Pular para o conteúdo principal

A TARDIA PRISÃO DE EDUARDO CUNHA BALANÇA O BRASIL TEMEROSO


Sim, Eduardo Cunha foi preso.

Estava em Brasília, quando recebeu ordem de prisão de agentes da Polícia Federal.

Foi deslocado para Curitiba, e ficará em prisão preventiva por tempo indeterminado.

A prisão foi determinada pelo midiático juiz Sérgio Moro, que já havia sido criticado duramente por tanta hesitação em prender o ex-deputado.

Afinal, quando as conveniências permitiam, Cunha recebia o apoio da sociedade, da classe política e da mídia.

Num surto de retrocessos ainda vigente no Rio de Janeiro, Cunha foi um dos deputados federais mais votados em 2014, eleito sob o pretexto da "moralidade".

E aí ele foi eleito presidente da Câmara dos Deputados, dentro de uma reciclagem em maioria ultraconservadora dos membros da casa legislativa.

Cunha foi em parte o idealizador do Plano Temer, no que diz a propostas de desmonte das conquistas sociais, através da reforma trabalhista e de ideias socioeducativas afins com a Escola Sem Partido.

Em parte, Cunha é o mentor da PEC 241 e da Ponte para o Futuro.

Articulador do impeachment de Dilma Rousseff, Cunha já era denunciado por usar o dinheiro público para alimentar contas pessoais e de sua família.

E, depois do trabalho feito, Cunha pôde ser aos poucos descartado, ainda que de forma muito lenta.

Falava-se até que Sérgio Moro tinha medo de Cunha e se recusava a convocar a mulher dele, a ex-jornalista Cláudia Cruz, para depor, alegando que "não sabia seu endereço".

Mas aí a coisa mudou. Moro decidiu mandar prender Cunha.

Só que Cunha, um dos artífices do governo Temer, não gosta de ser abandonado pelos antigos aliados.

O ex-deputado prepara um livro contando os detalhes sobre o esquema de corrupção de seus aliados.

Michel Temer está incluído, o que o fará pensar duas vezes sobre as tais "alegações".

O legado de Eduardo Cunha está no governo Temer e em parte bastante significativa de seus atos, propostas ou mesmo pessoal envolvido.

A prisão de Cunha deixa o já desastrado governo temeroso em situação imprevisível.

E põe em xeque um governo que parecia simular um otimismo cuja narrativa se encaixa bem no Jornal Nacional.

Depois da PEC 241, pela tragédia que isto significa, a prisão de Eduardo Cunha é mais um fato a fazer com que a "ponte" do governo Temer balançasse diante de vendavais diversos.

Esses vendavais podem aumentar e é bom os brasileiros médios não se sentirem alegres diante desse governo temeroso.

O Brasil está desgovernado e o governo Temer será fortemente abalado pelas denúncias que Eduardo Cunha lançará em livro.

É questão de tempo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ESTUPRO COLETIVO DERRUBA MITO DA "LIBERDADE DO CORPO"

O vergonhoso caso do estupro coletivo desmascarou uma situação que a intelectualidade "bacana" sempre abafou com falso relativismo.

O mito da "liberdade do corpo" num país do combate ao assédio abusivo.

O terrível caso ocorreu num bairro popular, na região de Jacarepaguá.

33 homens afoitos cercando uma moça de 16 anos, dopando a menina, depois a estuprando sob o registro da câmera do celular e depois publicando na Internet.

Um episódio de pura truculência, mas condicionado pela ilusão de liberdade sexual que a intelectualidade "bacana", que apostava num Brasil brega, queria para as classes pobres.

Mesmo mulheres aparentemente ativistas, dentro dessa intelectualidade, davam dois pesos e duas medidas.

Elas reclamavam contra a imagem caricatural que as mulheres, de classe média, recebiam dos comerciais de TV.

Mas consentiam que a mesma imagem fosse impunemente abordada sob o rótulo do "popular".

Reclamavam quando a imagem da mulher de classe média…

GOVERNO TEMER E A REVOLTA DOS UMBIGOS

A "revolta dos umbigos" que surgiu nas mídias sociais achou que tinha o poder pleno nas mãos.

Lutaram para ter Michel Temer no lugar de Dilma Rousseff para realizar uma agenda mais conservadora para o Brasil.

Essa agenda é um misto do programa eleitoral derrotado de Aécio Neves em 2014 com as "pautas-bombas" do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Primeiro, os "revoltados" na Internet se escondiam nas mídias sociais, se limitavam a trolar assuntos culturais ou coisa próxima e fingiam serem progressistas.

Depois, deixaram a máscara cair e iniciaram uma campanha para derrubar Dilma Rousseff.

Conseguiram o que fizeram, pois faziam parte de uma "frente ampla" às avessas, que clamavam por retrocessos políticos sob a desculpa do "combate à corrupção".

Estavam junto dos empresários em geral e, em parte, os que controlam a grande mídia.

Foram animadores juvenis de uma campanha que ludibriou a sociedade inteira, que passou …

CRIMINALIZAÇÃO DO "FUNK" É UMA PROPAGANDA ÀS AVESSAS

Um abaixo-assinado na página do Senado atingiu, anteontem, a marca de 20 mil assinaturas, diante de uma causa bastante controversa, a de criminalização do "funk".

A proposta é de autoria do empresário paulista Marcelo Alonso, que se declara pai de família e afirma estar tentando "salvar a juventude".

Deu um tiro no pé, porque a proposta acabou estimulando mais o natural coitadismo do "funk", tido como "vítima de preconceito".

A repressão policial transformou um ritmo musicalmente medíocre em "canção de protesto".

A presença de "bailes funk" em noticiários policiais transformou os ricos empresários-DJs, ávidos por dinheiro, em supostos ativistas culturais.

A criminalização transformou medíocres MCs de vozes esganiçadas em pretensos militantes.

Da mesma forma, a criminalização do "funk" fez um mero ritmo dançante e comercial virar, durante anos, um pretenso paradigma de folclore popular.

Enquanto rolava o discurso de…