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A DEFESA DE LULA NA ONU E MICHEL TEMER NA CORDA BAMBA


Dois fatos políticos marcaram o dia de ontem.

Um é a aceitação pela ONU da petição dos advogados de defesa do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva de que o juiz Sérgio Moro estaria cometendo abusos de poder contra o petista.

O documento enviado para o Comitê de Direitos Humanos da ONU apontou quatro abusos identificados na atuação do juiz paranaense contra Lula:

. a condução coercitiva do dia 4 de março de 2016, completamente fora do previsto na legislação brasileira;

. o vazamento de dados confidenciais para a imprensa;

. a divulgação de gravações, inclusive obtidas de forma illegal;

. o recurso abusivo a prisões temporárias e preventivas para a obtenção de acordos de delação premiado.

A atuação tendenciosa de Moro, que se mostra indiferente com semelhantes incidentes com políticos do PSDB, fez Lula virar réu três vezes e surgiram rumores de que ele seria preso há uma semana.

E provavelmente seria mesmo, se as esquerdas não tivessem estragado a surpresa.

Com a aceitação da ONU ao pedido dos advogados de Lula, as atividades de Sérgio Moro contra o ex-presidente serão observadas pela organização internacional.

Lula recorreu à ONU porque não tinha a quem recorrer no Brasil.

Alvo de acusações vagas e confusas, suspeitas nunca devidamente investigadas e de boatos e mentiras dos mais cabeludos e de alto teor difamatório.

Isso sem falar da gafe de Deltan Dallagnol, o procurador que montou um risível esquema de Power Point para dizer que Lula é "o chefe máximo da corrupção".

Há uma grande diferença entre criticar objetivamente os erros de Lula e disparar calúnias e difamações gratuitas e muitíssimo agressivas.

Lula, assim como Dilma Rousseff, são os únicos que certa parcela da sociedade que se acha "dona da verdade" e "defensora da ética" se acha no direito de humilhar da maneira mais deplorável possível.

Isso já é abuso de poder. É histeria, é psicopatia.

E vem dos mesmos cidadãos que ficam tranquilos quando Michel Temer lança medidas de exclusão social que podem afetar até a vida de seus esperançosos simpatizantes.

A PEC 241 vai barrar a maior parte de importantes projetos para o Brasil e a classe média alta indo para a praia feliz contar piadas e jogar conversa fora.

Mal sabem elas do dia em que faltará dinheiro para comprar uma lata de cerveja.

E Temer está muito mais encrencado que Lula.

Uma delação da Odebrecht pode revelar uma grande lista de políticos que pode comprometer o governo temeroso.

É certo que Lula foi citado por vários delatores da Lava Jato, só que com relatos bastante vagos e superficiais.

O mais recente é a risível "nova propriedade" do ex-presidente: o estádio do Itaquerão, conhecido também como Arena Corinthians, um suposto presente dado pela empreiteira baiana.

Já é cômico a direita atribuir a Lula um modesto triplex no Guarujá que, mesmo assim, ele desistiu de comprar.

Ele desistiu da compra e é "dono" mesmo assim?

Enquanto isso, denúncias contra políticos do PMDB, DEM e, principalmente o PSDB, são muito mais consistentes e com provas documentais.

No caso da futura delação de Marcelo Odebrecht, preso pela Operação Lava Jato, quatro figurões do governo Temer, incluindo o próprio presidente, poderão cair.

Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, Moreira Franco, do Programa de Parcerias de Investimentos e o próprio presidente Temer poderão ser denunciados. Todos peemedebistas.

O mesmo risco ameaça o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, do DEM.

Só um cafajestismo político-jurídico para livrá-los de alguma condenação, assim como o senador Aécio Neves, citado mais de cinco vezes em delações da Lava Jato.

Mas aí a plutocracia admite que Temer possa cair, mas só em 2017, para garantir uma eleição indireta no Congresso Nacional para eleger um representante das elites.

Só que alguns dos cotados para a votação, o ex-ministro do STF Nelson Jobim e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também podem ser delatados por Marcelo Odebrecht.

O cruzeiro marítimo da plutocracia é enorme e imponente, mas está furado em sua estrutura.

Todavia, é necessário um icebergue político para afundar esse poderoso navio. Como a pressão das ruas, como protestos contra a PEC 241.

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