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JANDIRA FEGHALI ENFRENTA O IMPÉRIO "GLOBAL"


A pressão contra o Brasil temeroso e seus aliados continua firme.

Desta fez, foi ontem à noite, quando a Rede Globo, que apoiou a derrubada de Dilma Rousseff e fazia sua voz ecoar até no Supremo Tribunal Federal, recebeu um puxão de orelha.

No debate para candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro, transmitido pela TV Globo carioca, Jandira Feghali, do PC do B, apoiada pelos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, deu o recado.

"Boa noite, nós estamos aqui na TV Globo e eu não poderia deixar de registrar que essa emissora apoiou o golpe contra a democracia e contra uma mulher eleita", disse a candidata.

E ainda completou: "Esse golpe interrompeu o mandato de uma mulher eleita, que melhorou a vida de todos os vocês e investiu muito nesta cidade".

Jandira também havia feito a pergunta, quando interrogava para o rival Pedro Paulo, candidato do atual prefeito, Eduardo Paes: "Como é que você jogou tanto voto fora e agora pede voto?".

A mídia golpista resolveu interpretar à sua maneira o incidente e enfatizou mais a resposta dada pela mediadora, Ana Paula Araújo, por sinal irritada com a atitude de Jandira:

"A TV Globo foi citada pela candidata Jandira e eu quero, por respeito a você telespectador, esclarecer que a TV Globo não é obrigada a realizar debates. Se a emissora faz isso é justamente por apreço à democracia, inclusive se expondo a ter críticas ao vivo dos candidatos", afirmou Ana Paula.

"Quero lembrar também que não é a Rede Globo que está sendo avaliada aqui, são os candidatos e é você de casa que vai poder ver as propostas, comparar as ideias e ver quem é que tem mais compostura e competência para ser prefeito do Rio de Janeiro".

Ana Paula foi aplaudida.

Ela é uma profissional competente, e, aparentemente, estava querendo manter o foco do debate.

E Ana Paula estava defendendo a empresa, o que é correto para sua situação profissional.

Mas num contexto de crise política, da qual a Rede Globo é um dos responsáveis diretos, fazendo campanha contra o governo de Dilma Rousseff, tinha que haver essa ruptura da candidata Jandira.

Há certos momentos em que se precisa criar transtornos graves para ameaçar uma estabilidade forçada.

Tínhamos um governo que até cometia erros, como o de Dilma Rousseff, mas que não eram tantos a ponto de haver essa expulsão do poder ocorrida no final de agosto passado.

E o governo que tomou o lugar, já desde a fase interina, que é o de Michel Temer, nunca demonstrou coisa alguma senão retrocessos e muita confusão.

Tinha que Jandira, a essas alturas, chamar a atenção nesse incidente.

E já existe uma coleção de incidentes diversos em que a direita sofre abalos sérios.

Desde um riquinho encrenqueiro como Cláudio Baldaque, que agrediu o senador Lindbergh Farias e a esposa, até a Rede Globo acusada dentro de suas transmissões de ser co-autora do golpe político dos últimos tempos, a plutocracia não venceu a parada sem levar surra.

Embora seus profissionais tentem desmentir, a Rede Globo é uma das maiores sonegadoras de impostos do Brasil.

Além disso, seus donos, os irmãos Marinho (com dois deles citados no Bahama Leaks, suspeitos de participação em empresas offshore registradas em paraísos fiscais), abocanham dinheiro até da Lei Rouanet e do próprio Criança Esperança.

E a participação da Rede Globo no auge da ditadura militar e, mais recentemente, na derrubada do governo Dilma, é bastante explícita.

Não era bom manter a estabilidade forçada de um governo que alcançou o poder à força.

Várias pessoas, cada uma com seu contexto, tinham que chamar a atenção para a instabilidade e a crise sócio-política agravada pelo governo Temer.

Seja Letícia Sabatella vaiada por curitibanos reaças, seja Jandira usando a Globo para atacar a própria emissora.

E essa crise está longe de terminar. Mesmo se Temer for afastado, em algum momento de 2017, e a eleição indireta colocar um tucano no poder.

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