Lula tenta, visando a sua reeleição, recuperar o apoio das bases populares, enfatizando pautas como o aumento do salário mínimo e a redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6x1. Mas o caráter procrastinador, de não agir de forma imediata, faz com que hoje o lulismo tenha um outro perfil.
O último vestígio de Lula abraçado ao povo foi em 2018, quando o presidente foi preso devido ao arbítrio abusivo da Operação Lava Jato. Depois disso, tudo se reduziu a uma mera propaganda, apenas com o chamado “Clube de Assinantes VIP”, que, além da burguesia festiva, inclui ex-pobres que se emanciparam economicamente e não foram atingidos pelas maldades de Temer e Bolsonaro.
Temos que tomar cuidado quando vemos as pessoas abastadas gostando muito do Lula. Afinal, não é por causa dos olhos verdes que vêem no presidente nem por causa da repentina generosidade da elite do privilégio quanto aos pobres que tal apoio se deu. Há interesses estratégicos em jogo.
Por outro lado, Lula tornou-se pelego e isso se confirma quando ele, em 2023, decidiu priorizar a política externa, constrangendo o mundo com sua interferência em pautas estrangeiras. O povo pobre se sentiu traído: Lula foi eleito para reconstruir o Brasil ou reconstruir a Ucrânia?
O salário mínimo de R$ 1.621 era para 2023. O fim da escala 6x1 no trabalho também. Foi patético Lula, em seus discursos, reclamar do preço alto do arroz, assim como, de outro modo, os relatorismos falarem de “quedas históricas de preços” das quais ninguém viu um sinal evidente nem definitivo.
E as “quedas recordes” do desemprego? É para assumir trabalho precário? E o que dizer de Lula ter mantido a escala 6x1 nos três anos do terceiro mandato, impedindo o descanso de milhares de trabalhadores? Era para o Governo Federal indenizar essa demanda toda.
Lula age como um pelego e um pelego não atua de maneira sincera. O presidente faz jogo duplo, supostamente em nome da democracia, dando pouco aos mais pobres e cobrando pouco dos ricos. Sem falar que tem muito burguês posando de pobre nas redes sociais, tal qual o modelo milionário do conto de Oscar Wilde.
Para a burguesia ilustrada que domina as narrativas nas redes sociais, tanto faz Lula deixar para última hora as pautas trabalhistas. Para quem está bem de vida, pode esperar o fim da escala 6x1 porque não é essa elite que enfrenta esse tipo de exploração. Para quem tem muito dinheiro, o aumentinho do salário mínimo é maior porque o acréscimo de 103 reais sai multiplicado. Quem ganha dez salários mínimos por mês vai ter 1.030 reais de acréscimo, o que é maravilhoso.
Por isso a procrastinação de Lula empolga o pessoal nas redes sociais. O pessoal fica feliz, vibra com Lula e exalta o presidente. Mas o povo pobre da vida real é que se sente traído, sentindo um aumento salarial precário é um trabalho sobrecarregado. Mas pimenta nos olhos dos outros é refresco, né?
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