PROFESSORES SOFREM DOS DOIS LADOS EM GOIÁS E PARANÁ


A Educação viveu dois duros golpes no Brasil, nos últimos dias. A truculência policial e o vandalismo de uma minoria de estudantes marcaram, nos últimos dias, a dura situação que a classe dos professores vive no nosso país.

Em Curitiba, uma manifestação pacífica dos professores em greve, pedindo aumento salarial e melhores condições de trabalho, foi violentamente reprimida pelas forças policiais do governador do Paraná, Beto Richa, do PSDB. A manifestação terminou com cem feridos alguns ensanguentados, e vários detidos.

Um manifestante com um auto-falante chegou a ser estrangulado por um dos policiais e uma mulher, como se vê na foto acima, teve que correr para não ser agarrada por um dos policiais da tropa de choque.

O protesto repercutiu até mesmo na imprensa internacional, A truculência policial em Curitiba, aliás, é comparável à violência com que seus "colegas" nos EUA estão tendo ao matar negros suspeitos de delitos, alguns deles pequenos, numa clara demonstração de fúria racista naquele país. Mas que pode ser uma fúria contra as classes populares, tal qual o protesto em Curitiba.

O dado a cogitar na política de Curitiba é que Beto Richa é filho do falecido José Richa, que havia sido aliado de Jaime Lerner na capital paranaense. Os Richa, beneficiários da ditadura militar mas integrantes do "brando" MDB, eram de Londrina e se aliaram ao "progressista" Lerner (que era da ARENA e foi prefeito biônico de Curitiba) para se ascender no Estado.

Isso é um xeque à imagem "progressista" de Jaime Lerner, endeusado por medidas para o transporte coletivo que, mesmo impopulares (que vão da pintura padronizada dos ônibus à dupla função de motoristas-cobradores), são exaltadas por causa de seu status tecnocrático.

Como político, Lerner mostrou não ser muito diferente do que Beto Richa é hoje, pelo histórico de corrupção e de medidas contrárias ao interesse das classes populares, sobretudo no que diz a políticas salariais e à administração pública.


Em Valparaíso de Goiás, no último dia 24, a violência não partiu de policiais, mas de uma parcela de alunos sem qualquer consciência de cidadania. Só porque uma diretora considerada de conduta mais austera foi escolhida para conduzir uma escola pública, uma minoria de crianças resolveu reagir causando desordem e caos.

Foi gravado um vídeo que foi divulgado nas mídias sociais. Nele os alunos envolvidos no vandalismo correm de um lado a outro na escola, assustando quem estava por perto com gritos como "Quebra, quebra, quebra" e "Fora a diretora".

Isso assustou outros alunos e professores, e um verdadeiro atentado ao patrimônio público, com a destruição de carteiras e outros objetos como portas, mesas e janelas quebrados, foi feito, causando prejuízos à escola.

A escola tem histórico de confusões e os vândalos são conhecidos também por riscar carros de professores e furar pneus. Houve rumores de que alguns desses alunos estavam armados, fazendo com que a direção da escola recorresse à intervenção policial.

Apesar do escândalo do último dia 24, as aulas não foram suspensas e não houve punição aos infratores. Mas o caso chamou a atenção e foi divulgado na imprensa do Brasil, além da repercussão ocorrida na Internet.

De um lado e de outro, são episódios lamentáveis que mostram a crise social em que vivemos e a prepotência que algumas pessoas desprovidas de senso moral têm em nosso país. E, para piorar, os professores, que cuidam de ensinar e transmitir conhecimentos para as pessoas, acabam sempre prejudicados. Eles são agredidos diante de seu trabalho de preparar o futuro de nosso país.

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