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RIO DE JANEIRO E SUA DEFESA APAIXONADA DE CAUSAS FURADAS

MORSAS MORRENDO DEPOIS DE ROLAREM PELO ABISMO NO ALASKA - Metáfora para o efeito manada que está estragando com o Rio de Janeiro e com o Brasil.

O Rio de Janeiro é, em boa parte, culpado pelo golpe político de 2016, que resultou nessa crise que culminou com o protesto dos caminhoneiros.

Isso parece indelicado, preconceituoso, precipitado. Mas não é.

Embora existam reacionários e valentões em todo o Brasil, a maioria dos manifestos de reacionarismo e valentonismo (bullying) vem justamente do Rio de Janeiro.

O Rio de Janeiro sofreu retrocessos de toda ordem nos anos 1990, mas uma década depois esses retrocessos passaram a, estranhamente, ganhar adeptos fanáticos.

Em São Paulo também ocorreu isso, mas não da forma sistemática que o RJ, onde os valentões chegam a ter um processo gradual de humilhação do outro das redes sociais às ruas.

Para defender causas furadas - que vão de rádios pseudo-roqueiras à intervenção militar, da pintura padronizada dos ônibus à coisificação da mulher pelas "mulheres-frutas" - , os valentões contam com um suporte bastante organizado.

Identificando um questionador, realizam um plano quase sempre sob um mesmo roteiro.

Primeiro, rastreiam qualquer espaço para mensagens relacionado ao contestador: pode ser página de recados nas redes sociais, fórum na Internet ou petições digitais.

Identificando esse espaço, combinam com internautas que o acompanham em certas comunidades para realizar um ataque em massa.

Há um "efeito manada" e pessoas que não costumam humilhar os outros participam da roubada, acreditando no "senso de humor divertido" do valentão.

Num primeiro momento, ironizam o objeto de contestação da vítima, criando comentários bastante jocosos, piadinhas irônicas, como se o espaço de mensagens respectivo (recados, fórum etc) fosse uma sala de bate-papo privativa dos agressores.

Quando o internauta vítima do ataque manifesta seu incômodo, os comentários irônicos se transformam em ameaças de toda espécie. Até de morte.

Quando o internauta cancela seu perfil ou sai de um fórum etc, o líder dos ataques parte para outra estratégia, o blogue de ofensas e difamação, em que o material da vítima é reproduzido para fins de calúnia e assassinato de reputação.

O agressor que organiza esse blogue, sabendo a cidade onde a vítima mora, ainda faz umas "visitas" de intimidação, como se a ameaça pudesse se estender pelo contato físico.

Apesar da agressividade sem controles, o agressor também comete imprudências.

Recentemente, foi divulgado que um busólogo tomado de muita intolerância e excesso de valentia estava sendo observado por milicianos em Niterói.

Não é papo furado. Milicianos envolvidos com a "máfia das vans" fazem ponto nas proximidades do Terminal João Goulart, nos estacionamentos próximos ao antigo Caffefour. Eles têm como "olheiros" ambulantes que circulam pelo terminal ou gente que fica defronte ao Restaurante Popular.

O busólogo, metido a ser "senhor de seu destino", já brigou com vários outros busólogos, embora usasse outros como trampolim para sua ascensão social, atropelando os outros.

O motivo que o fez surtar de forma psicótica foi a necessidade de forçar o apoio à pintura padronizada nos ônibus, medida impopular e nefasta que Eduardo Paes impôs à população carioca e Fernando MacDowell não viveu para reverter.

O busólogo valentão ofendia outros busólogos emergentes, embora bancasse o "bonzinho" com busólogos de maior status (mas que o valentão iria trair, assim que conseguisse o que queria).

O blogue de ofensas (já denunciado criminalmente) ele fazia usando apenas busólogos emergentes, mas um outro busólogo carioca me avisou que o nome "Comentários Críticos", na verdade, fazia trocadilho maldoso com "Ônibus em Debate", sem mencionar a palavra "ônibus".

O valentão estava fazendo uma escalinha de vítimas até chegar aos mais prestigiados, que no começo ele daria seu beijo de traidor.

O valentão está ferrado em todos os aspectos. Com nome sujo na Justiça por um blogue de ofensas, e visado por milicianos que o confundiam com um chefe rival, tamanha a aparição-ostentação que o valentão queria fazer nas áreas dos desafetos.

Mas a própria pintura padronizada foi uma causa furada, que era defendida visando o prestígio de um grupo político às custas da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas Rio 2016.

Só que, hoje, esse grupo político (o PMDB carioca de Sérgio Cabral Filho) sofre um inferno astral, os eventos esportivos geraram prejuízo e corrupção, e a pintura padronizada revelou um pesadelo sobre rodas que parece não ter fim.

MacDowell prometeu reverter a pintura padronizada, devolvendo as identidades visuais das empresas para garantir transparência no serviço de ônibus, mas não viveu para realizar isso, e ainda saiu da Secretaria Municipal de Transportes.

E aí, vemos uma tragédia sem fim: empresas se extinguindo, trocando de linhas, mudando de nome, sem que a população saiba do que se trata. E temos uma Real Auto Ônibus sucateada jogando seus lixos não só nas suas linhas, mas nas linhas dos outros, como 415, 455 e 472.

No combo do esconde-esconde da pintura padronizada, também veio a dupla função do motorista que cobra passagens e o fim das ligações diretas da Zona Norte e Zona Sul.

Os cariocas, bovinos, poderiam ao menos protestarem circulando pelo Centro do Rio com trajes de praia, tomando banho no chafariz da Candelária. Mas nem isso.

Da mesma forma, os músicos de rock cariocas também não mandaram CDs-demo para os jornalistas da Band News, quando esta tirou do ar a Fluminense FM, em 2005. Preferiram navegar em outros barco furado patrulhado por valentões, a pseudo-roqueira Rádio Cidade.

Para protestar por boas causas, os cariocas não mexem um dedo. Se resignam com retrocessos, achando que eles darão origem a coisas melhores. Ingenuidade ou masoquismo?

Mas embarcar em canoas furadas, causas que se demonstram decadentes, os cariocas mais parecem como o triste fenômeno das morsas do Alasca, nos EUA.

Frequentemente, vimos grupos de morsas rolando pelas colinas achando tudo o maior barato.

Mas elas despencam do abismo e morrem ao cair no chão.

No próprio radialismo rock, defendeu-se tanto uma baboseira como a pseudo-roqueira Rádio Cidade que hoje a cultura rock se enfraqueceu.

Ela se enfraqueceu tanto que, no desespero, em 2014, até os órfãos da Fluminense FM queriam evitar falar mal da emissora canastrona, em nome do "fortalecimento do mercado roqueiro".

Foi uma causa furada, no qual um cenário cultural antes vivo e atuante se sucumbiu a bandas "engraçadinhas" ou "coxinhas" dos anos 1990 ou bandas de reality show dos anos 2000-2010.

Ver o cenário roqueiro, que um dia nos deu Cazuza, sucumbir aos Ostheobaldos e Scalenes da vida foi humilhante. Ainda mais com a Cidade acolhendo o mineiro Tianastácia, que pelo apoio ao Aécio Neves ganhou o apelido de "Tianastasia", alusão a outro tucano mineiro, Antônio Anastasia.

Outras causas furadas blindadas pelas "morsas" cariocas a rolar pelo despenhadeiro: mulheres-frutas, monopólio dos bares nas paqueras amorosas, e o moralismo político antes simbolizado por Eduardo Cunha.

Ou a gíria "balada", que nem é carioca, mas paulista - jargão de jovens riquinhos patenteado por Luciano Huck e Tutinha, da Jovem Pan, sob o patrocínio da Globo - , e virou o símbolo da "novilíngua" de um "ideal de vida" que depois revelou "coxinhas" e bolsonaristas.

Há outras causas furadas. Sobretudo quando cariocas votam mal e põem no Congresso Nacional parlamentares que depois provocam o golpe político e deixam o Brasil à deriva.

Cariocas chutam o pau da barraca e fazem o "edifício" Brasil se desabar.

Até no caso das mulheres-frutas, que o patrulhamento das redes sociais empurrava para qualquer um aceitar, a ponto de humilharem quem confessasse detestar essas mulheres-objetos, causou sérios desastres a ponto da onda dessas siliconadas estar se desmontando aos poucos.

O espetáculo das "boazudas" abriu caminho para estupradores, masturbadores a céu aberto e homofóbicos (as "boazudas" tentavam um vínculo "solidário" à causa LGBT).

E aí isso causou constrangimentos e até mortes, com crimes ocorrendo constantemente, senão tirando vidas, mas ao menos causando sérias humilhações e inseguranças.

Isso é fato. A culpa não é minha, mas de um punhado de valentões das redes sociais pelos quais o "efeito manada" (ou o "efeito morsa do Alasca") adere de maneira alegre e submissa, em comunidades da extensão de um "Eu Odeio Acordar Cedo", do antigo Orkut.

O patrulhamento dos valentões digitais empurra causas que, em médio prazo, causam sempre algum prejuízo.

Eles desperdiçam todo o tempo querendo derrubar quem discorda das causas defendidas, se esquecendo que estão querendo destruir verdadeiros conselheiros.

Com isso, os valentões juntam inocentes úteis ao favor das causas furadas, nas quais o fato da maioria desses trogloditas residir no Rio de Janeiro é, infelizmente, uma realidade.

Mas essas causas provocam prejuízos intensos, e os próprios valentões acabam ficando "queimados" com tanta valentia e truculência. Isso quando não são confundidos com milicianos rivais nas "cidades dos outros".

Recentemente, o Brasil paga por uma atitude tomada pelos cariocas: a eleição de Eduardo Cunha para deputado federal.

Eduardo Cunha criou toda uma sabotagem para derrubar Dilma Rousseff e deixar o Brasil na catástrofe política de hoje.

É doloroso, sim, atribuir aos cariocas um reacionarismo político e ideológico, porque o cenário praiano de Copacabana e Ipanema não combina com redutos de gente reacionária.

Mas esse reacionarismo se observa em grande número: desde os sociopatas e valentões das redes sociais, até os comentários golpistas de quem puxa conversa com a gente.

O Rio de Janeiro tornou-se um dos Estados mais conservadores do Brasil, competindo com igual força com o Rio Grande do Sul e Paraná.

O Rio de Janeiro virou o Alabama brasileiro, apesar da fachada "californiana".

No RJ, não se chegou ao desejo de interioranos gaúchos em matar petistas com espingarda, nem de machistas fuzilarem namoradas nas ruas e shoppings da "civilizada" Curitiba.

Mas chegou-se ao ponto. Já se praticou feminicídio em plena Av. Novo Rio, atual Linha Amarela, na Zona Norte carioca, a mando de um ex-namorado e estudante universitário.

Se aqui no RJ já se pratica pistolagem, vide o que aconteceu com Marielle Franco, então o Rio de Janeiro tem, sim, o lado sombrio que se esconde por trás da beleza de suas praias.

O Rio de Janeiro há muito perdeu o status de referência nacional. E é o Estado que mais paga pela crise brasileira que causou, votando com o estômago, com o umbigo e os neurônios, nunca com a prudência.

Elegeu com gosto e defendendo com unhas e dentes políticos que depois arrasaram com o Estado e até com o país.

Hoje odeia Eduardo Cunha e Sérgio Cabral Filho, mas houve o tempo em que os que hoje os repudiam com rispidez eram pelos mesmos blindados a ponto de usarem o valentonismo digital (cyberbullying) para defendê-los a todo custo.

O internauta comum não pode questionar o estabelecido. Mas quando Rede Globo, O Globo e O Dia assam a questionar o estabelecido, até os que o defendiam passam a repudiar.

E agora temos o caso Jair Bolsonaro, que os cariocas, numa atitude suicida, votaram para deputado federal junto com Eduardo Cunha, e agora o querem ver na Presidência da República.

Isso já não será mais o tiro no pé, "passatempo" comum dos cariocas nos últimos 25 anos, mas um tiro na testa.

No momento, há uma defesa obsessiva em ver o Brasil governado por Bolsonaro, que se revelou uma mistura ainda piorada mil vezes de Eduardo Cunha.

Os bolsonaristas serão os primeiros a sentir a cilada em que querem se meter: Bolsonaro não vai transformar seus apoiadores em milionários, vai deixá-los com os bolsos vazios e ainda irá obrigá-los a trabalhar mais em prol de uns centavos a mais.

A realidade mostra que até os valentões se tornam vítimas de seus próprios impulsos, pois chega um momento em que eles não podem mais contornar obstáculos nem dificuldades.

Espera-se que Bolsonaro não seja eleito presidente do Brasil. Neste sentido, até um Geraldo Alckmin, por mais nefasto que seja, seria um "mal menor".

A causa fascista é, recentemente, o novo barco furado surfando na onda reacionária de um Rio de Janeiro que ainda empurrou o "funk" como um cavalo de Troia da Rede Globo para as forças sócio-políticas e culturais de esquerda.

E aí, veremos mais prejuízo.

No Alasca, são as morsas que se aventuram a cair do despenhadeiro para morrerem abatidas no chão.

No Rio de Janeiro, são os cariocas que, infelizmente, se sujeitam a esse triste destino, a não ser que acordem e não se submetam mais ao canto da sereia dos valentões das redes sociais.

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