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QUANDO SER COLOQUIAL COMPLICA DEMAIS AS COISAS


Às vezes ser coloquial demais confunde e muito. Vide a gíria "galera" que para muitos substitui muitas palavras "família", "equipe", "turma" etc, mas exige um complemento tipo "lá de casa", "lá do trabalho", "lá da escola" e por aí vai. Preço alto para um coloquialismo forçado, que torna o português mais complicado ainda.

Vendo a foto acima, divulgada pela coluna do jornalista Léo Dias, de O Dia, a impressão que se tem é a da promoção de uma quermesse, uma espécie de "festa junina" lançada no começo do ano ("festa janeirina"?), em que um grupo de moças pedem doações de agasalhos (em pleno verão?) através da expressão "CASACA GENTE?" (espécie de simplificação da frase "Vamos doar casacas, gente"?).

Mas não é. Trata-se de uma homenagem de fãs do filme "Loucas pra Casar" que dá um nó na mente. Um grupo de garotas aparece, cada uma, com uma letra, que juntando dá a expressão "Casaca Gente". A gíria queria dizer "Casa c'a gente", mas nem o apóstrofo foi sequer considerado.

É de fundir a cuca. Não dá para perceber que elas estão pedindo para os homens se casarem com elas? Quem é que vai dar o "sim" nupcial lendo "CASACA GENTE?" e ficando com a cuca fundida? E olha que a atriz Susana Pires (se pudesse, me casaria com ela) nada tem a ver com esse "mico", ela está ali para cumprir um compromisso como dedicada profissional que é.

O problema é da organização dessa homenagem e essa verdadeira atrocidade ao nosso vocabulário, quando mulheres pedindo para se casarem com alguém mais parecem pedir algum agasalho para uma quermesse. Se elas querem pretendentes, causaram mais confusão do que conquista com seu recado.

Pensando bem, faz muito mais sentido acreditar que há uma "festa junina" em janeiro na qual, em pleno verão, se pedem agasalhos para as populações carentes, do que entender que "CASACA GENTE?" é um tipo de paquera. Pelo menos o absurdo da primeira ideia tem seu quê de lógica.

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