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DEBATE DA BAND MAIS PARECIA REALITY SHOW


Confesso que não vi o debate dos presidenciáveis da TV Bandeirantes.

Primeiro, porque estou estudando para um concurso público e estava ouvindo vídeo-aulas.

Segundo, porque, no fim da noite, eu tinha coisas para fazer e, depois, fui dormir.

Pode parecer algo politicamente incorreto para um jornalista, é verdade.

Se bem que meu senso de observação já antecipa uma avaliação do debate, mesmo sem vê-lo, devido à natureza previamente conhecida dos candidatos.

Essa avaliação me permite concluir que os debates mais pareciam reality shows do que realmente debates.

Posso concluir assim percebendo os fatos políticos dos últimos dois anos, quando o golpe jurídico, parlamentar e midiático se instalou no Brasil.

Com a exclusão do mais destacado presidenciável, o ex-presidente Lula, preso e impedido de participar de debates, e o impedimento estendido ao seu suplente, Fernando Haddad, pode-se afirmar que o debate se tornou menos competitivo.

São candidatos considerados mornos ou medíocres, e neste último grupo se inclui o "favorito" Jair Bolsonaro, que se destaca mais pelo aspecto pitoresco, como um remix amalucado de Jânio Quadros com a ditadura militar.

Ainda teve um clone de Bolsonaro, o Cabo Daciolo, com mais ênfase no lado evangélico (leia-se de tendência pentecostal).

Mesmo que eu parasse para ver o debate, a julgar pelo caráter morno dos demais candidatos, como Marina Silva, Ciro Gomes, Henrique Meirelles e o "picolé de chuchu" Geraldo Alckmin, ele teria sido menos competitivo, mais parecendo um reality show de políticos.

A ausência de Lula - não vou comentar, aqui, a ausência, à direita, do empresário João Amoedo, do mofado Partido Novo - , certamente, tirou a graça do debate.

Conhecido por sua habilidade discursiva e na capacidade de transmitir ideias, Lula seria até melhor do que foi naquele debate com Fernando Collor na Rede Globo, em 1989, que se celebrizou pela manipulação editorial da emissora.

Esse debate eu vi, nos meus 18 anos de idade, e Lula foi mais consistente na exposição de ideias. Collor mais parecia um canastrão. Mas a Globo tentou inverter as coisas e se deu mal.

E Collor, com sua vitória de Pirro, inaugurou os anos 90, que no Brasil se tornou a década perdida.

Lula é o primeiro que tem programa de governo pronto para 2019.

Vai revogar as reformas retrógradas do governo Michel Temer, implantar novos programas de inclusão social e estudar meios de limitar as ações e os privilégios do Judiciário e da grande mídia.

Ele seria o único a lançar ideias arrojadas e estimular um debate mais substancial pelos demais concorrentes.

Eles, medrosos em enfrentar Lula, se sentiram à vontade na sua mediocridade política, apenas lançando ideias medianas ou trocando farpas, como no caso de Boulos e Bolsonaro.

Boulos, o melhor dos candidatos, ao menos questionou por que Bolsonaro tem mais imóveis sob sua propriedade e a de seus filhos, e perguntou sobre uma funcionária fantasma de nome Val.

Ao menos, deu para perceber que a "grandeza" com que Bolsonaro se apresenta nas redes sociais se desfaz em pó, diante de sua insegurança e do vazio de suas ideias.

Extremamente desastroso e ameaçador, Bolsonaro havia proposto um projeto educacional pedagógico, no qual se prevê a extinção da escola pública e do ensino presencial, impedindo a necessária e fundamental convivência social entre os alunos.

É justamente o enclausuramento nas redes sociais que fez os bolsonaristas se tornarem violentos e fascistas. Um deles brigou, agrediu, esfolou e ainda jogou a mulher do quarto andar de um prédio, em incidente que virou notícia em todo o Brasil.

O que se pode concluir também é que esses debates, diante da ausência de Lula e do impedimento de Fernando Haddad - que realizaram um debate paralelo, se não de candidaturas, mas ao menos de problemas a serem resolvidos no Brasil - , tendem a ser meros simulacros.

Desde o golpe político de 2016, o que se viu foi apenas um simulacro formal de democracia, enquanto práticas abusivas aqui e ali eram feitas.

Se ao menos o golpe político de 2016 não for às últimas consequências com Bolsonaro ingressando no segundo turno, será menos mal.

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