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ENQUANTO CARIOCAS PEDEM BOLSONARO, A CULTURA SE PERDE EM CHAMAS


Grande vergonha o Rio de Janeiro ter Jair Bolsonaro como grande favorito para a Presidência da República, conforme pesquisa do Instituto Paraná que aponta o candidato do PSL como "favorito" em 30% para ser eleito presidente da República.

Grande vergonha os cariocas ficarem presos num pragmatismo viciado, conformado com tantos retrocessos, que só com muita trabalheira são recuperados, e olhe lá.

Grande vergonha os cariocas darem ouvidos a valentões das redes sociais, a ponto deles terem ânimo de criar páginas ofensivas contra quem discordasse de suas visões retrógradas do mundo.

Grande vergonha os cariocas médios se contentarem com pouco, com aquela desculpa de que "não é lá grande coisa, mas é melhor do que nada".

Pois um incêndio de grandes proporções vai destruindo um gigantesco acervo guardado no Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Há um sério risco de explosão no entorno da Quinta da Boa Vista, onde se situa. Um dado positivo é que os quatro vigilantes já tinham ido embora, não havendo vítimas conhecidas até o momento.

É um incêndio tão vergonhoso quanto o do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, há 40 anos, que se fez perder um grande acervo de artes plásticas.

Ou dos incêndios que, poucos anos atrás, dizimaram coleções particulares, e fizeram desaparecer até o quadro "Samba", de Di Cavalcânti.

O incêndio no Museu Nacional ocorreu há pouco, depois do fechamento do museu, e está atingindo todo o prédio.

Isso é ilustrativo. O Museu Nacional foi um dos prédios inaugurados por Dom João VI, quando a família real portuguesa veio ao Brasil, em 1808.

O prédio, portanto, fazia parte de um período de modernização do país, e o incêndio, uma grande tragédia cultural, pontua o fim desses tempos.

Simbolicamente, o incêndio é uma espécie de simbologia da "popularidade" que a indústria dos fakes, dos robôs da Internet, das fake news e das pesquisas compradas dos institutos que colocam um medíocre como Jair Bolsonaro nas alturas.

O fogo que atingiu o Museu Nacional é o golpe político de 2016, é o pragmatismo masoquista do Rio de Janeiro, é a proibição de Lula de concorrer à Presidência da República, é o "popular demais" que transformou o povo pobre em caricatura.

O fogo que atingiu o Museu Nacional é a Justiça seletiva do Poder Judiciário e do Ministério Público.

O fogo que atingiu o Museu Nacional é o projeto político de Michel Temer e seu pacote de maldades contra os brasileiros.

O fogo que atingiu o Museu Nacional são as mudanças retrógradas da reforma trabalhista. As chamas são a terceirização generalizada aprovada há poucos dias pelo Supremo Tribunal Federal.

O fogo que atingiu o Museu Nacional é, acima de tudo, os 30% de favoritismo de Jair Bolsonaro na escolha dos cariocas para a Presidência da República.

O fogo que atingiu o Museu Nacional é o autoritarismo festivo de Jair Bolsonaro, é o golpismo do general Hamilton Mourão, é a tecnocracia medieval e pinochetiana de Paulo Guedes.

Triste. Vergonhoso. Ver que nossa cultura vai se desfazendo aos poucos. Ver que o pragmatismo carioca nada faz para zelar pelo nosso patrimônio.

Claro. As nossas riquezas culturais são sempre coisa de museu. Até nosso samba, aos poucos, vai sendo substituído pelo "funk" importado dos rincões reacionários da Flórida.

Com o incêndio, queimou-se sobretudo a mania dos cariocas desse pragmatismo contraído desde a década de 1990.

Vamos ser se o pessoal continuará sonhando com a vitória de Pirro do ex-capitão Jair.

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