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APOIO DO ROBERTO JUSTUS A BOLSONARO E A IMATURIDADE DOS GRANFINOS 'BORN IN THE 50'S'


O apoio declarado por Roberto Justus a Jair Bolsonaro - seguindo uma tendência do empresariado na qual incluiu até Luciano Huck, que acredita que o "mito" vai "se amadurecer" - mostra o quanto a chamada "Geração W" mostra o divórcio entre maturidade e cabelos grisalhos.

Sim, porque essa geração, nascida entre 1950 e 1974, não honra seus cabelos brancos, e, quando jovem, não aproveitou seu idealismo e só se dedicou à corrida frenética pelo dinheiro.

Só depois dos 45 anos quiseram correr contra o tempo, mas foi tarde demais. Sobretudo para a geração born in the 50's, ou "nascidos nos 1950".

Eu mesmo observei, há pouco mais de 10 anos, essa geração de empresários, médicos, economistas, advogados e outros profissionais liberais e executivos das quais faz parte Justus.

Chegando aos 50 anos, eles queriam impressionar com pedantismo cultural e belas (e mais jovens) esposas, sendo estas atrizes, ex-modelos e jornalistas de TV.

Nascidos entre 1950 e 1955, queriam dar a falsa impressão de que viveram a década de 1940 ou eram adultos na época em que foram crianças ou adolescentes.

Esse é um cacoete de todo empresário, executivo ou profissional liberal. Ao chegar aos 45 anos, começam a brincar de serem 20 anos mais velhos, só para impressionar os colegas mais veteranos.

Quem nasceu nos anos 1950 quer se apropriar, de maneira pedante e sem identificação natural, a referenciais dos anos 1930 e 1940 ou dos referenciais adultos de seu tempo de infância.

Daí o puxa-saquismo a nomes como Winston Churchill e Glenn Miller. Daí um certo pedantismo em relação ao jazz. Daí a falsa tietagem a Norman Mailer, Tennessee Williams, Arthur Miller.

Só que tanto pedantismo e tanta erudição, combinada com um uso compulsivo de paletós e sapatos de couro ou verniz, não lhes deu maturidade suficiente para lutarem por um Brasil melhor.

No fundo, eram cinquentões - hoje sessentões - que se comportavam como crianças se intrometendo em conversas de adultos.

Os "moleques" de 50, 55 anos queriam se intrometer na conversa dos "vividos" de 70, 80 anos, lá pelos idos de 2002 a 2005.

Esses homens, que nos anos 1950 só podiam ver, via televizinho, o Circo do Arrelia na TV Tupi, ao completarem meio-século de vida, tentaram nos enganar falando em bares e boates bossa-nova de Ipanema e do Leblon, como se já vivessem a boemia intelectual de 1958.

Resultado: o Brasil não ficou culturalmente melhor e os grisalhos se apagaram até no colunismo social, talvez até para alívio deles, pois, obcecados por Jacintho de Thormes, fugiam, como o diabo da cruz, das colunas sociais que cada vez estavam mais pop.

Quase todos eles hoje se enfurnaram fazendo palestras caras, se seguindo nos negócios ou fechados em festas de gala mais ortodoxas, sem um risco de dar de cara com um Seu Jorge ou um Fábio Assunção, "pós-modernos" demais para os grisalhões granfinos.

Afinal, a pretensa erudição deles não fez o Brasil voltar a ser bossanovista. E, além disso, a geração born in the 50's não criou condições sociais e psicológicas para o país ter, no âmbito da direita moderada, um novo Juscelino Kubitschek.

Essa geração, a parte mais "idosa" da Geração W (a geração que envelhece de maneira confusa e problemática), agora se contenta com o estranho mix de Cabo Anselmo, Jânio Quadros e Emílio Garrastazu Médici chamado Jair Bolsonaro.

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