PEC 241 ABRE CAMINHO PARA PROJETOS SOCIALMENTE EXCLUDENTES


A aprovação dos deputados federais à PEC 241 que prevê corte de gastos foi comemorada pela mídia patronal.

O presidente Michel Temer, então, considerou a aprovação como uma vitória política sua.

Nas relativas vitórias que obteve, não pelo apoio popular mas pelo lobby articulado de seus aliados, Temer tenta neutralizar os efeitos das manifestações contra seu governo.

Temer acha que o grito "Fora Temer" vai morrer pelo cansaço da banalização.

O grito não vai morrer, mas a pressão da mídia patronal sobre a opinião pública usa uma estratégia bastante perigosa.

Tenta divulgar os manifestos "Fora Temer" de maneira que a banalização enfraqueça os movimentos, perdendo seu sentido de urgência e vontade popular.

A ideia é fazer o grito "Fora Temer" ser tão inócuo quanto um espirro dado por alguém na rua.

Ou como uma tosse, que é um incômodo que passa.

Temer tenta ganhar tempo, com seu pacote de maldades para a população.

Ele quer extinguir tudo que foi deixado pela antecessora Dilma Rousseff, desobedecendo uma promessa timidamente dada quando assumiu na interinidade.

Temer havia prometido manter as realizações do governo Dilma.

Disse sem muita convicção, na época.

Mas hoje, como demonstrou com a PEC 241, a "PEC do Teto", Temer já considera as façanhas do governo Dilma "águas passadas".

Ele quer cortar gastos, quer privatizar, já está negociando a venda no setor elétrico e, evidentemente, no petrolífero, em especial o pré-sal.

Quer deixar um Estado anoréxico que só possa atender aos interesses dos mais ricos.

Com tamanho cinismo, Temer queria tanto aprovar a PEC 241 que promoveu uma exoneração provisória de três ministros, que para a votação na Câmara dos Deputados voltaram ao correspondente cargo.

Tudo para empurrar o corte de gastos, que a plutocracia jura que não é "redução das contas públicas".

Tenta nos fazer crer que é apenas um "controle de gastos públicos", não uma "redução".

Mas, de maneira não muito disfarçada, acabam cortando os gastos públicos, sim.

Afinal, é um discurso que a plutocracia não consegue explicar com clareza.

Você lê os artigos da grande imprensa patronal e não consegue entender. Só consegue "pescar", em textos prolixos, que o governo Temer, segundo essa abordagem, está apenas "arrumando a casa".

Mas, fora das redações venais, o buraco tende a ser mais embaixo.

Temer apenas está dando início a uma série de medidas de exclusão social.

E já começa com força, com a PEC 241, com prazo de 20 anos.

Diante disso, é estarrecedor ver que a classe média está toda, toda feliz.

O corte de gastos irá causar um colapso na Saúde, Educação e Assistência Social.

E jogar tudo para a iniciativa privada não é a solução.

Até porque os serviços não serão gratuitos, as mensalidades serão caras e haverá até o "Bolsa-Granfino" para financiar as coleções de paletós e vestidos e as festas chiques dos acadêmicos e médicos.

A coisa pública cada vez mais está sendo descartada.

Então não chamemos o governo Temer de República, de res publicae, "coisa pública".

Vamos chamar esse governo temeroso de Reprivata, de res privatae, "coisa privada".

Porque o que o presidente da Reprivata quer é satisfazer os interesses privados do mercado e seus detentores diretos e indiretos de privilégios.

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