O PREOCUPANTE CASO DE JAIR BOLSONARO


A semana foi marcada por uma declaração infeliz do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), herói dos ultradireitistas, contra a colega parlamentar Maria do Rosário (PT-RS), que é ativista dos direitos humanos.

Em 2003, ele havia brigado com Maria do Rosário no corredor do Congresso Nacional dizendo que "só não a estupraria porque ela não merece, não vale a pena", criando um bate-boca e uma reação do militar e deputado, aos empurrões.

Na última terça-feira, depois que Maria fez um discurso criticando a violência da ditadura militar, Jair retomou o antigo discurso e reafirmou que não estupraria a deputada pelo mesmo motivo apresentado em 2003 e ainda chamou o Dia Internacional dos Direitos Humanos de Dia da Vagabundagem.

Violento, Jair Bolsonaro é uma espécie de "pós-PHD" do reacionarismo que começa na Internet, com o ciberreacionarismo de uma ala de troleiros que investem em defender o "estabelecido" - geralmente valores impostos pelo poder político, midiático e pela indústria do entretenimento - , indo de mensagens jocosas e ofensivas nos fóruns até na produção de blogues e fotologs ofensivos.

O paulista radicado no Rio de Janeiro foi o deputado federal mais votado nas últimas eleições, simbolizando não só o extremo-direitismo brasileiro como também o recuo do antigo pseudo-esquerdismo de alguns reacionários "bacanas" que desistiram de investir num esquizofrênico "marx-carthismo" (alusão ao macartismo norte-americano disfarçado de suposto esquerdismo).

Jair, ao lado de figuras como Reinaldo Azevedo, Rachel Sheherazade e o roqueiro Lobão, tornaram-se representantes de um reacionarismo paranoico e debiloide, desses que preferem até que a Cosa Nostra governe o Brasil, em vez de aguentar um segundo de PT no poder.

Eles levam ao exagero a discordância ao governo petista, transformando tal postura numa paranoia, numa doença psicológica, num sentimento irracional e golpista tão grotesca que é difícil ser argumentada a todo momento. Daí haver posturas alucinadas como as de Jair Bolsonaro.

A declaração de Bolsonaro repercutiu mal e criou uma onda de repúdio maior do que os votos que ele recebeu para ser eleito. Existe até mesmo uma intenção de processo judicial e campanhas pela cassação do seu mandato. Espera-se que tais medidas ocorram, para dar fim à carreira de uma pessoa truculenta que se mostra indiferente e alheia aos novos tempos.

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