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UM PRESIDENTE QUE OPINA E NÃO AGE

OS OVOS TIVERAM SEUS PREÇOS AUMENTADOS DRASTICAMENTE NOS ÚLTIMOS DIAS.

Carne, manteiga, azeite de oliva, café, chocolate e ovos estão entre os muitos alimentos que estão tão caros que viraram artigos de luxo. A carestia está tanta que o governo Lula passou a sofrer um sério desgaste, pois o presidente, que teve no combate à fome a sua maior causa eleitoral em 2022, não agiu para controlar os preços dos alimentos.

A alta derruba de vez a lorota dos preços baixando, através dos quais havia vídeos com pobres caricatos gritando alucinados que "os preços estão baixando todos", atribuindo a Lula a responsabilidade. Foram vídeos feitos em supermercados não identificados e as supostas reduções dos preços eram mostradas sem o menor fundamento informativo.

O desgaste de Lula é gravíssimo, portanto, e o presidente precisa agora capitalizar com a chance de Jair Bolsonaro ser preso para usar a "democracia" como triunfo, criando um espetáculo de propaganda para tentar abafar a gritante mediocridade do seu atual mandato.

A mediocridade é tanta que, quando Lula não tem condições de agir, acaba opinando. Lula fala mais do que trabalha, como se palavras substituíssem as ações (e não substituem). E vemos o quanto o presidente cai no ridículo quando opina em vez de traçar alguma atitude prática. Vide os ataques "furiosos" contra o hoje ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Lula atacava o neto do ex-ministro da ditadura, Roberto Campos, sem influir na saída desse tecnocrata. O chefe da Nação tentava falar grosso e zangado, mas manteve o economista na presidência do órgão e deixou que os juros da dívida pública não só baixassem timidamente como voltassem a aumentar. Tanto que, quando Gabriel Galípolo, aliado de Lula, foi substituir Campos Neto, os juros altos tiveram que ser mantidos. Muito barulho por nada.

No caso dos preços dos alimentos, Lula não realizou uma política agressiva para conter os reajustes, quando, em vez dessa omissão, tivesse feito uma política preventiva já em 2023, ano no qual o presidente não deveria ter apostado na política externa. Lula preferiu se limitar a pedir aos brasileiros "não comprassem produtos caros", o que é chover no molhado, pois o povo pobre da vida real já evita comprar produtos caros, até pela exigência do pouco dinheiro que possuem.

O presidente Lula tenta parecer o "titio do churrasco" ao falar mal dos preços caros dos alimentos. Certa vez, falou mal do aumento do preço do arroz. Agora Lula definiu como "absurdo" o preço caro dos ovos, alimentos que são a base de muitos outros alimentos bastante populares, do macarrão ao bolo.

Lula sente muito medo em agir, pois não quer desagradar as forças burguesas que facilitaram a sua vitória eleitoral e a sua permanência no poder. Não pode agir contra os interesses das classes dominantes que poderão novamente pavimentar o caminho para o quarto mandato. Daí o presidente pelego que o povo pobre vê como um grande traidor.

Não é obrigação de um presidente dar opiniões o tempo todo. Além disso, opinar sem ter coragem para reagir a um problema que faz o governante ficar indignado torna-se inadmissível, porque o presidente tem o dever de combater o problema não pelo malabarismo das palavras, mas pelo rigor do enfrentamento e das ações para combater essa situação indesejada.

Trata-se de uma grande irresponsabilidade um chefe da Nação, pois ele é que deveria adotar medidas enérgicas para combater a alta dos preços. Em vez disso, Lula preferiu criar um burocrático crédito consignado para "facilitar" o povo pobre a comprar alimentos que ficaram caros.

Lula opina demais e não age, nesse mandato atual marcado por simulacros. Depois Lula não entende por que sua popularidade está caindo (e cairá mais). Isso é que dá ter falta de autocrítica.

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