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ACORDO EUA-CUBA E O CASO DO FILME 'A ENTREVISTA': CAMINHOS E DESCAMINHOS DA GUERRA FRIA


As relações entre países comunistas e EUA tiveram uma boa e uma má notícia, A boa notícia é um acordo entre o presidente dos EUA, Barack Obama, e o presidente de Cuba, Raul Castro - irmão de Fidel Castro e parceiro dele na Revolução Cubana de 1959 - para reduzir o embargo dos EUA a Cuba, que incluiu a libertação de um preso político norte-americano.

O acordo é histórico e pode reestabelecer parcerias entre os dois países, históricos rivais, embora o acordo tenha desagradado anti-castristas históricos, que compõem boa parte da elite latino-americana que mora em Miami e passeia por Los Angeles.

O mais curioso é que Barack Obama é do mesmo Partido Democrata do falecido presidente John Kennedy, e o próprio Barack ainda estava na barriga da mãe quando o então presidente estadunidense ordenou uma invasão, coordenada pela CIA, na Baía de Los Cochinos (Baía dos Porcos), em Cuba, no dia 17 de abril de 1961.

A invasão foi um fracasso, e tinha por objetivo depor o então primeiro-ministro Fidel Castro - depois declarado presidente - , que então havia estabelecido uma parceria política com a União Soviética, No ano seguinte, Kennedy esteve perto de declarar uma guerra nuclear contra Cuba, no conflito diplomático que se tornou conhecido como "crise dos mísseis".

A capacidade do presidente Obama em aceitar diálogo com Raul Castro tem seus méritos, com vantagem maior nas políticas de centro-esquerda. É polêmico, mas o episódio já mostra que o antigo conflito político pode ser resolvido com acordos e diálogos em benefício à América Latina.

Já a má notícia é o cancelamento do filme A Entrevista (The Interview), comédia política protagonizada pelos atores James Franco e Seth Rogen, que interpretam dois jornalistas atrapalhados que colaboram para a CIA, usando o pretexto de uma entrevista para realizar um atentado contra o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un.

O filme teve seu lançamento cancelado depois que háqueres invadiram o portal da Sony para roubar dados confidenciais, como correspondências, dados financeiros e roteiros de outros filmes, enquanto divulgava um comunicado ameaçando provocar um atentado sem precedentes nos EUA. "Lembrem-se do 11 de setembro", alertava a mensagem.

A ditadura norte-coreana é conhecida pela produção de armas nucleares. Mas há esforços diplomáticos para tentar algum acordo político entre o país e a vizinha Coreia do Sul (de orientação capitalista) e evitar um confronto bélico. E, por outro lado, até o ditador norte-coreano pediu para os EUA investigarem o incidente.

Barack Obama, por sua vez, viu um erro no cancelamento do filme. Ele recusou a proposta de investigação conjunta, alegando que a Coreia do Norte é responsável pelo ataque haquer. O presidente dos EUA pediu para a Sony Pictures seguir adiante com o filme, enquanto os EUA preparam uma investigação sobre o caso.

O incidente também traz novas discussões sobre a ameaça de censura à Internet. Além disso, é o primeiro caso de vazamento de dados após a repercussão dos casos Wikileaks e Edward Snowden (que denunciou esquema de espionagem da CIA). A chamada "guerra da informação"e o terrorismo digital surgem como pretextos para que se estabeleçam sérias restrições à democracia digital.

A própria indústria cinematográfica e seu mercado concentrador também foi posta em xeque. Se, por um lado, uma comédia comercial é impedida de ser lançada, por outro os bastidores de Hollywood são postos a nu, como comentários negativos do produtor Scott Rudin, que definiu Angelina Jolie como "pouco talentosa" e Leonardo di Caprio como uma "pessoa difícil".

Com tais situações, concluímos o acordo histórico entre EUA e Cuba pode representar a superação de antigas ameaças (o conflito influenciou muitos golpes militares na América Latina, inclusive no Brasil), mas ainda há outras ameaças para serem investigadas com seriedade e isenção. Ainda estamos em momentos difíceis.

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