Pular para o conteúdo principal

BOLSONARO DIZ SER CONTRA EROTIZAÇÃO DA CRIANÇA, MAS É O TCHAN TEM LETRA "BOLSONARISTA"


O "popular demais" se curvou em grande parte para o bolsonarismo, para desespero das esquerdas médias que hoje perderam o protagonismo.

A intelectualidade "bacana" fugiu de medo, depois de quebrar a vidraça da cultura brasileira e, no final, ver o Museu Nacional arder em chamas.

Hoje podemos questionar e debater o brega-popularesco, sem que intelectuais com visibilidade nas alturas nos acusem de "preconceituosos" e "higienistas".

E aqui temos um dado curioso, envolvendo o É O Tchan, grupo que a mídia venal tenta vender como pretensamente cult.

Jair Bolsonaro, entre suas ideias de campanha, disse condenar a erotização infantil.

Se bem que o candidato do PSL investe em outra baixaria para crianças, ensinar a fazer pose de atirador.

Aliás, pior: Bolsonaro ensinou seus filhos, quando pequenos, a darem tiro com armas de fogo de verdade.

Sem alongar demais, Jair Bolsonaro é blindado pela mesma mídia que apostou na bregalização do país, e essa realidade contundente era ignorada pelos setores das esquerdas.

Meu irmão Marcelo me avisou que o cantor José Augusto manifestou apoio a Bolsonaro. E pensar que teve blogueiro de esquerda querendo "guevarizar" o ídolo brega.



Creio que Waldick Soriano, se vivo estivesse, também apoiasse Bolsonaro.

Odair José seria um cavaleiro solitário, hoje apoiando Fernando Haddad. Ou talvez ao lado de um ou de outro brega-popularesco mais contido.

Os anos 1990 forjaram o "pobre de direita", alimentado por jogos eletrônicos violentos, pelos veículos policialescos da imprensa (como Notícias Populares) e TV (Aqui Agora) e pelo sensualismo frenético, o que criou um imaginário cheio de impulsos que corromperam a infância e adolescência.

Se hoje temos pretensas musas "sensualizando demais", como Mulher Melão, deve-se à mídia popularesca a construção desse imaginário.

Nos anos 90, já vi as chamadas "boas famílias" pondo suas filhinhas para rebolar o Tchan, imitando a Carla Perez.

Pior: vi até instituição "espírita", em evento dito "filantrópico" e dedicado às crianças, com um carro de som tocando É O Tchan, em Salvador, há cerca de 20 anos.

Isso para não dizer os programas de auditório, mostrando concursos de menininhas rebolando o Tchan. A mídia que promovia esse espetáculo lamentável é a mesma que hoje apoia o "mito".

Por isso não há contraste entre o "popular demais" e o bolsonarismo. Jair também possui uma simbologia do grotesco, do pitoresco, do sensacionalista e do vulgar.

Vamos então ao problema bolsonarista.

O "mito" diz que reprova a erotização das crianças.

Mas seu deputado federal, Alexandre Frota, tem um pano de fundo que une bolsonarismo e erotização.

Meu indesejado xará, ligado ao meu indesejado colega de aniversário, corre risco de ser preso por não dar pensão alimentícia ao filho.

Frota apoia a Escola Sem Partido mas narrou, às gargalhadas, um estupro num programa de entrevistas (o The Noite, com o amigo e colega de causa bolsonarista Danilo Gentili).

Um moralismo obtuso, diga-se de passagem.

Frota foi empresário das precursoras das mulheres-frutas do "funk". Em ato falho, Bia Abramo preferiu ficar solidária a uma das clientes do ex-ator do que do lado de enfermeiras que se sentiram ofendidas com a paródia hipersexualizada.

O caso do É O Tchan chama atenção. A postura machista do empresário Cal Adan, verdadeiro líder do grupo, e dos vocalistas Beto Jamaica e Compadre Washington, é bem notória.

As dançarinas prestam serviço a esse machismo recreativo, vergonhoso não por causa da sensualidade feminina, em si, mas porque aqui ela é trabalhada de maneira grotesca e depreciativa à imagem da mulher.

E temos um exemplo, que é a música "Segura o Tchan", espécie de "ode ao machismo", que tem letra tipicamente bolsonarista.

Na primeira estrofe, "Segura o Tchan" defende os valores da família, simbolizada pela figura da mãe que "pega na cabeça" da menina que "vai requebrar".

Na segunda estrofe, há uma menção ao estupro, que se firmou na agenda dos apoiadores de Bolsonaro depois da famosa discussão dele com a deputada petista Maria do Rosário.

A letra de "Segura o Tchan" foi cantada por pelo menos oito de cada dez pessoas que hoje apoiam o candidato do PSL. E não difere muito das narrativas de Alexandre Frota no The Noite.

Através desse sucesso, o É O Tchan puxou a hipersexualização, uma linhagem de "porno-pagodeiros" que culminou no vergonhoso New Hit, que chegou a ser preso por tentativa de estupro.

O É O Tchan também ofereceu o modus operandi do "funk carioca", através do "bastão" passado para o DJ Marlboro. E a dança da boquinha da garrafa foi lançada como uma suposta coreografia folclórica.

Reproduzimos a letra de "Segura o Tchan" na qual os valores conservadores da Família e a questão do estupro, valores contraditórios de um moralismo imoral, estavam incluídos em seus versos:

Segure o Tchan

É o Tchan (autoria de Bieco do Cavaco e Gilmar Samba)


Pau que nasce torto

Nunca se endireita

Menina que requebra

A mãe pega na cabeça



Pau que nasce torto

Nunca se endireita

Menina que requebra

A mãe pega na cabeça



Domingo ela não vai

Vai, vai

Domingo ela não vai não

Vai, vai, vai



Domingo ela não vai

Vai, vai

Domingo ela não vai não

Vai, vai, vai



Segure o tchan

Amarre o tchan

Segure o tchan tchan tchan

Tchan tchan



Tudo que é perfeito

A gente pega pelo braço

Joga ela no meio
Mete em cima

Mete em baixo



Tudo que é perfeito

A gente pega pelo braço

Joga ela no meio

Mete em cima

Mete em baixo



Depois de nove meses

Você vê o resultado

Depois de nove meses

Você vê o resultado



Segure o tchan

Amarre o tchan

Segure o tchan tchan tchan

Tchan tchan

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ESTUPRO COLETIVO DERRUBA MITO DA "LIBERDADE DO CORPO"

O vergonhoso caso do estupro coletivo desmascarou uma situação que a intelectualidade "bacana" sempre abafou com falso relativismo.

O mito da "liberdade do corpo" num país do combate ao assédio abusivo.

O terrível caso ocorreu num bairro popular, na região de Jacarepaguá.

33 homens afoitos cercando uma moça de 16 anos, dopando a menina, depois a estuprando sob o registro da câmera do celular e depois publicando na Internet.

Um episódio de pura truculência, mas condicionado pela ilusão de liberdade sexual que a intelectualidade "bacana", que apostava num Brasil brega, queria para as classes pobres.

Mesmo mulheres aparentemente ativistas, dentro dessa intelectualidade, davam dois pesos e duas medidas.

Elas reclamavam contra a imagem caricatural que as mulheres, de classe média, recebiam dos comerciais de TV.

Mas consentiam que a mesma imagem fosse impunemente abordada sob o rótulo do "popular".

Reclamavam quando a imagem da mulher de classe média…

GOVERNO TEMER E A REVOLTA DOS UMBIGOS

A "revolta dos umbigos" que surgiu nas mídias sociais achou que tinha o poder pleno nas mãos.

Lutaram para ter Michel Temer no lugar de Dilma Rousseff para realizar uma agenda mais conservadora para o Brasil.

Essa agenda é um misto do programa eleitoral derrotado de Aécio Neves em 2014 com as "pautas-bombas" do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Primeiro, os "revoltados" na Internet se escondiam nas mídias sociais, se limitavam a trolar assuntos culturais ou coisa próxima e fingiam serem progressistas.

Depois, deixaram a máscara cair e iniciaram uma campanha para derrubar Dilma Rousseff.

Conseguiram o que fizeram, pois faziam parte de uma "frente ampla" às avessas, que clamavam por retrocessos políticos sob a desculpa do "combate à corrupção".

Estavam junto dos empresários em geral e, em parte, os que controlam a grande mídia.

Foram animadores juvenis de uma campanha que ludibriou a sociedade inteira, que passou …

JAIR BOLSONARO E AS TRÊS ADESÕES DECLARADAS NA ÚLTIMA HORA

De repente, ficou normal ser bolsonarista, nesses dias em que o ex-capitão se torna presidente da República.

E isso quando eu, que nasci em Florianópolis, faço aniversário no mesmo dia do "mito", sou filho de militar e xará de Alexandre Frota, prefiro ficar na oposição ao governo Bolsonaro.

Nesse ano louco que se começa, há a marca de três adesões ao cenário bolsonarista declaradas em última hora.

Digo declaradas, porque talvez essas posturas tenham sido adotadas na campanha eleitoral. Mas aqui não cabe dizer quem aderiu ou não em última hora.

Vamos começar pelo lado mais óbvio, que é a do meu xará Alexandre Correa, empresário e marido da apresentadora Ana Hickmann, que fez postagens tipicamente bolsonaristas.

No seu perfil nas redes sociais, Correa fez uma advertência irônica às petistas Gleisi Hoffman, senadora paranaense, e Maria do Rosário, deputada gaúcha, por sinal grandes desafetas do "mito", sobretudo a segunda, que brigou com ele duas vezes e contra o qua…

O POPULISMO MARQUETEIRO DE JAIR BOLSONARO E COMPANHIA

Bem que eu desconfiei dessa campanha toda que empurrava a "cultura" brega-popularesca para o esquerdismo.

Sob a desculpa do "combate ao preconceito", forçava-se, nas esquerdas, a aceitação de formas preconceituosas de suposta expressão popular.

Uma retórica de "cultura das periferias", do mito da "pobreza linda", da utopia da "favela feliz", da "prostituição empoderada" e outras bizarrices.

Acreditou-se em tudo isso durante uma década inteira. A intelectualidade "bacana" não tinha contraponto para seu "livre debate" sobre a tal "provocatividade" da "cultura transbrasileira".

Os intelectuais "bacanas" estavam sozinhos. Os microfones abertos eram só para eles. Quem podia se contrapôr a seu discurso não tinha visibilidade, era barrado dos banquetes acadêmicos já nas primeiras inscrições para o mestrado.

Os intelectuais "bacanas", hoje, choram a vitória de Jair Bolsonar…

ITÁLIA NÃO DEIXOU CESARE BATTISTI SERVIR DE TROFÉU PARA DIREITA BRASILEIRA

O rebelde italiano e radical de esquerda, Cesare Battisti, foi preso no último sábado, dia 12 de janeiro de 2019, na Bolívia, depois de ser considerado foragido no Brasil, desde 14 de dezembro.

Ele residiu no Brasil clandestinamente durante anos. Era acusado de atos terroristas nos anos 1970 e de ter matado quatro pessoas.

Cesare Battisti era um dos "animais de caça" preferidos pela direita brasileira, que o acusava de ser "amigo" do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

O general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Nacional do governo Jair Bolsonaro, chegou a negociar a vinda de Battisti ao Brasil.

Provavelmente haveria exposição oficial à imprensa, talvez uma ligeira entrevista coletiva, cobertura na Globo News e artigos furiosos contra o "terrorismo de esquerda" etc.

Battisti seria servido como um "troféu" do bolsonarismo e recuperaria um pouco a baixa reputação que Jair e sua turma andam causando com sua série de confusões …

A GAFE MUNDIAL DE GUILHERME FIÚZA

Há praticamente dez anos morreu Bussunda, um dos mais talentosos humoristas do país.

Mas seu biógrafo, Guilherme Fiúza, passou a atrair as gargalhadas que antes eram dadas ao falecido membro do Casseta & Planeta.

Fiúza é membro-fundador do Instituto Millenium, junto com Pedro Bial, Rodrigo Constantino, Gustavo Franco e companhia.

Gustavo Franco, com sua pinta de falso nerd (a turma do "cervejão-ão-ão" iria adorar), é uma espécie de "padrinho" de Guilherme Fiúza.

O valente Fiúza foi namorado da socialite Narcisa Tamborindeguy, que foi mulher de um empresário do grupo Gerdau, Caco Gerdau Johannpeter.

Não por acaso, o grupo Gerdau patrocina o Instituto Millenium.

Guilherme Fiúza escreveu um texto na sua coluna da revista Época em que lançou uma tese debiloide.

A de que o New York Times é um jornal patrocinado pelo PT.

Nossa, que imaginação possuem os reaças da nossa mídia, que põem seus cérebros a serviço de seus umbigos!

Imagine, um jornal bastante conhecido nos…

COMO SOBREVIVER NO BRASIL GOVERNADO POR JAIR BOLSONARO?

Está bem, Michel Temer completou o mandato, rindo do "Fora Temer" que não conseguiu tirá-lo do poder, e Jair Bolsonaro tornou-se presidente da República.

Agora, temos que encarar a situação com cabeça fria. Foi perdendo a cabeça que a oposição fez com que a ditadura militar decretasse o AI-5, há 50 anos.

Bolsonaro pretende eliminar o que ele entende como "doutrinação ideológica" nas escolas, que devem retomar as antigas relações hierárquicas entre professor e aluno.

Ele divulgou o novo salário mínimo, abaixo da expectativa. Em vez de R$ 1.006, R$ 998.

Na véspera da posse, ele anunciou ainda que vai decretar leis facilitando o porte de arma do cidadão comum "sem antecedentes criminais".

Isso causará uma espécie de holocausto a varejo. O Partido dos Trabalhadores já encomendou estudos para comprovar o desastre da medida e impedir sua regulamentação (ou desregulamentação, melhor dizendo, porque será o caos).

Jair Bolsonaro ainda falou da "libertação&qu…

OS ANOS 90, A DÉCADA PERDIDA QUE NÃO TERMINOU, RECEBE REVIVAL

A década de 1990 foi, no Brasil, a década perdida, uma versão tardia da década de 1980 dos EUA, que virou paradigma para a década oitentista ser considerada lixo pela crítica especializada.

Foi uma década que misturava hedonismo, pragmatismo, catarse e imbecilização, e um período que forneceu as condições mentais que culminaram na vitória de Jair Bolsonaro, hoje presidente da República.

Afinal, Bolsonaro é um "filho dos anos 90", pois foi aí que ele começou sua vida política.

Os anos 90 foram tão estranhos, tão bizonhos que, no Brasil, não houve uma despedida da década, mesmo sendo também fim de século e fim de milênio.

Pelo contrário, as coisas se seguiram como se os anos 2000 fossem uma continuidade da década de 1990.

Ou seja, importantes efemérides mundiais eram ignoradas pela mídia brasileira. Não houve aviso prévio do fim, respectiva, despedida, ninguém fechou para balanço. A década de 1990 se seguiu no raiar de 2000.

E ela seguiu quase incólume no Brasil, radicalizada…

A IRONIA DO NOME DA BANDA INDONÉSIA ATINGIDA POR MAREMOTO

É muito triste e chocante ver o maremoto (tsunami) atingir tão de repente o palco onde uma banda se apresentava na ocasião, na Indonésia.

A banda Seventeen era uma das mais populares entre o público jovem daquele país asiático.

O vocalista, Riefian "Ifan" Fajarsyah, foi o único sobrevivente. Alguns músicos e membros da equipe técnica ainda estão desaparecidos.

O maremoto foi causado por uma erupção do vulcão Krakatoa, que causou um deslizamento que caiu no mar, causando as ondas gigantes.

Ifan anunciou o fim da banda, em mensagem publicada nas redes sociais. A tragédia comoveu o país.

Ficamos solidários com todos que foram atingidos direta ou indiretamente por essa tragédia. Embora eu nunca ouvi falar da banda, reconheço o quanto é triste essa ocorrência que abala e traumatiza muita gente, como um terrível pesadelo.

Agora, uma irônica curiosidade envolve o nome. Seventeen é "dezessete" em português, o conhecido número 17 que se tornou o número eleitoral de Jair Bo…

FIM DO VÍDEO SHOW E O FUTURO FIM DO "BV" DA REDE GLOBO

SOPHIA ABRAHÃO E JOAQUIM LOPES, NA FASE FINAL DO VÍDEO SHOW. AO LADO, ALEXANDRE FROTA NOS TEMPOS DE ROQUE SANTEIRO, QUANDO ELE ERA ATOR DA REDE GLOBO.

Num governo confuso como o de Jair Bolsonaro, que inclui até mesmo nepotismo com a nomeação do filho do vice Antônio Hamilton Mourão, escrevo uma postagem relacionada à Rede Globo.

Muito ocupado hoje com Brasil Temeroso 2, já em fase de finalização, vale uma citação ligeira sobre o "filho de Mourão".

O filho tem o mesmo nome do pai, Antônio Hamilton Mourão, mas entre esses dois sobrenomes, o pai é Martins e o filho, Rossell.

Rossell Mourão, aliás, é quase o mesmo sobrenome de um juiz carioca que inocentou um conhecido "médium espírita" - o que depois usou peruca e foi endeusado com a ajuda da mídia venal - que usurpou criminosamente a memória do escritor Humberto de Campos.

Como um Lula ao avesso, o "médium" teve ações negativas cheias de provas - como participação em fraudes de materialização - , mas foi b…