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A ONDA DO "CAFÉ FAKE": QUANDO SE CRIAM "GENÉRICOS" BARATOS DE PRODUTOS CAROS

CAFÉ FAKE? PREFIRA OS ORIGINAIS!

Quando u produto aumenta drasticamente de preço, surgem "genéricos" que fogem da composição original ou apresentam misturas que comprometem a essência do produto que ficou caro. Daí que surgem produtos fake, num contexto em que, no nosso país, temos até uma "mulher fake", o cantor popularesco Pabblo Vittar. E temos a "MPB fake" dos bregas dos anos 1970, 1980 e 1990.

Em 2008, quando eu bebia bastante guaraná em pó, eu via o produto subir drasticamente de preços. Ficou difícil encontrar um guaraná em pó mais em conta. Mas o que eu vi é que, enquanto o guaraná em pó ficou caro, um composto que inclui guaraná, açaí, ginseng, catuaba e hortelã era vendido com preços mais baratos, provavelmente um produto gerado de "restos" desses componentes.

Durante o governo Jair Bolsonaro, o leite atingiu preços caríssimos. Com isso, o mercado criou um composto lácteo que misturou restos de leite desnatado, leite de cabra, açúcar e até restos de farinha de trigo (que, neste caso, deve fazer parte da composição da farinha vendida em Santa Catarina, pelo menos como pude ver quando fui a Floripa, onde nasci, em 1982, não sei se isso mudou), que nem chega a ter um sabor próximo ao do leite integral em pó.

Depois, já no governo Lula no atual mandato, o preço do azeite de oliva disparou. Mesmo marcas que vendiam o produto por R$ 14 passaram a cobrar três vezes mais, e estamos falando de preços menores, pois as melhores marcas vão além dos R$ 60 os 500 ml, quando muito custando R$ 58.

E aí, o que veio no lugar? Um composto que mistura óleo de soja com azeite de oliva. Os rótulos prometem 5% de azeite de oliva e o resto de óleo de soja. Nem dá para temperar salada. Trata-se de um grande desperdício, até porque esse composto custa mais caro do que um óleo de soja comum, apesar de ser mais barato do que os azeites de oliva vendidos no mercado.

E agora temos o chamado "café fake", já apelidado de cafake ou coffake, que fez o famoso produto que batiza os cafés da manhã dos brasileiros, deixando o termo "desjejum" em desuso, disparar em preços, chegando a custar R$ 28 os 500 g.

Só que o problema é que o mercado de café já está dominado pelo "café fake" não-assumido. As marcas de café, conforme noticiamos aqui, que dominam o mercado são na verdade produtos cuja presença de café é mínima ou nula. Os sabores são muito estranhos, mais parecendo um gosto de pó torrado e amargo, como se fosse uma mistura de cevada com carvão acrescida de milho moído, pó de madeira e até restos de insetos. 

Café é só uma parte da composição, e mesmo assim somente em marcas como Três Corações (e derivados como Café Brasileiro, Pimpinella e Santa Cruz, entre outras), União e Seleto. Já o Café Pilão é muito fraco e Melitta soa mais um café fake "com categoria", com um forte sabor de cevada queimada.

Esses são abusos que acabam fazendo acostumar mal o consumidor brasileiro. Devemos ter mais senso crítico, embora haja uma campanha para "não reclamarmos tanto assim", pura desculpa para esconder muitas sujeiras debaixo do tapete e passar pano em cima.

Qualidade de vida não é só deixar a Economia em ordem e aumentar o acesso ao consumo. Se existem produtos "genéricos" que não passam de formas adulteradas de alimentos, isso se mostra um grande desrespeito que nenhum PIB alto ou preços estáveis irão compensar. Se nossos cafés, azeites de oliva e leites ganham "genéricos" fraudulentos só para vender mais barato, isso já é um acinte à mínima necessidade de qualidade de vida. Os consumidores brasileiros merecem respeito.

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