Pular para o conteúdo principal

POR QUE LULA ANDA POLITICAMENTE TÃO ABUSIVO?

 
LULA ACHA QUE PODE TUDO, E ISSO É PERIGOSO.

Na vida, as circunstâncias ensinam que não se pode querer tudo. Há interesses alheios e situações que impedem a realização de ambições e a pessoa não pode colocar seus desejos acima de tudo. Em dado momento, a pessoa sofre desilusões, decepções e fracassos e tem que se adaptar a esses resultados e ceder boa parte de seus anseios.

Aos 80 anos, torna-se imperativo racionalizar as ambições. Querer tudo de tudo, nessa etapa da vida, soa muito perigoso e arriscado, podendo ser até mesmo fatal. E é isso que me preocupa em relação ao presidente Lula, que tenta ter o mundo em suas mãos e transformar um Brasil ainda precarizado numa potência de forma prematura e precipitada.

Em vários aspectos, é perigosa essa atitude de Lula que, ambicioso demais, pratica uma espécie de “presidencialismo ostentação”. Ele pratica o poder pelo poder, independente do relativo mérito que tem diante de ultradireitistas como Donald Trump e extremo-direitistas como o argentino Javier Milei e o rival da corrida presidencial brasileira Flávio Bolsonaro.

Trump impondo o tarifaço, Milei inventando que o Brasil fez campanha política contra a Argentina na última Copa do Mundo e Flávio metido em encrencas como o Banco Master, demonstram, sim, que a direita radical é patética e não merece crédito. Mas combatê-la não faz, por outro lado, com que Lula deva ser o novo imperador do mundo.

Nosso país está numa situação delicada nas mãos de um político que acha que pode tudo e que desde que começou o terceiro mandato trabalha seu clima de “já ganhou” para o quarto mandato. Triste ver que um presidente usa o terceiro mandato como trampolim para o quarto, o que, na idade de Lula, soa uma arriscada perda de tempo, pois ele teria que ter trabalhado o terceiro mandato como se fosse seu derradeiro.

Lula errou ao priorizar a política externa e abrir mão da reconstrução do país, substituída por um relatorismo cheio de dados fantásticos e imediatos demais para serem considerados concretos. Alguns desses dados da série “Efeito Lula” soaram uma farsa, como os empregos, e o petista repetiu o discurso de Michel Temer de que o crescimento do trabalho precário era “positivo”.

Lula realiza bravatas lá fora. Quer combater o tarifaço mas atua de forma hesitante diante dos juros da dívida pública. Governando para fora e não para os brasileiros, Lula expõe nosso país de forma perigosa, ostentando a nação brasileira e colocando o risco de ataques de nações opositoras, como os EUA de Trump.

O pouco caso com a política interna diante da ênfase espetacular e supérflua da política externa faz com que o presidente brasileiro mudasse radicalmente sua base de apoio, uma realidade desagradável para muitos e que, portanto, inexiste e insiste em ser invisível às narrativas oficiais: a de que Lula deixou de ser líder popular para ser o candidato das elites sequiosas em mandar no mundo.

As elites, bem de vida e sem ter que reivindicar senão o protagonismo mundial, para elas poderem excursionar pelo planeta, é que vão reeleger Lula empolgadas pela política externa. Já os pobres, ao verem Lula viajando para o exterior, sentem que foram abandonados pelo presidente brasileiro.

É uma narrativa que dificilmente repercute nas redes sociais. A Faria Lima fez uma declaração fingida de que trocou Flávio Bolsonaro por Ronaldo Caiado, quando a verdade mostra que seu apoio real é para Lula. Pessoas mudam de atitude, podem errar feio, trair e mudar de lado, e não é por ser Lula que ele goza de uma imagem inabalável e imperecível de líder popular.

Acompanho os movimentos populares e já vi de perto os movimentos sindicais. Como jornalista, não posso escrever o que me agrada. Preciso ver os fatos com uma visão mais honesta. Não posso mentir só para agradar pontos de vista pessoais e fingir que são “fatos”, como grande parte dos internautas, infelizmente bastante adultos, fazem.

Eu poderia idealizar Lula e ressignificar até suas concessões ao neoliberalismo, além de alternar os termos “esquerdismo” e “democracia” de acordo com as conveniências. Estaria de acordo com a visão dominante dos lulistas, me passando por “objetivo” e “imparcial”.

Só que não. E também não vou seguir a narrativa bolsonarista do “Luladrão”, cheia de mentiras, como a alegação de que a Rede Globo “sempre apoiou” Lula, coisa que os fatos desmentem totalmente.

Daí a postura minha mais próxima aos fatos e minha preocupação com Lula querendo tido de tudo, quando ele é um idoso doente e o Brasil um país culturalmente devastado. São impedimentos dos quais Lula tenta ignorar na marra, se achando o dono do processo político, querendo vencer a todo custo, forçando demais as circunstâncias a seu favor.

Lula não pode manipular o jogo eleitoral como se fosse um teatro de marionetes, afastando concorrentes fortes, depreciando rivais perigosos e cooptando concorrentes flexíveis. Lula não é dono da verdade, do destino da espécie humana e nem é o menino mimado da História, portanto ele não tem poderes especiais que o fazem estar certo quando erra e que tem certeza de que seus desejos serão todos atendidos, ainda mais doente aos 81 anos.

Lula está abusando dos direitos políticos que recuperou após sair da prisão. Abusou no sentido de achar que pode tudo, que vence todas, que pode ser o único a decidir tudo sozinho, apesar de, contraditoriamente, entregar os assuntos trabalhistas no Brasil para a discussão entre empresários e trabalhadores, o “debate” entre a raposa e a galinha. 

Daí que a reeleição de Lula é apenas um meio.para a consagração pessoal do petista e, diantecdo contexto atual do Brasil, isso vai gerar uma catástrofe. Só a burguesia ilustrada é que está animada com mais quatro anos de Lula no poder.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PAOLA CAROSELLA É UMA VOZ REALISTA QUE SE ENCAIXA EM TEMPOS DISTÓPICOS COMO HOJE

Fico refletindo o quanto há muitos estrangeiros que se demonstram tão ou mais brasileiros do que muito nativo deste Brasil deitado eternamente em berço esplêndido. Mino Carta, por exemplo, é um jornalista honrado, lúcido, experiente e mais apaixonado pelo Brasil do que muito jornalista hidrófobo que quer entregar toda a condução da política e economia de nosso país para paus-mandados de Wall Street, da Casa Branca e do Pentágono, aqui nascidos. Temos Noam Chomsky, que sabe mais do que muitos brasileiros que houve golpe político em 2016, um evento que começa a desaparecer até da memória de muitos esquerdistas iludidos com o identitarismo fácil. Temos alemães que, lá do seu país, nos alertam para o risco de endurecimento fascista do governo Jair Bolsonaro. Temos japoneses e estadunidenses que apreciam a mesma MPB autêntica que é demonizada pela nossa intelectualidade tupiniquim, mais identificada com os "bumbum tantãs", os "tecnobregas" e as "pisadinhas" da ...

MARMANJOS BRASILEIROS SÃO MAIS INFANTILIZADOS QUE ADOLESCENTES NOS EUA

  Existe uma coisa esquisita, entre os EUA e o Brasil. Nos EUA, jovens com menos de 30 anos de idade estão ouvindo sons mais antigos. Não apenas um passado relativamente mais recente, como o som dos anos 1980, mas veteranos ainda mais antigos, como Fleetwood Mac, Bob Dylan e os pioneiros da Invasão Britânica dos anos 1960, os Rolling Stones e os dois remanescentes dos Beatles, Paul McCartney e Ringo Starr. Em contrapartida, no Brasil, pessoas com mais de 30 anos mergulham fundo na mediocridade musical dos sucessos popularescos e, quando há alguma nostalgia, ela se situa nas breguices que fizeram sucesso comercial há 30, 40 e 50. Michael Sullivan, É O Tchan, Gretchen, Odair José, e a versão de “Evidências” com Chitãozinho & Xororó. É preocupante que,num momento em que uma parcela privilegiada da sociedade brasileira vive uma megalomania crônica, se achando dona do mundo e ávida pela entrada do Brasil no Primeiro Mundo e no protagonismo mundial pleno,o cenário cultural esteja tão...

“FARMAR A AURA” É HOJE O QUE A GÍRIA “BALADA” FOI NOS ANOS 1990-2000

O jornalismo de escritório, fechado para o mundo e de costas para os fatos, ainda insiste na palavra “balada”, como de vez em quando ocorre no noticiário “sério”, pelo qual não se poderia usar uma gíria, mas ela é usada de forma abusiva, comprometendo a boa escrita jornalística. Comparo isso com a nova moda de “farmar a aura”, um processo de idiotização cultural num contexto em que o que era imbecil ou medíocre há trinta anos hoje é considerado “genial”. Fala-se que o “sertanejo” de hoje só fala de “encher a cara”, mas os canastrões promovidos a “gênios” Chitãozinho & Xororó tiveram um sucesso chamado “Cerveja”. A onda de “farmar a aura”, antes de mais nada, é composta de rituais estranhos de rodas de jovens que se competem abanando as mãos, fazendo gestos inusitados ou qualquer coisa que possa chamar a atenção dos amigos. Algo tolo e inócuo, mas que a geração Z brasileira está adotando junto a um vocabulário inspirado em jogos de Minecraft, em sucessos do trap e em reality shows ...

A GROSSERIA DE LULA, EM MAIS UMA GAFE

Em mais um "pum" declaratório, o presidente Lula cometei mais uma de suas gafes, desta vez das mais grosseiras. Foi durante a cerimônia do programa Brasil Sorridente, em Brasília, ontem. O programa se destina a fabricar próteses dentárias através da tecnologia 3-D, considerada sofisticada. Lula fez um discurso que soou agressivo, mesmo quando disse que "pobre gosta de coisa boa". A declaração, da maneira como foi feita, foi deplorável. Eis o que o presidente disse, mostrando o sinal obsceno do dedo do meio: " Porque nós precisamos acabar com essa história de que eles pensam que pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles [mostra o dedo do meio]. Nós gostamos de coisa boa. Nós queremos tudo de primeira. Tudo. É comida de primeira, roupa de primeira, viajar de primeira, dentista de primeira, médico de primeira ". Só que não foi coisa boa essa grosseria do sinal do dedo e do comentário bruto do presidente, que peca por ser bastante impulsivo. Com certeza, nã...

COM ÔNIBUS “PADRONIZADOS”, EDUARDO PAES VIROU PADRINHO DO BOLSONARISMO

NÃO DÁ PARA ESQUECER O QUE FOI FEITO NOS VERÕES PASSADOS. Enganando a população se vendendo como um falso esquerdista, o hoje candidato a governador do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, impôs, com o autoritarismo de um ditador, a pintura padronizada nos ônibus, medida que confunde as pessoas comuns e deixa as empresas de ônibus serem reconhecidas apenas por “especialistas”, sejam busólogos, autoridades e tecnocratas. O “pesadelo sobre rodas” foi retomado em 2025 e criou um “baile de máscaras” que demonstrou a arrogância de Paes, que fala e age como um Luciano Huck da política, com a curiosa observação de que os dois são muito amigos e sentem admiração um pelo outro. A pintura padronizada é apenas a cereja do bolo que inclui uma degradação do trabalho de fazer Michel Temer ficar de queixo caído. Motoristas acumulando função de cobrador e tendo que cumprir horário, sendo obrigado a aumentar a velocidade para compensar trechos congestionados dos trajetos. Redução de frotas de ônibus em circul...

COPA DO MUNDO MOSTRA O QUANTO O BRASIL VIVE NUMA ETERNA INFÂNCIA

Tive que ver, no meu ambiente de trabalho, a partida entre as seleções brasileira e japonesa de futebol. Pude conhecer um pouco o canal Cazé TV e ver a sua estrutura profissional, com narração ao nível das grandes redes de TV, embora os comentaristas mostrem um ranço de influenciadores digitais e, nas legendas do canal, frases persuasivas do tipo “Quem não acorda com confiança é maluco’ e “Eu quero muito esse hexa” fossem mostradas na tela. As reportagens mostravam uma euforia descomunal. Pessoas com alegria de crianças de cinco anos de idade felizes e esperançosas por mais uma vitória fácil no futebol. A única ressalva é o profissionalismo da repórter Fernanda Gentil, bastante competente em sua cobertura. Nem vou detalhar muito o desempenho da Seleção Brasileira de Futebol, apenas definindo como regular. Mas o clima de conto de fadas se deu quando o primeiro tempo foi marcado por um gol feito pela seleção do Japão. Um drama que entristeceu a torcida, que no entanto não se conformou e ...

O MEDO QUE MUITOS TÊM DE ADMITIR O CULTURALISMO DA FARIA LIMA

Corre um forte medo nas redes sociais. A constatação de que o sistema de valores degradado que atinge o Brasil e deixa muita gente na zona de conforto é em grande parte planejado por executivos e publicitários da Faria Lima faz muitos internautas reagirem e recusarem a admitir essa realidade. Reagem achando que esse sistema de valores prevalecente em nosso país se desenvolveu com a naturalidade do ar que respiramos e, só por fazer parte do cotidiano de muitas pessoas, seria “impossível” atribuir qualquer manipulação ou qualquer processo de alienação sociocultural. Tudo parece agradável, mesmo diante de cenários de idiotização cultural, de obscurantismo religioso e de processos de indução ao consumo cego e voraz. Pessoas acordam, passam o dia e vão dormir tranquilas se submetendo a esse processo que lhes parece natural e espontâneo. A gente vê que o Brasil decaiu muito. Em termos culturais, o Brasil está,no conjunto da obra, pior do que em 1963. Até agora, o Brasil não resolveu seus ent...

ELITE DO BOM ATRASO NÃO GOSTA QUE SE CRITIQUE O UFANISMO DAS FAVELAS

  Um caso foi divulgado no portal Investi Brasil, que citou a grande repercussão da frase de um jovem, que declarou: “Favela não é cultura. Favela é pobreza, desordem e caos”. O jovem reforçou sua tese argumentando sobre a necessidade de criar políticas habitacionais para a população carente. Embora o internauta tenha recebido manifestações de solidariedade nas redes sociais, ele sofreu ataques e foi vítima de cancelamento. Tudo porque os descolados não gostaram do comentário do rapaz de que favela não é cultura. Antigamente, os jornalistas sérios alertavam para o problema crônico das favelas, definidas como uma grande tragédia social, consequente do abandono da população pobre depois da Abolição da escravidão. É um triste efeito da exclusão imobiliária que forçou os pobres a improvisar construções precárias que não têm segurança nem conforto. Somente nos últimos 25 anos, surgiu a narrativa, com uma forte dose de hipocrisia social, o tratamento glamourizado das favelas, aliado à es...

POR QUE UM FEMINICIDA TENDE A MORRER MAIS CEDO QUE UM HOMEM COMUM?

A tragédia pessoal de um feminicida não ocorre porque supostamente nós desejamos ou não que isso aconteça. Queiram ou não queiram, essa tragédia vem da própria personalidade tóxica do feminicida, que não tinha uma personalidade zen quando cometeu o crime e nem vira um primor de longevidade tempos depois. O próprio feminicida constrói sua morte que de qualquer maneira reduz seu tempo de vida. Antes de cometer o crime, ele desenvolve um sentimento de ódio contra sua vítima, quase sempre uma esposa ou namorada cuja relação terminou ou está para terminar. Esse ódio lhe causa mal estar e isso mina seu organismo e, não obstante, lhe tira o sono, prejudicando seu rendimento físico. Sua consciência, evidentemente, lhe adverte para não cometer o crime, mas a obsessão pelo ato lhe faz o coração bater acelerado, o que se agrava no exato momento do crime, que causa, no seu praticante, um desgaste energético que é apenas pequeno para causar algum problema de saúde, mas abala seu funcionamento de qu...

ALUNO FAZ "BRINCADEIRA" PERIGOSA CONTRA UMA PROFESSORA

Esta semana teve o caso lamentável ato de três alunos combinarem um trote perigoso a uma professora de ensino médio em São José dos Campos, no Estado de São Paulo. A professora Michele Ramos, da Escola Municipal Professora Ildete Mendonça Barbosa, no bairro Residencial União, foi avisada de que um aluno pôs cacos de vidro num copo de água que a docente levava para beber durante a aula. “O menino simplesmente achou que 'tudo bem' ele pegar um pedaço de vidro e colocar no meu copo, se exibir para a sala... caramba! É uma dor muito grande!”, disse Michele, que acrescentou: “A sala viu o que estava acontecendo e ficaram de murmurinho. Ao invés de me falarem que ele tinha colocado, não. [Eles disseram] 'se eu fosse você, eu não beberia essa água, professora'. Em que momento isso é normal? Que tipo de educação essas crianças estão recebendo em casa?”. Um menino que colocou os pedaços de vidro no copo da professora teria mostrado isso para os colegas. Felizmente Michele não be...