíssimo volume em um ônibus no Rio de Janeiro, assustando e incomodando as pessoas. Trata-se de um pop piegas, imitação do pop estrangeiro, no qual Xuxa oferecia aos "baixinhos" a erotização sutil claramente inspirada em Madonna e que colocava as crianças a conhecer, precipitadamente, o hedonismo adolescente tanto sexual quanto consumista.

Hoje vemos os "animais consumistas" que tomam cerveja em quantidades industriais, que fazem festas barulhentas de madrugada, expondo suas vidas pessoais para os vizinhos ouvirem e tudo. E vemos pessoas jogando comida fora sem o menor escrúpulo, enquanto outras falam do consumo de cigarro como se fossem uma das "melhores coisas da vida".

É um cenário de fazer mudo tetraplégico ter vontade louca para correr pelas ruas gritando por socorro. E o mais assustador é que o raciocínio algorítmico que toma conta da "sociedade do amor" de hoje faz com que Renato Russo agora seja erroneamente associado ao mesmo ressentimento social que fez Roger Rocha Moreira, do Ultraje a Rigor, ser uma das vozes da extrema-direita nas redes sociais.

E mais assustador ainda é ver que a cultura do cancelamento faz com que a "sociedade do amor" boicote textos que apresentem uma visão mais crítica da realidade, se esquecendo que essa visão remete aos fatos, não sendo especulações opinativas. E isso demonstra o quanto as pessoas "democráticas" do cenário do lulismo atual também preferem mentiras agradáveis, pouco dispostos a assumir um compromisso com a verdade.

Não era para "Que País é Esse?" soar atual, mas infelizmente acaba soando, 46 anos após ter sido composta e 28 anos após o falecimento de seu autor. E notar que bobagens como "Ilariê", "Xibom Bom Bom" e "Rap da Felicidade" (que apenas pede para o "pobre" ser integrado à sociedade de consumo burguesa) se tornaram as "canções de protesto" da juventude contemporânea mostra o quanto nosso país vive hoje uma catástrofe cultural preocupante. 

Neste sentido, estamos até piores do que nos tempos da ditadura, quando, ao menos, se poderia expressar senso crítico às escondidas que o pessoal apoiava com mais facilidade. Hoje, na "democracia" de Lula, é só entrar em desacordo com o "estabelecido" para ser boicotado na Internet. 

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