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O CLIMA DE APREENSÃO APÓS O ATENTADO CONTRA CARAVANA DO PT


O atentado que atingiu os dois ônibus da caravana do Partido dos Trabalhadores entre Quedas do Iguaçu e Laranjeira do Sul, no interior paranaense, ontem à tarde, gerou um clima de apreensão muito grande.

O incidente mostra o quanto as forças reacionárias passaram do cyberbullying velado em nome do "estabelecido" a tentativas de homicídio.

A turma que, nos tempos do Orkut, se preocupava em defender pretensas rádios rock com QI de Jovem Pan (principalmente a Rádio Cidade) a ônibus com pintura padronizada (dando um trato militaresco a um modelo tecnocrático de mobilidade urbana), passou a ir longe demais.

Arrogante, vingativa, chantagiosa, produtora de fake news, criadora de páginas ofensivas na Internet, essa patota fora-da-lei se acha acima das leis e dos princípios de respeito humano.

São pessoas que, em situações "normais", parecem simpáticas e divertidas, o que traz um alerta quanto à adesão a pessoas desse tipo, que escondem visões autoritárias e práticas reacionárias das mais perversas.

A questão do bullying (eu proponho a expressão brasileira "valentonismo") é ilustrativa na forma como se nascem os tiranos nos pátios escolares.

Muitas pessoas realmente direitas e de algum caráter bom, pela boa-fé, pegam carona em rituais de humilhação e acompanham com risadas as ações de um agressor.

São inocentes úteis, que ao "rirem junto" com o agressor, lhe dão poder e prestígio, o que faz com que o "gozador divertido" da escola de hoje possa ser um corrupto ou fascista amanhã.

Os patrulheiros do establishment, que ontem diziam coisas como "rádio rock tem que ser feita por quem não entende do assunto, porque é mais profissional" ou "que importa a empresa de ônibus, o que importa é o serviço", se ascenderam dessa forma.

Afinal, alguém acha que um valentão ganharia prestígio e poder se não houvesse adesão de inocentes a esses atos de pura agressão moral?

Quem pratica essas agressões são, geralmente, uma meia-dúzia de pessoas, a não ser que elas ocorram em ambientes onde a sociedade é, no seu todo, reacionária.

Como em Passo Fundo, uma cidade do interior gaúcho que, acreditava-se, parecia ter algum caráter que se supunha, ao menos relativamente, urbano e moderno.

Os valentões da Internet, que se escondiam no Orkut, agora ganham as ruas e isso causa um clima de apreensão.

O episódio do atentado aos ônibus da caravana do PT, por pouco não atingiram Lula, que nem estava neles, pois palestrava numa universidade, a Universidade Federal da Fronteira Sul, em Laranjeiras do Sul.

Mas uma das balas chegou à poltrona onde estava sentado Gianni Carta, filho e sócio do jornalista Mino Carta, de Carta Capital.

A mídia hegemônica teve que divulgar a ocorrência, embora o "furo" tenha dado pelo periódico de esquerda Brasil de Fato.

Mas políticos de direita, como Geraldo Alckmin, João Dória Jr. e Jair Bolsonaro culpam o PT pelo incidente, que os três atribuem como "reações aos crimes cometidos pelos petistas".

A senadora Ana Amélia, do PP gaúcho apoiou os ataques de ovos contra a caravana do PT no Rio Grande do Sul.

Mas João Dória Jr., que foi vítima de ovadas em Salvador, disse que "não recomenda ovos", mas pede a "prisão do ex-presidente Lula".

Hoje está mesmo programado o comício de Lula em Curitiba, "capital" ideológica do Brasil reacionário, por ser a "sede" da Operação Lava Jato e QG do juiz Sérgio Moro.

Pode haver um risco de atentado. Os próprios membros do PT admitem que o evento será realizado sob um clima de preocupação, mas, aparentemente, o policiamento em Curitiba parece garantido.

Tudo pode acontecer e há um medo até de haver um massacre, uma chacina em plena Boca Maldita, a praça onde se realizará o evento e foi palco de comícios das Diretas Já em 1984, que tiveram o próprio Lula como um dos militantes.

Pode parecer que superestimamos o poder dos reaças, mas a própria sociedade conservadora está no lado deles, o que significa que todo risco não pode ser menosprezado.

O atentado a bala aos ônibus da caravana do PT foram um alerta, quase duas semanas após o atentado que tirou a vida da batalhadora vereadora Marielle Franco.

Daí o clima de apreensão nesses momentos sombrios em que vivemos.

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