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GOVERNO TEMER QUER JOGAR OS PROFESSORES CONTRA OS ALUNOS. E VICE-VERSA


Cinquenta anos depois, a situação se repete.

Estudantes protestam contra o Plano Temer, contra a PEC 241 e outras medidas que irão degradar ainda mais a Educação no país.

Lembra 1966, quando o ministro Flávio Suplicy de Lacerda - do Paraná de Sérgio Moro - lançou um plano de reforma educacional em parceria com a USAID, agência do governo dos EUA.

O acordo MEC-USAID, como foi conhecido, previa, entre outras coisas, a "desideologização" do ensino superior, restringindo-o à formação meramente tecnocrática, sem a formação humanista de visão crítica do mundo.

Previa, também, a privatização das universidades e a expansão da lógica tecnicista para o ensino em geral.

Junte-se a isso a política de arrocho salarial de Otávio Gouveia de Bulhões, ministro da Fazenda, e do endeusado Roberto Campos, do Planejamento, naquele governo do general Castelo Branco.

A União Nacional dos Estudantes, declarada extinta por ato institucional, agia na clandestinidade, se limitando a ser apenas um movimento de protesto.

Mesmo assim, teve coragem para se mobilizar e aglutinar os jovens a fazer intensos protestos durante cerca de dois anos.

A pilhéria estudantil naquela época chamava Roberto Campos de Bob Fields (fields é "campos", em inglês), por conta de sua visão entreguista.

Outra pilhéria se referia ao embaixador dos EUA do Brasil, Lincoln Gordon, um dos articuladores secretos do golpe militar de 1964: "Basta de intermediários - Lincoln Gordon para presidente do Brasil!".

Vários jovens morreram nos confrontos entre 1966 e 1968, e nem todos participantes dos protestos.

Em 1968, durante o confronto entre estudantes e policiais no restaurante Calabouço, no Centro do Rio de Janeiro, o modesto Edson Luís de Lima Souto foi acidentalmente morto e sua tragédia comoveu o país.

No mesmo ano, no confronto entre reacionários estudantes da Universidade Mackenzie e alunos esquerdistas da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, situadas na mesma Rua Maria Antônia, em São Paulo, mataram o secundarista José Guimarães, que apenas passava por ali.

Cinquenta anos após 1966, temos um governo tão conservador quanto o do general Castelo Branco, através do civil Michel Temer, discreto advogado naqueles tempos tão sombrios quanto os de hoje.

O Ministério da Educação está entregue ao insosso José Mendonça Filho, sem qualquer intimidade com a educação.

Ele já determinou a vários diretores e professores de institutos ocupados por estudantes em protesto para que delatem os alunos que estiverem envolvidos nestas manifestações.

São 1016 escolas ocupadas em todo o país, protestando contra a PEC 241, que prevê corte de gastos públicos (Saúde, Educação e Assistência Social) e contra as mudanças educacionais em cogitação, como a Escola Sem Partido e a reforma educacional decidida "de cima" pelo MEC.

José Mendonça Filho não parece interessado em discutir de verdade com a classe dos professores e com pedagogos.

Pior: o MEC ainda quer jogar os professores contra os alunos e vice-versa.

O MEC quer que estudantes que protestem contra reformas sejam denunciados e punidos.

E, sendo o atual MEC simpatizante da retrógrada proposta da Escola Sem Partido (espécie de TFP pedagógica), os professores que promoverem debates em sala de aula também poderão ser denunciados e punidos.

Só que, solidários às causas que poderão ser perdidas para sempre com esse coquetel venenoso (Escola Sem Partido, PEC 241, reformas retrógradas aqui e ali), alunos e professores estão mais unidos que nunca.

Professores que sentem na carne o "pacote de maldades" do governo temeroso estão dando todo o aval aos alunos ocupantes.

A grande mídia até noticia esses protestos, mas finge que é uma notícia sem muita importância.

O número de escolas ocupadas poderá ser bem maior. E há as eventuais passeatas estudantis.

A mídia venal não se interessa a informar dos acontecimentos com a devida amplitude.

Em certos momentos, a grande mídia até tenta inventar que os protestos sempre culminam com alguma desordem, violência ou vandalismo.

Ou, se admitem o caráter pacífico, dizem com certo contragosto.

Dizem pensando no espectador da mídia venal que, introduzindo a linha editorial de Globo, Veja, Folha e afins em suas vidas, irá reagir indignado com os "vagabundos que não querem estudar".

Mas a coisa é séria. Os protestos ocorrem por causa de uma catástrofe que está por vir.

Professores castrados e mal remunerados, trabalhando mais só para manter as contas em dia sem passar fome, e ainda assim obrigados a transmitir um projeto pedagógico sem vida.

Alunos que sofrem o risco de terem suas personalidades atrofiadas, não bastassem sofrer com a péssima qualidade de ensino que, juntas, a PEC 241 e a Escola Sem Partido trarão.

Isso é uma catástrofe, uma tragédia que terá efeitos devastadores para as futuras gerações.

Os estragos do sistema educacional da ditadura militar de outrora resultou nos sessentões que na sua maioria vivem em completa insegurança de vida.

Vejo grisalhos de 60, 64 anos que, em vez de nos trazerem alguma lição de vida, estão aprendendo a viver e a entender este mundo complexo que ainda não entendem.

E mesmo os empresários, profissionais liberais, executivos de meia idade ainda se comportam pior na hora do lazer do que um estagiário que se atrapalha nas suas primeiras rotinas de trabalho.

Um conhecido publicitário e empresário de 61 anos teve que recorrer à consultoria de um ex-integrante do grupo Dominó para se tornar apresentador de TV.

Vejo médicos, empresários e economistas de 62, 63 anos, maridos de belas mulheres mais jovens e famosas, correndo de medo das pressões modernas da vida da fama de hoje, bem diferente das do tempo de Jacinto de Thormes.

Com todos os seus diplomas, palestras, filhos crescidos etc, esses senhores e senhoras precisam voltar para a Faculdade.

Tal como os membros do STF, que mais parecem alunos do primeiro ano de Direito. Exceto Gilmar Mendes, cuja atuação envergonharia até um calouro da referida faculdade.

Esse pessoal tomou uma overdose de MEC-USAID e hoje seus cabelos brancos constrangem pelo vazio de lições de vida.

Será que temos que repetir essa experiência que pretende produzir mais uma geração a ser imatura na meia-idade?

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