Pular para o conteúdo principal

JÁ ESTÁ NO FORNO A "PEC DO FIM DO MUNDO"


O caminho para o precipício já está sendo percorrido.

A Câmara dos Deputados aprovou, por 359 contra 116 e duas abstenções, a proposta de emenda da Constituição que prevê limites para gastos públicos.

É a PEC 241, oficialmente apelidada de PEC do Teto.

A vitória só não foi tão grande porque o governo Temer perdeu sete votos para a causa.

Mesmo assim, a sua causa venceu.

Os partidários da "peque" estão felizes. A mídia venal tentava dar argumentos "técnicos" para tentar convencer a opinião pública que a PEC do Teto é "benéfica" para o país.

Segundo a argumentação dos defensores, a "peque" vai "manter" gastos essenciais em Saúde, Educaçao e Assistência Social, apenas irá impor limites aos "excessos".

No entanto, mesmo seus defensores admitem que os investimentos que não serão cortados, como salários de servidores, serão congelados.

Setores como infraestrutura, tecnologia, pesquisas e ciência poderão ter investimentos cortados.

Os gastos públicos só podem aumentar dentro dos limites do valor da inflação do ano anterior, o que já é uma grande defasagem.

Os defensores não conseguem esconder o caráter nocivo da "peque".

A PEC do Teto será insuficiente para atender as demandas muito complexas e bastante crescentes da sociedade brasileira.

Projetos importantes em prol da qualidade de vida, da busca do conhecimento e de pesquisas de grande envergadura, sem falar de projetos em prol do patrimônio cultural como o PAC das Cidades Históricas, poderão simplesmente serem cancelados.

Ou então terem que ser transferidos para a iniciativa privada, que nem sempre tem a sensibilidade de entender o interesse público e as finalidades sociais.

Será preciso muito jogo de cintura para convencer os investidores privados a admitir que as finalidades sociais e o interesse público também garantem a lucratividade e a competitividade.

Não é um processo muito simples. O executivo não irá investir em folclore porque achou bacana uma manifestação cultural apresentada no interior do Brasil.

Ele terá que ser convencido por prefeitos, governadores, secretários, sempre sob o argumento de que cidadania também traz renda.

Na Educação e na Saúde, então, fica mais complicado.

Como beneficiar as populações humildes no atendimento hospitalar, com as mensalidades caras que incluem até a parcela das festinhas dos médicos de elite?

Você paga uma fortuna por um plano de saúde para ver que boa parte dos recursos vai para aquela festinha que virou reportagem no Glamurama, o exílio dos dissidentes de Caras depois que a revista ficou "popular demais".

Aquele dinheiro para o medicamento necessário é repassado para o paletó de grife do médico de renome no jet-set.

Aquele dinheiro para o material escolar é repassado para o carrão do reitor mais gabaritado no colunismo social.

A visão financista do governo Temer ainda vai causar mais desastres para o país.

E pode ser pior do que a gente imagina.

A PEC 241 ainda vai passar por votação no Senado Federal, mas nesse andar da carruagem sobre a pinguela para o passado, os senadores vão aprovar e entregar para Temer sancionar de vez.

E aí teremos duas décadas de muito prejuízo.

Será um golpe dentro do golpe, com uma duração semelhante ao da ditadura militar que devastou o país.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ESTUPRO COLETIVO DERRUBA MITO DA "LIBERDADE DO CORPO"

O vergonhoso caso do estupro coletivo desmascarou uma situação que a intelectualidade "bacana" sempre abafou com falso relativismo.

O mito da "liberdade do corpo" num país do combate ao assédio abusivo.

O terrível caso ocorreu num bairro popular, na região de Jacarepaguá.

33 homens afoitos cercando uma moça de 16 anos, dopando a menina, depois a estuprando sob o registro da câmera do celular e depois publicando na Internet.

Um episódio de pura truculência, mas condicionado pela ilusão de liberdade sexual que a intelectualidade "bacana", que apostava num Brasil brega, queria para as classes pobres.

Mesmo mulheres aparentemente ativistas, dentro dessa intelectualidade, davam dois pesos e duas medidas.

Elas reclamavam contra a imagem caricatural que as mulheres, de classe média, recebiam dos comerciais de TV.

Mas consentiam que a mesma imagem fosse impunemente abordada sob o rótulo do "popular".

Reclamavam quando a imagem da mulher de classe média…

GOVERNO TEMER E A REVOLTA DOS UMBIGOS

A "revolta dos umbigos" que surgiu nas mídias sociais achou que tinha o poder pleno nas mãos.

Lutaram para ter Michel Temer no lugar de Dilma Rousseff para realizar uma agenda mais conservadora para o Brasil.

Essa agenda é um misto do programa eleitoral derrotado de Aécio Neves em 2014 com as "pautas-bombas" do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Primeiro, os "revoltados" na Internet se escondiam nas mídias sociais, se limitavam a trolar assuntos culturais ou coisa próxima e fingiam serem progressistas.

Depois, deixaram a máscara cair e iniciaram uma campanha para derrubar Dilma Rousseff.

Conseguiram o que fizeram, pois faziam parte de uma "frente ampla" às avessas, que clamavam por retrocessos políticos sob a desculpa do "combate à corrupção".

Estavam junto dos empresários em geral e, em parte, os que controlam a grande mídia.

Foram animadores juvenis de uma campanha que ludibriou a sociedade inteira, que passou …

CRIMINALIZAÇÃO DO "FUNK" É UMA PROPAGANDA ÀS AVESSAS

Um abaixo-assinado na página do Senado atingiu, anteontem, a marca de 20 mil assinaturas, diante de uma causa bastante controversa, a de criminalização do "funk".

A proposta é de autoria do empresário paulista Marcelo Alonso, que se declara pai de família e afirma estar tentando "salvar a juventude".

Deu um tiro no pé, porque a proposta acabou estimulando mais o natural coitadismo do "funk", tido como "vítima de preconceito".

A repressão policial transformou um ritmo musicalmente medíocre em "canção de protesto".

A presença de "bailes funk" em noticiários policiais transformou os ricos empresários-DJs, ávidos por dinheiro, em supostos ativistas culturais.

A criminalização transformou medíocres MCs de vozes esganiçadas em pretensos militantes.

Da mesma forma, a criminalização do "funk" fez um mero ritmo dançante e comercial virar, durante anos, um pretenso paradigma de folclore popular.

Enquanto rolava o discurso de…