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A "CAÇA ÀS BRUXAS" DA "REPÚBLICA DE CURITIBA"


A "República de Curitiba", do juiz hipermidiático Sérgio Moro e do humorístico Power Point de Deltan Dallagnol, segue com sua "caça às bruxas".

Enquanto nem sequer convoca políticos do PSDB e PMDB para depor, prende de forma sumária integrantes dos governos Lula e Dilma.

A prisão de Paulo Bernardo foi uma pressão psicológica para abalar a esposa, senadora Gleisi Hoffmann, e favorecer as votações do Senado Federal para o afastamento definitivo de Dilma Rousseff do Governo Federal.

Paulo Bernardo foi solto dias depois, talvez pela má repercussão de uma prisão tão precipitada.

Agora é a vez de Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda do governo do PT, ser preso pela 34ª fase da Operação Lava Jato.

Só depois, diante da má repercussão da prisão, é que o juiz Sérgio Moro reviu a decisão e mandou soltar o ex-ministro.

Essa fase da Lava Jato se relaciona a contratos pela Petrobras de empresas para construção de duas plataformas, a P-67 e a P-70, para exploração de reserva de petróleo na camada do pré-sal.

Guido Mantega, curiosamente, começou a carreira vinculado a Fernando Henrique Cardoso e sua Teoria da Dependência.

Mas Guido - que o mundo das celebridades também conhece como o pai da apresentadora Marina Mantega - superou essa fase e se adaptou à linha progressista do governo Lula, mesclando capitalismo com reformas sociais.

Fez parte de uma das políticas mais moderadas de reformismo social implantadas no país.

Até João Goulart, mesmo sendo um fazendeiro gaúcho, tinha projetos políticos bem mais audaciosos que os do operário Lula.

Mesmo assim, foi demais para a plutocracia ver pobres conquistando empregos, virando servidores públicos, adquirindo carteiras assinadas, obtendo direitos trabalhistas, ganhando qualidade de vida.

Ainda que de forma branda e moderada, isso irritou a plutocracia que quer desfazer tudo isso.

E temos o Brasil temeroso de hoje, no qual agora o "herói" é Henrique Meirelles, ao lado de gente como Eliseu Padilha e, "cuidando do mundo", o desastrado José Serra.

Que, como um diplomata, é um péssimo líder estudantil, quanto mais um chanceler.

Por sorte, Serra teve outra mentalidade quando era presidente da UNE, em 1963 e 1964.

Se o José Serra de hoje tivesse sido presidente da UNE, teria sido bem pior do que o Paulo Egydio que tentou desviar a entidade estudantil mais à direita, nos anos 1950.

E olha que Paulo Egydio, prefeito de São Paulo durante a ditadura militar, se filiou mais tarde ao PSDB.

Os tucanos vivem soltos na floresta da plutocracia.

O pessoal solidário, de outros partidos, também.

Não se convocam sequer Aécio Neves, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Michel Temer para depor na Lava Jato.

Até para eles negarem as suspeitas ou fizerem suas declarações de defesa.

Mas não. E aí a gente vê a natureza das coisas.

Quando intimados, os petistas se oferecem a prestar todo tipo de depoimento.

Elaboram defesas, expõem argumentos, respondem a perguntas, explicam supostos incidentes.

Lula, por exemplo, explicou que desistiu de obter o triplex do Guarujá que a Lava Jato insiste ser dele.

No caso dos tucanos e associados, não há defesa, e quando muito apenas há desmentimentos vagos, superficiais.

Aécio Neves foi citado por pelo menos quatro delatores da Lava Jato. Foi mencionado por alguns deles como responsável por um esquema que cobrava propinas que não eram pouca coisa.

"Aécio é chato para cobrar propina", disse o delator Carlos Alexandre de Souza Rocha, sobre o esquema junto à empreiteira UTC.

"Todos sabem o esquema do Aécio", disse Sérgio Machado a Romero Jucá, em conversa gravada e divulgada logo após a posse de Michel Temer como presidente interino, mas registrada ainda com Dilma no poder.

Mas nada é feito. Todos os corruptos do governo Temer são "honestos" mesmo com provas ao contrário.

Há provas, mas não há "convicção", só para citar Dellagnol.

E assim o país sai desgovernado diante de pessoas felizes que pensam que Henrique Meirelles é Papai Noel que vai dar presente para a garotada depois das reformas trabalhista e previdenciária.

Vão acreditar nisso, que depois virá a conta.

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