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PASSEATAS DE DOMINGO CONTRA PEC DA BLINDAGEM: UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL?


Aparentemente, as passeatas contra a PEC da Blindagem deram certo, no que se refere ao objetivo de manifestar o repúdio popular contra esse projeto que pretende livrar parlamentares de investigação pela Justiça comum. Segundo dados da Universidade de São Paulo (USP), só a manifestação da Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, reuniu cerca de 42 mil pessoas, o mesmo da passeata do Sete de Setembro, no mesmo lugar, feita pelos bolsonaristas.

Os protestos, ocorridos em várias regiões do Brasil, também incluíram outras pautas, como a rejeição à anistia a Jair Bolsonaro e parceiros, e também reivindicações como o fim da escala 6x1 do trabalho e a taxação dos super-ricos. O movimento Frente do Povo Sem Medo realizou as manifestações.

Tudo isso sugere, à primeira vista, que o esquerdismo e os movimentos progressistas estão em ascensão, que o Brasil irá para o clube dos países desenvolvidos, desta vez como potência do Sul Global, tornando-se a nação mais próspera e poderosa do planeta. E muita gente está acreditando que esse sonho vai mesmo tornar-se realidade.

Será mesmo?

Nem se fala a respeito da presença de famosos, inclusive artistas de MPB, nos eventos, como a manifestação de Copacabana, no Rio de Janeiro, que contou com a presença de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Choco Buarque e Djavan, o que fez a extrema-direita tentar relativizar o sucesso desses eventos.

Fala-se de um conjunto de sonhos, que não são necessariamente dos pobres, apesar da burguesia ilustrada encampar algumas causas populares, se apropriando das mesmas. A ânsia de uma elite brasileira considerada “a mais legal do mundo” reflete essa ilusão, a obsessão em dominar o mundo, exercer influência global como se o Brasil fosse um modelo de sociedade, ao qual se atribui uma maturidade sociocultural que ainda nem se esboçou em tímido rascunho.

Com muito menos ingenuidade, as esquerdas acreditaram na burguesia nacional em 1964. Foram traídas por ela, que conspirava pelo golpe militar. A Passeata dos Cem Mil foi uma excelente manifestação de protesto contra a ditadura militar, mas quando se acreditava que a ditadura estava morrendo, veio o AI-5  a coisa piorou.

Hoje, com muito mais credulidade, acredita-se num pouco provável triunfo real das esquerdas. Lula se alia à burguesia, através da chamada "frente ampla", mantém juros altos, congela investimentos e no entanto quer ser querido entre as classes populares. E a ingenuidade dos lulistas em acharem que podem tudo e que desta vez será uma série de conquistas sem freio, chega a ser mais tola do que qualquer ingenuidade esquerdista de 1964-1968 que, pelo menos, era feita na boa-fé.

As passeatas até foram bem intencionadas, mas tudo o que poderá ocorrer de forma palpável e dar um freio para o bolsonarismo e para a abusiva PEC da Blindagem, além de estabelecer limites para a anistia aos que participaram tanto nas reuniões golpistas envolvendo Jair Bolsonaro quanto para quem participou da revolta do Oito de Janeiro, em 2023. Mas terá que haver mais protestos e ações concretas, se o Brasil quiser ter um rumo realmente mais progressista e além dos limites da burguesia ilustrada.

Ontem Lula foi participar da Assembleia Geral da ONU acreditando no seu triunfalismo, na "democracia de um homem só" e numa certa ingenuidade de achar que vai vencer por aparentar mais virtuoso politicamente. E as pessoas, acreditando no "final feliz" do conto de fadas, deve achar que 2026 será a mesma festa confusa de 2022. Não vai, porque a realidade é mais complicada.

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