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CASO HUMBERTO DE CAMPOS DERRUBA MITO DE POBREZA DE MITO RELIGIOSO


Fala-se muito dos crimes de João de Deus, um "médium" charlatão de Goiás condenado por vários crimes, a ponto dele ser apelidado, jocosamente, de "João sem Deus". Mas esquecemos de um padrinho dele, um outro charlatão que a ditadura militar, em associação com a mídia empresarial solidária, promoveu como "símbolo de humildade e amor ao próximo".

Promovido a um pretenso profeta e adivinho e, ultimamente, a um dublê de dramaturgo por conta de novelas e filmes "espíritas" que estão em reprise, exibição ou mesmo pré-produção, o "médium da peruca" foi um "João de Deus" em seu tempo, nem tanto pelo tipo de crimes cometidos, mas por outros aspectos igualmente sombrios que requerem o mesmo repúdio, em vez das passagens de pano que o ídolo da fé medieval recebe até de quem se diz cético e "não necessariamente seu seguidor".

Esse "médium", já desmascarado aqui pela estranha doação de terrenos, o que derruba qualquer reputação de "símbolo da pobreza", e pelas "cartinhas mediúnicas", usadas como cortina de fumaça para abafar a crise da ditadura militar e tentar salvar esse regime autoritário, ainda é adorado e, mesmo com denúncias se multiplicando na Internet, ele ainda é blindado pela mídia patronal, principalmente Rede Globo e Folha de São Paulo, os dois pilares do culturalismo conservador brasileiro.

Um outro episódio que derruba qualquer condição de pobreza do festejado religioso - do qual não dissemos claramente seu nome, apenas pela forma "criptografada" (as iniciais são as consoantes da palavra "caixa"), porque o "médium" é uma figura que traz azar - é um processo judicial que os herdeiros do escritor e crítico literário Humberto de Campos, membro da Academia Brasileira de Letras, moveram contra o religioso e a federação da qual ele esteve associado em toda sua vida.

O episódio foi em 1944 e movimentou os bastidores da literatura brasileira. Afinal, a partir do oportunismo de uma antologia poética pretensamente atribuída a autores mortos - que supostamente teriam "enviado" novas obras através de um jovem funcionário público de Minas Gerais - , o "médium" se revelou um preocupante fenômeno de vendas, dado o caráter sensacionalista dos livros "mediúnicos" produzidos a partir dessa coletânea de poemas e crônicas.

Esse livro de 1932, intitulado de "parnaso" numa época em que o Parnasianismo deixou de ser moda, era estranho pela falta de diferenças de estilos entre os autores alegados, enquanto havia fortes estilos de semelhanças de estilos, pela combinada participação do "médium" com três dirigentes "espíritas" considerados especializados em literatura e atuavam como consultores literários da "Federação Espírita Brasileira".

Suspeita-se que a usurpação do nome de Humberto de Campos teria sido uma revanche contra um artigo literário comentando o livro do "parnaso". Quando era vivo, Humberto, em um artigo de duas partes entre julho e agosto de 1932, desaconselhou o "médium" a seguir com tais obras para não comprometer o ganha-pão dos escritores vivos.

Humberto morreu em 1934, com 48 anos. Foi a deixa para o "movimento espírita" se vingar de um "imortal" da Academia Brasileira de Letras. Também se suspeita serem um clube de literatos frustrados, incapazes de obter um assento na ABL. Fotos antigas do acervo da FEB mostram os dirigentes "espíritas" posando juntos de maneira semelhante ao que membros da ABL ou de movimentos literários brasileiros faziam em retratos registrados na época, as primeiras décadas do Século 20.

Mas o "médium da peruca" - que obviamente não usava peruca nem boné na época - usurpou o nome de Humberto e teve um hiato de três anos entre o livro do "parnaso" - cujo caráter fraudulento pode ser notado quando o livro sofreu grandes alterações editoriais por seis vezes em um intervalo de 23 anos, com mudanças de versos e inclusões ou exclusões de obras - e a produtividade "ininterrupta" do "médium" por quase 70 anos.

O hiato era para "pesquisar" a obra de Humberto, pouco antes do óbito deste escritor maranhense, e tentar imitá-lo, ainda que de forma bastante grosseira e farsante. É gritante a diferença entre as obras originais de Humberto, mesmo quando ele usava pseudônimos como "Conselheiro XX", com a obra "mediúnica" que carregou seu nome. Vejamos os aspectos principais:

1) O estilo de Humberto era neoparnasiano, no que se refere à forma de sua prosa, mas era quase modernista na abordagem temática e na linguagem informal e acessível. A obra era fluente e a linguagem, ao mesmo tempo culta, era de fácil leitura. Já a obra "mediúnica" mostra uma linguagem mais "pesada", prolixa, de leitura cansativa e até com eventuais cacófatos, como "chama Maria" e "que cada" ("mamária" e "quicada", respectivamente);

2) A narrativa original de Humberto de Campos não só era fluente como era descontraída, dinâmica e movimentada e com diversidade de temas que iam do terror à sátira política. Já a narrativa "mediúnica" sob seu nome é deprimente, parecendo ser escrita por algum ressentido, e seus temas eram sempre voltados à pregação religiosa e ao moralismo ultraconservador. Por mais que a obra "apresente" um hipotético Humberto "viajando" para Marte ou "entrevistando" uma suposta Marilyn Monroe presa (?!) em seu túmulo, o caráter monotemático continuava.

O episódio gerou um processo judicial que virou notícia em 1944. A Revista da Semana, disponível na página da Biblioteca Nacional, fez grande cobertura. Nenhum escritor atestou a autenticidade da obra "mediúnica", apenas alguns, como Monteiro Lobato e Apparicio Torelly, o Barão de Itararé, preferiram ficar em dúvida, evitando classificar taxativamente a "psicografia" como farsante.

Outros, porém, definiam a obra como farsa, como os escritores Malba Tahan e Osório Borba. O processo foi movido pela viúva de Humberto, Ana de Campos Veras, a "Dona Paquita", com dois de seus filhos, Henrique e Humberto Filho. A petição do processo, no entanto, era hesitante e pouco habilidosa, o que impediu a vitória judicial dos herdeiros do escritor nascido em Muritiba, cidade do Maranhão que depois ganhou o nome do falecido autor.

Dizia a petição para que a Justiça "averiguasse" se a obra "mediúnica" seria autêntica ou não. Se fosse, os herdeiros teriam a participação financeira na arrecadação dos direitos autorais. Se caso não fosse, "médium" e FEB teriam que indenizar os herdeiros por apropriação indébita da obra.

O resultado não podia ser outro. Um juiz suplente, com o talento de um Sérgio Moro para argumentar tendenciosamente, chamado João Frederico Mourão Russell, declarou a ação judicial "improcedente" e ainda cobrou custos advocatícios à viúva de Humberto, que teria que pagar o ônus da derrota judicial.

Enquanto isso, o "médium" foi defendido por um advogado habilidoso e poderoso, também dirigente da FEB. O "médium" e o presidente da entidade, Wantuil de Freitas, fizeram a quatro mãos uma hipotética "mensagem espiritual" atribuída a Humberto de Campos, com apelos estranhos como pedir o desprezo à identidade autoral de certas obras literárias. É fácil identificar trechos de autoria do "médium" e de autoria de Wantuil na mensagem que forçou a Justiça a dar impunidade ao charlatão de Pedro Leopoldo.

A única condição que foi feita para o "médium" foi a escolha de um pseudônimo para evitar que, fora da bolha "espírita", se difundisse o nome de Humberto, "reconhecido" apenas dentro do movimento religioso. O pseudônimo usado foi "Irmão X".

A família de Humberto continuou recorrendo da sentença. Ana de Campos faleceu em 1951. Em 1957, o "médium" armou uma emboscada para dar fim a essa batalha judicial, forjando um evento "espírita" em Uberaba marcado por doutrinárias e filantropia, atraindo o jovem Humberto de Campos Filho, que atuava como produtor de TV - há uma foto da Internet dele com Hebe Camargo - para um tipo de assédio conhecido como "bombardeio de amor".

O "bombardeio de amor", do inglês love bombing, é, segundo especialistas, uma perigosa tática de dominação de uma pessoa. Essa armadilha psicológica consiste em dominar a vítima manifestando falsos apelos de afetividade e beleza, procurando envolvê-la emocionalmente para depois submetê-la aos abusos do dominador.

No caso de Humberto de Campos Filho, o "médium", além de apresentar as ações assistencialistas de sua casa "espírita", muito conhecida em Uberaba, tentou forçar a comoção, quando, no fim de uma palestra doutrinária, foi abraçar o filho do escritor sussurrando com um estranho falsete, que desnorteou emocionalmente o rapaz que, antes cético, passou a ser um devoto submisso do religioso.

O "médium" passou a ser "dono" de Humberto de Campos, cuja obra original "desapareceu" do mercado literário para evitar comparações, principalmente depois da ditadura militar que blindou o religioso de Pedro Leopoldo e Uberaba.

Só para sentir o caráter leviano desse uso, o "bondoso médium", ao lançar o livro Cartas e Crônicas em 1966, apelou para um juízo de valor sem fundamento e bastante perverso para alguém que muitos juram ser símbolo de "paz e amor": acusou a população humilde, que foi assistir a um espetáculo num circo de Niterói e foi vitimada por um incêndio criminoso, de ter sido, em hipotética encarnação antiga, uma multidão de aristocratas sanguinários da Gália (parte do Império Romano correspondente à atual França) no Século 2.

Para se livrar da acusação, o "médium" usou o nome de "Irmão X", botando na conta de Humberto, falecido 32 anos antes, a culpa de tamanho juízo. Em semelhante caso, em 2009, um "médium" de São José do Rio Preto fez o mesmo julgamento contra as vítimas de um acidente aéreo da TAM, que matou 99 pessoas em 2007, e, usando o nome de Alberto Santos Dumont em pretensa "psicografia", foi condenado por danos morais por familiares das vítimas.

O "médium" que muita gente ainda insiste em continuar adorando, pela impunidade que recebeu, derrubou mais uma vez seu mito de pobreza. Afinal, em 1944, que pessoa pobre receberia um grande apoio advocatício? A blindagem que o "médium", que ainda vivia em Pedro Leopoldo mas já atuava em Uberaba, sendo desde então um protegido do coronelismo latifundiário do Triângulo Mineiro, já desfaz a imagem de humildade que, mesmo sendo uma grande mentira, ainda é vista como "verdade absoluta" pelos seus teimosos seguidores, mesmo os menos sectários. Infelizmente.

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