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LULA 2018: A QUEDA DE BRAÇO COMEÇOU NA BAHIA


Na prática, a campanha do ex-presidente Lula para voltar à Presidência da República começou ontem.

Ele começou uma excursão pelo Nordeste, mas escolheu Salvador, na Bahia, onde há um grande número de adeptos.

Atualmente, Pernambuco, Estado natal do petista, tornou-se um dos maiores redutos nordestinos de oposição a ele.

É certo que há muitos petistas em Pernambuco, e Lula, por razões óbvias, inclui o Estado em sua turnê política.

Lula iniciou uma grande queda de braço com seus oposicionistas e, oficialmente, começou a briga ontem para valer.

Seu primeiro enfrentamento foi o cancelamento, sob ordem de uma liminar, de uma homenagem a Lula, um título de honoris causa que seria dado pelo reitor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), Sílvio Luiz de Oliveira Soglia.

Ele é o segundo reitor a decidir homenagear Lula no Brasil, nos últimos meses.

Outro reitor, o da Universidade do Estado de Alagoas (UNEAL), Jairo José Campos da Costa, chegou a receber ameaças de morte se entregar o título de honoris causa ao ex-presidente.

No caso da UFRB, Lula, até o momento de edição deste texto, disse que vai para Cruz das Almas, onde fica a instituição, mesmo que haja proibição da homenagem.

A proibição foi movida pela liminar movida pelo vereador Alexandre Aleluia, filho do político baiano José Carlos Aleluia.

Ambos, pai e filho, são do DEM, de ACM Neto, prefeito de Salvador, e Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados.

A liminar prevê até mesmo o uso da força policial para reprimir a cerimônia. A coisa está série: o golpe político existe, mesmo.

O Procurador de Justiça da Bahia, Rômulo Andrade Moreira, colunista do portal Justificando, foi professor de Alexandre Aleluia e contestou a sua atitude.

"Pergunte a ele se na faculdade ele não aprendeu o que é princípio da inocência? Ele foi meu aluno na Unifacs. Eu ensinei isso a ele. Lula não foi definitivamente condenado, Lula já foi homenageado por várias universidades no mundo", disse o jurista.

Outro jurista, Felipe Freitas, também colunista do Justificando e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), também na Bahia, também questionou a decisão de Aleluia.

"Ela viola o princípio da autonomia universitária; desrespeita a noção de causa interna corporis e interfere na liberdade de cátedra dos conselheiros", afirmou ele, mandando um alerta:

"O precedente é perigoso e nos remete a lamentáveis momentos históricos nos quais pesquisadores, professores e cientistas não gozam de qualquer espaço de auto organização e livre pensamento".

O segundo enfrentamento de Lula foi quando ele iniciou sua caravana em Salvador, em direção à Arena Fonte Nova.

Manifestantes pró-Bolsonaro, ligados ao Movimento Brasil Livre e Vem Pra Rua, exibiam faixas pedindo intervenção militar e faziam provocações aos apoiadores de Lula.

A polícia militar deteve os "bolsomitos", que eram cinco. Um deles, que se dizia ser policial, estava armado e tentou sacar uma pistola, atirando para o alto.

Ironicamente, Jair Bolsonaro havia sido atacado por uma "ovada" quando estava em Ribeirão Preto, um ato inspirado nos protestos contra o prefeito paulistano João Dória Jr. em Salvador.

Os manifestantes anti-Lula, na capital baiana, eram um total de 30 e contavam com o boneco inflável com a caricatura de Lula vestido de presidiário, apelidado por eles de Pixuleco.

Os apoiadores de Lula, vendo os opositores dissolvidos, pegaram o Pixuleco e o destruíram. Alguns petistas furaram o boneco com mordidas.

Lula, pessoalmente, desmentiu que a caravana fosse uma campanha antecipada para a candidatura à Presidência da República, em 2018.

"Eu estou fazendo a caravana para reencontrar o Brasil e conversar com o povo, o que faço desde que comecei na política. Eu sempre fiz política conversando com as pessoas, olhando nos olhos, conhecendo a realidade de cada região, buscando soluções para os problemas das pessoas e das comunidades", disse Lula.

Realista, o ex-presidente não sabe se será candidato em 2018, até por saber que sofre violenta oposição, principalmente do juiz Sérgio Moro e da grande mídia.

Mas, evidentemente, a própria repercussão da caravana e a reação dos admiradores de Lula indica a possibilidade do evento se tornar uma campanha por antecipação.

Não será um processo fácil, até porque vários prefeitos de cidades nordestinas demonstraram que não aceitarão a chegada da caravana de Lula.

A coisa vai ferver, com pressão nos dois lados, a dos apoiadores e a dos opositores do ex-presidente.

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