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É PERMITIDO GOSTAR DE BREGA. SÓ NÃO SE PODE LEVAR A SÉRIO DEMAIS - PARTE 3


O brega virou um Frankestein ideológico, e seus partidários, que se arrogavam de combater a idealização da cultura popular por ídolos tidos como "aristocráticos" (como Edu Lobo, Chico Buarque e a finada Elis Regina), cometeram idealizações piores, que transformaram a geração neo-brega dos anos 90 em cantores confusos e esquizofrênicos.

Aí vieram cobranças para que Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Belo, Zezé di Camargo & Luciano, Leonardo e Daniel se comportassem feito os artistas de MPB que os intelectuais viam nos anos 80 e o máximo que esses cantores fizeram foi criar uma caricatura "limpinha", gravando covers e vestindo trajes de gala, fazendo uma pretensa MPB pior do que o pior da MPB em seus momentos mais comerciais.

Pior: idealizou-se tudo, vide o que fizeram com o "funk carioca", em que a intelectualidade apologista viu no gênero coisas que, na prática, nunca existiram, e fizeram associações das mais surreais ao gênero, atribuindo a ele personalidades vanguardistas ou militantes que os funqueiros nem de longe ouviram falar. É o "bom" preconceito da gente "sem preconceito".

As pessoas esperavam que os ruralistas Zezé di Camargo & Luciano - com um filme biográfico claramente produzido pela Globo Filmes, que naquele 2005 teve que ocultar sua marca no apoio do documentário Sou Feia Mas Tô Na Moda de Denise Garcia para evitar acusações de concentração no mercado cinematográfico - passassem a fazer o papel de esquerdistas simpáticos.

Só que, depois do sucesso do dramalhão Os Dois Filhos de Francisco, de Breno Silveira, a dupla surtou, se perdeu musicalmente (sempre foram medíocres, mas pelo menos antes eles tinham um caminho a seguir) e Zezé passou a adotar uma postura reacionária, militando no Cansei e, há poucos meses, apoiando Aécio Neves. E os dois sempre apoiaram o ruralista Ronaldo Caiado.

Esquerdizou-se demais o brega, sem a menor necessidade. Unindo elementos da cultura trash e do politicamente correto, foram criadas posturas surreais que só existiam na imaginação de intelectuais (burgueses) que defendiam a bregalização cultural, tentando creditar meros hitmakers um ativismo social que nunca existiu, e um perfil revolucionário que nem em sonhos existia.

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