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O PARQUE DE DIVERSÕES E A ILUSÃO DO HEDONISMO DESENFREADO


Na infância do Brasil, a "boa" sociedade e a juventude woke que segue seu embalo querem parecer "tudo de bom", não aceitando críticas nem questionamentos. Essa fase narcisista de uma parcela influente da sociedade brasileira, que deixou para trás os malefícios do bolsonarismo e da pandemia, se manifesta pela profunda histeria que o país governado por Lula estimula e que cria uma cegueira cognitiva nas pessoas que vivem nesse clima de hedonismo desenfreado.

Consumismo, hedonismo, culto às marcas, à fama, ao sucesso, ao prazer sem controle. A liberdade de instintos que dispensa o freio da consciência. E quem vive isso acha que está certo em tudo, sobretudo os "isentões" da hora que são os negacionistas factuais, que só veem seu julgamento de valor, não dando sequer voz para a realidade, pois se acham "donos" dela.

Vemos o quanto o Brasil de Lula planeja reduzir o país a um grande parque de diversões. E eventos como o CarnaUOL mostram o quanto a Faria Lima investe pesado na diversão não pela celebração do verdadeiro prazer humano - aquele que não agride a dignidade humana e não sucumbe à idiotização - , mas pela servidão dos instintos impulsivos, que impelem as pessoas para o consumismo voraz e para a obsessão em ser incluído na marra nesses rituais de entretenimento sem serventia.

O investimento que se dá a eventos como este, ou como o Big Brother Brasil - lembremos que o CarnaUOL e o BBB são crias da mídia patronal - , ou como ídolos como o cantor de piseiro João Gomes, este marcado pelos verdadeiros negócios que articula com o pessoal da MPB, negócios no sentido empresarial do termo, mostra o quanto o entretenimento precisa ser idiotizado, para evitar a mobilização popular e, em contrapartida, garantir lucros exorbitantes aos barões do lazer no Brasil.

Sim, porque os empresários do entretenimento são os novos "super-ricos", mas são os "super-ricos do bem", cujas fortunas abusivas e seus lucros astronômicos - sobretudo através de festivais de música que cobram ingressos caros e vendem produtos e serviços sob esse mesmo custo - são toleradas por estarem associados a uma simbologia "positiva" e "alegre" que dispensa qualquer indignação.

Daí a atitude contraditória de tantos jovens que apreciam rock aceitar uma verdadeira intervenção dos yuppies da Faria Lima na cultura rock, através da 89 FM e da sua congênere carioca, a Rádio Cidade. A Faria Lima e seus pitboys que se dividem entre explorar o pop dançante noctívago e um pastiche de cultura rock para turista ver, faz com que a elite empresarial, no seu juízo de valor cultural, não vesse qualquer diferença entre um fã de Pearl Jam e outro dos Backstreet Boys. O que importa é somente o consumo.

O Brasil não está vivendo um período de humanismo de verdade. Apenas criou-se um espaço parcial para a cultura autêntica, manifesta de forma pontual, seja relembrando Belchior, Rita Lee e Elis Regina, seja valorizando filmes como Eu Ainda Estou Aqui, de Walter Salles Jr., e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho. Há espaço até para a indignação contra a ameaça de demolição do Teatro Procópio Ferrira, na Rua Augusta, em São Paulo.

Mas isso ocorre sem que uma profundidade na sua apreciação aconteça. Apenas são pequenos sopros de inteligência, que o público médio, no entanto, não consegue entender bem. Ainda se mistura o trigo da MPB com o joio do brega-popularesco, e é uma grande covardia comparar a contundência poética de Belchior com a canastrice festeira de João Gomes.

As pessoas apenas estão consumindo e o risco é de até a cultura de qualidade se rebaixar a uma mercadoria na qual as pessoas apreciam sem saber do que se trata. Vide a pintora mexicana Frida Kahlo, tão idolatrada mas sem que seus fãs brasileiros saibam que obra ela havia feito. 

E, para quem acha "Lua de Cristal", sucesso da Xuxa, uma "canção de protesto", a letra de "Como Nossos Pais", na verdade uma dura crítica aos fracassos da Contracultura no Brasil da ditadura militar, soa de difícil compreensão. E olha que Belchior criticava uma geração que, comparada com a geração Z, era mais conscientizada. O que puxão de orelha o saudoso artista cearense daria na juventude woke dos últimos anos...

Enquanto isso, as pessoas se aventuram no consumismo compulsivo, no hedonismo desenfreado, numa ilusão de um falso paraíso que se tornou o Brasil, onde na prática as pessoas se reduziram a coisas que viram animais, a um gado festeiro a seguir o sucesso do momento, a animais coisificados que endeusam logomarcas, consomem o produto da moda, sem saber o sabor de cada alimento, sem verificar a qualidade de uma música.

O Brasil de Lula cria esta histeria, com o petista se ostentando para o mundo e se promovendo como um popstar da política, enquanto confunde desenvolvimento social com economicismo, garantindo mais consumo e apenas um pouquinho de cidadania básica.

Esse Brasil feito um parque de diversões já teve amostras que terminaram em tragédia. Rio de Janeiro e Salvador se tornaram cidades violentas, depois de um bom período como parques de diversões. O risco é desse clima dar lugar a um pesadelo social sem precedentes, que já atinge duas cidades que já foram capitais do nosso país.

Daí que temos que pensar a cultura e a sociedade com muita cautela. Nem tudo é festa, nem tudo é consumo. Logomarcas imponentes já fabricam produtos ruins, sem que as pessoas saibam. As pessoas cheias de dinheiro estão prejudicando o povo em geral consumindo e comprando demais, pressionando os aumentos dos preços. 

A imbecilização cultural conduzida por subcelebridades e ídolos musicais popularescos não é a melhor forma de promover o progresso do Brasil. A situação de hoje está tão delicada e frágil quanto a de dez anos atrás, quando ocorreu o golpe contra Dilma Rousseff. A diferença está na fachada de brilhantismo e prosperidade que esconde um cenário de devastação cultural. 

O momento agora é deixar de lado essa ilusão de hedonismo desenfreado e discutir e repensar o país. Sem os funqueiros, piseiros e similares a tratar nossos ouvidos como vasos sanitários.

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