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RÔMULUS MAIA E O CASO DOS INIMIGOS INTERNOS NO BRASIL - PARTE 2

PEDRO ALEXANDRE SANCHES E O DJ DE "FUNK" RÔMULO COSTA - "Amigos" das esquerdas que colaboravam com os barões da grande mídia.

O caso Romulus Maia nos põe para pensar, sobre o quanto supostos amigos da causa progressista podem agir para apunhalar as esquerdas pelas costas.

Tivemos um famoso precedente, do sargento José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, de lamentável lembrança.

Cabo Anselmo, hoje vivendo em lugar ignorado sob forte esquema de segurança, havia sido durante anos um herói para as esquerdas, ao defender os direitos dos militares de baixa patente.

Ele chegou até mesmo a atuar na guerrilha anti-ditadura, comandando a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

No entanto, ele traiu quando denunciou os próprios colegas de militância, já na virada dos anos 1960 para os 1970, para o DOI-CODI.

Os antigos parceiros, inclusive a antiga namorada e colega do VPR, a paraguaia Soledad Viedma, foram presos, torturados e assassinados pelo órgão de repressão.

Descobriu-se depois que Cabo Anselmo sempre foi colaborador da CIA e que havia usado a Revolta dos Fuzileiros Navais de 1963-1964 como desvio de foco do projeto de governo de João Goulart.

Jango havia proposto as chamadas "reformas de base" (com sentido de "reforma" ideologicamente oposto ao de Michel Temer).

Como o projeto de Jango incluía, entre outras coisas, a restrição da remessa de lucros de empresas estrangeiras instaladas no Brasil, a plutocracia de então criou então uma "cortina de fumaça".

A "revolta dos sargentos" surgiu no segundo semestre de 1963, quase ao mesmo tempo da Rede da Democracia, campanha midiática de desmoralização do governo Jango patrocinada pelo IPES-IBAD.

O IPES-IBAD foi uma dupla de "institutos" da qual só sobrou o IPES, pois o IBAD, que surgiu antes, teve que ser desfeito depois que uma CPI revelou que a instituição era patrocinada pelo Departamento de Estado dos EUA e empresas gringas solidárias.

Hoje o IPES não existe mais, o "instituto" fechou em 1972 e atualmente o Instituto Millenium desempenha seu papel de think tank da chamada intelectualidade orgânica brasileira.

E, por incrível que pareça, a cultura é também um prato muito usado no cardápio desse think tank e revela um fenômeno novo que é dos "inimigos internos" das forças progressistas.

Isso também tem a ver com uma religião que abandonei em 2012, o Espiritismo, cujo injustiçado e mal compreendido precursor, o pedagogo francês Allan Kardec, já prevenia sobre a influência dos "inimigos internos".

No Brasil o que se conhece como Espiritismo é dominado pelos "inimigos internos" que vestem a capa de "kardecistas autênticos".

Seus maiores pregadores são os "médiuns", nome que faz um curioso trocadilho com "mídia" (não por acaso, eles são blindados pela Rede Globo) e que se comportam como se fossem sacerdotes medievais à paisana (sem o uso de batina nem adoção de rituais ostensivos).

Dois deles são muito famosos, de sobrenomes Xavier e Franco, e sempre foram figuras conservadoras, tendo sido católicos ortodoxos que fingiram paranormalidade para se apropriarem do legado do Espiritismo francês.

Criou-se uma aberração chamada "Espiritismo Cristão" e os dois "médiuns" passaram a professar seu conservadorismo moral, faturando em cima do sofrimento dos outros e se protegendo sob o verniz da "caridade" tão fajuta quanto o falso assistencialismo dos programas de TV popularescos.

O primeiro desses "médiuns", falecido após o fim da Copa do Mundo de 2002, defendeu a ditadura militar e esculhambou João Goulart por seu governo "de tendência claramente esquerdizante".

Esse "médium" teve o descaramento de produzir obras fake usando o nome de Humberto de Campos, famoso escritor brasileiro hoje esquecido, em livros que circulam impunemente no mercado literário nacional e internacional.

O segundo, nos últimos anos, passou a se envolver em incidentes que incluíram um julgamento de valor maldoso contra refugiados do Oriente Médio, o apoio ao decadente João Dória Jr. e sua "farinata", a defesa da Operação Lava Jato e o repúdio ao PT, ao marxismo e à ideologia de gênero.

Este "médium" era tido como "humanista" e "pacifista" e contradisse essa tão festejada reputação.

E, como suposto filantropo, fazia turismo pelo mundo afora em troca de prêmios pomposos, enquanto deixava uma instituição em Pau da Lima, Salvador, sob o cuidado de terceiros, até pouco tempo atrás sob a coordenação de seu primo, hoje falecido.

São esses detalhes que mostram o quanto os "inimigos internos" surgem como graciosas raposas na entrada de um galinheiro.

A cultura, no âmbito da religião, da música, do comportamento e até do esporte, mostra o quanto as forças progressistas são traídas por pretensos aliados circunstanciais.

Temos o caso do jornalista Pedro Alexandre Sanches, que se revelou, na verdade, um "alter-ego" do seu ex-patrão Otávio Frias Filho.

Cria do anti-esquerdista Projeto Folha, Sanches via a cultura sob o ponto de vista da Folha de São Paulo e, depois de trabalhar no Estadão e na Época, foi "passear" nas redações da mídia de esquerda (Carta Capital, Caros Amigos e revista Fórum).

Sanches chegou a ter as esquerdas na palma da mão, quando foi mediar um debate sobre mídia golpista, entrevistou o sociólogo Jessé Souza e teve uma entrevista com o letrista Aldir Blanc publicada em várias páginas da mídia esquerdista existentes no Brasil.

É até insólito Sanches entrevistar Jessé Souza, porque o sociólogo critica justamente a tradição "culturalista" que formou intelectuais como o próprio jornalista paulista-paranaense.

Sanches é conhecido pelo propagandismo extremo da bregalização cultural, aquela que transforma as classes pobres em caricatura e consiste numa falsa cultura popular patrocinada pela mídia venal (Globo, SBT, Folha, Abril etc).

Sanches também publica comentários forçadamente esquerdistas no seu perfil no Twitter, como se fosse um papagaio a imitar e fingir concordar com o que gente como Paulo Henrique Amorim, Altamiro Borges, Emir Sader e outros escrevem.

Mas Sanches, ao defender a bregalização da cultura popular, queria mesmo era impedir que houvesse um cenário de música brasileira tão forte e consistente como aquele que buscou uma resistência à ditadura militar, entre 1966 e 1968.

Essa bregalização cultural trabalha uma abordagem "conciliatória" reprovada pela obra de Jessé e expande a "miscigenação" utópica de Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Hollanda para a promiscuidade entre o "deus" mercado e as periferias, sonhada por Sanches.

Por ironia, o filho de Sérgio, o cantor e compositor Chico Buarque, destoou do "culturalismo" de seu pai e aderiu ao progressismo ideológico, sendo crítico da ditadura militar e do golpismo político atual.

Sanches, durante anos, esculhambou Chico Buarque e fazia isso na mídia esquerdista, atingindo o ápice no episódio do Procure Saber, quando o "farofafeiro" recorreu até aos ídolos da Globo, Luan Santana e Thiaguinho, para contrapôr ao compositor.

Consta-se que Sanches recebia mesada do bilionário George Soros quando participava de conhecidas organizações "ativistas", como o Coletivo Fora do Eixo.

George Soros é capaz de patrocinar tanto o MBL quanto a APAFUNK, tanto a Agência Pública quanto o Jornalivre, periódico da "turma" de Kim Kataguiri, por sinal um contraponto "não-petista" ao não menos estranho Pablo Capilé.

E ver que as "mesadas" de Pedro Sanches e da cubana Yoani Sanchez tiveram a mesma fonte não deixa de ser curioso.

Soros, conhecido como o "domador das esquerdas", patrocina causas liberais. Ele, patrocinador de Fernando Henrique Cardoso ("mentor" ideológico da intelectualidade da qual Sanches faz parte), parecia ter tido simpatia com a possibilidade de Luciano Huck presidir o Brasil.

E aí entra também mais um "amigo" e outro Rômulo, o empresário-DJ da Furacão 2000, Rômulo Costa.

Ele criou uma armação, uma pegadinha que tomou as esquerdas desprevenidas, o "Cavalo de Troia" (não seria "Eguinha Pocotó de Troia") do "baile funk" supostamente solidário a Dilma Rousseff, naquele 17 de Abril de 2016, em Copacabana.

As esquerdas morderam a isca, achando que aquilo era a "solidariedade" do "funk" aos movimentos contra o impeachment de Dilma Rousseff.

Não foi. Foi uma ação de um inimigo interno que, com o barulho do "funk", fez abafar uma manifestação de protesto contra a derrubada da presidenta, que se iniciou na noite daquele dia.

Tanto que, como no caso do Cabo Anselmo em 1963-1964, houve desvio de foco: no caso, a "alegria do funk" se sobrepôs aos protestos contra a derrubada do governo Dilma.

Rômulo Costa possui boas relações com profissionais das Organizações Globo e elegeu ninguém menos que Luciano Huck como "embaixador do funk" no Brasil.

Embora esse posto de "embaixador" tivesse se encerrado oficialmente em 2010, Huck sempre divulgou o "funk" e até hoje luta pelo seu crescimento. E ainda toca "funk" para seus filhos ouvirem.

O dono da Furacão 2000, sendo evangélico, também tem boas relações com a Bancada da Bíblia, e, se relacionando também com políticos do PMDB carioca, deve ter ajudado aqueles que, "em nome de Deus e da Família", disseram "sim" ao impeachment que derrubou Dilma em várias etapas.

Voltando a Romulus Maia, até o "funk" aparece no cardápio de suas estranhezas.

Certa vez, Romulus recebeu, pessoalmente, a resposta de ninguém menos que Valesca Popozuda por solidariedade a um comentário que ele havia feito no Duplo Expresso.

Não se imagina que Valesca fosse "antenada" a ponto de aderir à um blogue emergente considerado de esquerda, se considerarmos também que a funqueira periodicamente vai, "numa boa", para o programa The Noite, de Danilo Gentili, para ser entrevistada.

O caso de Romulus Maia mostra o quanto as forças progressistas deveriam observar quem é realmente aliado ou não.

A figura do inimigo interno é praticamente desconhecida no Brasil. Poucos imaginam que aquela pessoa capaz de lhe pagar um chope possa lhe apunhalar pelas costas.

No caso do que se fez com o Espiritismo no Brasil, a coisa é ainda mais grave: traidores que se escondem sob o aparato da "filantropia", através de um modelo ultraconservador de "caridade" que nunca trouxe resultados satisfatórios para o nosso país.

Em muitos casos, são aqueles que dão tapinhas nas costas os primeiros a puxarem o tapete, na primeira oportunidade.

Um "médium" que conquistou as glórias planetárias vendendo a imagem de pretenso pacifista, assim que obteve o que queria, forjando voz melíflua ou oratórias encenadas, sentiu-se a vontade para tirar sua "máscara de ferro" e despejar comentários furiosos contra casais LGBT mais humanistas que ele.

Muitos acreditavam nele e lotavam plateias dos eventos em que ele estava, para ouvir suas oratórias cheias de entonações dramáticas. Ou de ligar a TV e ouvir algum comentário dele dado com muito pedantismo e com voz melíflua de palavras mansas, porém rebuscadas.

O Brasil tem muito o que aprender, afinal, os que mais querem puxar o tapete não estão distantes de nós.

Eles não estão todos necessariamente isolados em Washington, entrincheirados no Pentágono ou na Casa Branca.

Também não estão todos necessariamente acomodados nos escritórios da Rede Globo ou da Abril, ou da Folha, Band etc. E nem estão todos escondidos nos salões do Instituto Millenium.

Os que querem puxar o tapete, muitas vezes, estão dentro das forças progressistas, fingindo que concordam com tudo, fazendo elogios aparentemente entusiasmados, mas sem abraçar com sinceridade a causa de quem dizem elogiar.

Em muitos casos, mais digno é aquele conservador que discorda respeitosamente das esquerdas, pensando até de maneira equivocada ou atrasada, mas agindo com dignidade.

Estranho é aquele aliado que diz concordar com tudo e age de maneira estranha, ou o religioso farsante que se apoia em ilustrações floridas para suas pregações para os infelizes aceitarem calados o sofrimento.

Ou então aquele "aliado apaixonado" do esquerdismo, que no entanto age para contaminá-la com causas muito estranhas, como o "funk", a idolatria a Marcelo Bretas ou o falso feminismo das mulheres-objetos.

Infelizmente, o cenário está para a plutocracia se manter no poder, porque, para as forças progressistas voltarem, é necessário uma mobilização da mais extrema intensidade, em dimensões da campanha Diretas Já de 1983-1984.

É lamentável que não haja momento para isso, e as manifestações, quando existem, são pontuais, embora com repercussão significativa, vide Pedro Cardoso, Márcia Tiburi e a Paraíso do Tuiuti.

O cenário brasileiro tende a ser de reafirmação do conservadorismo ideológico.

Mas, pelo menos, é um momento das esquerdas desenvolverem autocrítica e repensarem até mesmo quem realmente lhes apoia ou quem quer puxar o tapete na hora H.

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