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RIO DE JANEIRO NÃO SABE AINDA FAZER PÃO DE MILHO


O Rio de Janeiro já está sendo alvo de muitas queixas pelo seu surto de provincianismo que havia desde os anos 1990, mas que se tornou intenso nos últimos cinco anos e culminou pela "destacada" figura do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que leva às últimas consequências o autoritarismo já presente em Eduardo Paes e companhia.

Esse provincianismo se reflete em diversos aspectos. Sobretudo na música, em que o Brasil do samba que viu surgir a vibrantemente inovadora Bossa Nova agora sucumbe à "monocultura" do "funk", que aos poucos empurra o samba dos morros para o isolamento nos gostos paternalistas das elites econômicas e acadêmicas.

No mercado, a surpreendente lentidão dos gerentes de supermercados em repor os estoques de vários produtos assusta, porque o Rio de Janeiro integra uma região central de fabricantes e distribuidores de produtos e, no entanto, a renovação dos estoques de muitos produtos é digna de mercadinhos de alguma cidade do interior perdida dentro do mais isolado Norte do país.

A culinária também começa a sofrer com esse provincianismo que, segundo especialistas, fez a cidade do Rio de Janeiro retroceder socialmente, num fato inédito em cem anos, quando o projeto de urbanização de Pereira Passos tentava impulsionar a antiga capital do país para a modernidade, o que prevaleceu até os anos 1980.

Até para comprar pão o Rio de Janeiro decepciona. Claro, não falta quem venda pães bons, mas o que se percebe é que as opções deixam a desejar - e os estoques também, porque a mentalidade de abastecimento aqui é de um provincianismo de impressionar até acreanos - e, no caso do pão de milho, não há quem pudesse fazer pães de qualidade com preço acessível.

Aliás, quase nunca há pão de milho de qualidade mesmo com preço caro, como esses pacotes de nove pequenos brioches que custam cerca de R$ 4, o que não dão para o gasto. São pães muito pequenos, não muito macios, que mais parecem produzidos de má vontade, só para dizer que há pão de milho no mercado do Rio de Janeiro.

Há também pães maiores, mas também não muito macios. E há a estranha mania de enfatizar o formato pão de forma fatiado, e não de bisnaga de pão doce, como, por exemplo, se faz em Salvador, onde o pão de milho é feito como todo pão doce, sendo equivalentes aos pães de leite ou pães para hambúrguer só que acrescidos com fubá de milho. E há quem tenha preço mais em conta.

O Rio de Janeiro passou a se contentar com o básico e com muito pouco. Parece que sucumbiu ao que Arnaldo Antunes definia como "bebida é água, comida é pasto" e passou a se conformar com pouco e com o básico, passando a ter preconceito com a verdadeira diversidade, postura que tem mais a ver com as regiões latifundiárias do país.

Daí que os cariocas e fluminenses passaram a defender apenas a cultura qualquer nota, a mobilidade qualquer nota, a culinária qualquer nota, o mercado qualquer nota, decepcionando o resto do país que esperava que o Rio de Janeiro continuasse fazendo jus à sua antiga e, lamentavelmente, descartada, condição de modernidade e cosmpolitismo.

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