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"QUENUNCAS" ABANDONAM LETÍCIA SABATELLA

LETÍCIA SABATELLA DISCUTE COM UM DIREITISTA EM CURITIBA.

A atriz Letícia Sabatella resolveu processar o Facebook e o Twitter por danos morais, depois que foi alvo de ofensas e agressões verbais por internautas nestes portais.

Conforme nota publicada no UOL TV e Famosos, o valor calculado para indenização é de R$ 11.775.

Além do dinheiro, Letícia também pede a identificação dos agressores anônimos e a remoção de todos os comentários ofensivos.

O Facebook já colaborou com o envio dos IPs (protocolos de Internet, espécie de "identidade" do computador utilizado por alguém) dos usuários envolvidos para Letícia e seus advogados.

O caso ocorre em segredo de justiça.

Letícia, uma esquerdista não-petista, foi acusada de protestar contra o impeachment de Dilma Rousseff visando obter benefícios da Lei Rouanet para a produção de uma peça, Caravana Tonteria.

Ela, por meio dos advogados, informou que enviou a proposta da peça para ser analisada pelo Ministério da Cultura, mas os recursos ainda não foram captados.

Não há problema algum na atriz recorrer à Lei Rouanet para captar recursos. Letícia, como atriz talentosa e renomada, quer fazer uma peça e precisa de recursos para viabilizar os custos necessários de elenco, cenário e outros trabalhos.

Sobre as ofensas que ela sofreu nos últimos tempos, incluindo a humilhação na qual foi vítima numa praça em Curitiba, cidade onde ela, nascida em Belo Horizonte, viveu durante anos, há um dado a observar.

Boa parte daqueles que se solidarizaram com um episódio em que Letícia se embriagou em Brasília, a abandonaram.

Quando era para defender a embriaguez, os internautas se solidarizaram, fizeram deitaço, e diziam tanto "quem nunca erra" que viraram os "quenuncas".

Quenuncas são gente que fica fazendo propaganda de seus próprios defeitos, sob a desculpa de ser "gente como a gente", como se ter simplicidade e cometer erros fosse a mesma coisa.

Hoje apenas poucos "quenuncas" permaneceram no lado de Letícia.

Mas a maioria, mais festiva e mais agressiva, passou para o outro lado.

Admito que fiz críticas duras à embriaguez de Letícia, mas me solidarizo a ela em outras situações. Até porque reconheço a figura humana, mesmo imperfeita, dela, e seu talento de primeira grandeza como artista.

Mais agressivos estão os "quenuncas" que, quando era para defender o ato de embriaguez, se deitaram em suposto apoio à atriz, mas na verdade em apoio ao direito de "beber até cair".

Hoje, porém, boa parte dos que apoiaram Letícia há dois anos a esculhambam em ofensas pesadíssimas, xingando-a de "petralha" e coisas até piores, como "puta", tal como havia dito um transeunte na capital paranaense, "arena" de Sérgio Moro.

Conheço o reacionarismo nas mídias sociais até porque fui vítima de cyberbulling,

Fui vítima de midiotas escondidos na comunidade "Eu Odeio Acordar Cedo" em 2007 e, cinco anos depois, fui vítima de um busólogo da Baixada Fluminense que bajulava políticos do PMDB carioca.

Naquela época o direitismo desses reaças era dissimulado. Lula ainda era popular demais para eles ficarem pedindo prisão perpétua a ele.

Eram os "marx-cartistas", macartistas que se mascaravam de "esquerdistas" - ou melhor, "marx-caravam" - porque naquela época era feio jovem se assumir conservador e de direita.

Depois é que o discurso mudou e essa mesma "galera tudo de bom" assumiu que gosta de um Olavo de Carvalho falando de como era boa a estrutura social, política e religiosa da Idade Média.

Se um Lobão, antes o símbolo típico de uma rebeldia verossímil, ainda que confusa, ou um Alexandre Frota, ligado ao universo LGBT, pornográfico e fitness, podem ser reaças, então qualquer "miguxo" do "Eu Odeio Acordar Cedo" pode até passear exibindo com orgulho um exemplar de Veja.

Não era mais preciso fingir que odiava o imperialismo nem fazer falsa bajulação a Ernesto Che Guevara.

Não era preciso fingir simpatia ao PSOL para conquistar aquela garota descolada ou aquele rasta de fala articulada para amizade ou vida amorosa.

Hoje os reaças são muito mais assumidos, embora se dividam entre a direita assumida e uma direita não-assumida (que se diz "nem de direita nem de esquerda" mas lê os livros de Leandro Narloch com gosto).

Espera-se que essas pessoas tenham alguma lição na vida, sobretudo num contexto em que o reacionarismo que retomou o poder no Governo Federal estimula todo tipo de abuso ultraconservador com eventuais requintes de crueldade.

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