Pular para o conteúdo principal

OS MORTOS DE COSTA BARROS, OS HAITIANOS E A PERIFERIA ESTEREOTIPADA


O Supremo Tribunal de Justiça deu habeas corpus aos policiais envolvidos na morte de cinco jovens que estavam em um carro que passava pelo bairro de Costa Barros, no Rio de Janeiro.

Os cinco rapazes vinham do Parque Madureira, onde comemoraram as realizações que tiveram nos estudos e no emprego.

Foram confundidos com bandidos em fuga e o carro foi alvejado com 63 tiros.

Mesmo assim, o STJ, nesses tempos de Judiciário corrompido, disse que não havia indícios que justificassem a prisão preventiva.

Infelizmente, as periferias levam a pior, tanto pelas autoridades policiais quanto pela forma com que as periferias são vistas pela "sociedade civil organizada".

Aí vem também o episódio de um grupo de haitianos que vivem em Curitiba, reclamando da imagem fatalista que Luciano Huck promoveu do povo do Haiti, dizendo que "a humanidade não deu certo".

Foi uma visão puramente depreciativa.

Evidentemente, há lugares com graves problemas.

Como o próprio Rio de Janeiro, que vive uma decadência sem precedentes, sob todos os aspectos, criando uma péssima reputação internacional.

Mas Luciano Huck fazia marketing com os problemas do Haiti e não descrevia os pontos positivos nem a disposição de seu povo em superar a crise, agravada pelas catástrofes ambientais e pela violência.

Luciano Huck costuma se autopromover com o pretenso assistencialismo de seu programa.

Com quadros do Caldeirão do Huck que não passam de cópias de programas já exibidos nos EUA.

Luciano Huck é um ricaço metido a ativista social.

E é um dos maiores divulgadores de pastiches de cultura popular, tendo sido o maior propagandista do "funk carioca" em todo o Brasil.

E aí juntemos as peças.

O "funk carioca" sempre foi a estereotipação das periferias.

Sempre mostrava os pobres de maneira caricatural e pejorativa.

E, mesmo assim, queria forçar a aceitação da opinião pública, com esse papo de "combate ao preconceito".

Que "combate ao preconceito" é esse com as periferias sendo trabalhadas de maneira preconceituosa?

O "funk" mostra os pobres de maneira grosseiramente estereotipada e acaba promovendo a rejeição social da qual os funqueiros, contraditoriamente, tanto se queixam.

Por isso mesmo, a gente vê esses dois episódios.

Cinco jovens honestos e trabalhadores, alegres por conquistar lugares no mercado de trabalho e em cursos que iriam aperfeiçoar seus aprendizados, vítimas da fúria sanguinária de policiais despreparados.

Que agora são soltos assim por uma mera desculpa burocrática de um juiz.

Por isso mesmo é que a gente vê o maior mecenas do "funk" ficar dizendo que só tem pobreza no Haiti por puro oportunismo.

Eles não querem que o Haiti seja descrito como um paraíso dos sonhos de qualquer um.

Eles querem é uma visão realista.

Um meio-termo entre descrever os problemas e apontar soluções.

O Haiti virou o extremo oposto do Rio de Janeiro.

Aqui o Rio de Janeiro é um paraíso, é só Copacabana, Ipanema e Maracanã.

As pessoas acreditam que os "anos dourados" do Rio Bossa Nova continuam.

A crise de valores atinge o Rio de Janeiro, que vai desde a truculência dos fascistas digitais ao crime organizado que transforma o corredor Galeão-Centro num terreno perigoso, passando pelos complexos do Alemão e Maré, com seus elevados índices de violência.

Mesmo assim, há sempre um espertinho dizendo "não tem mais jeito, o Rio está mesmo perdido", como se estivesse dizendo uma piada.

E Luciano Huck? Não estaria ele fazendo uma ironia com os haitianos.

Enquanto isso, haitianos e cariocas de origem pobre sofrem a mesma sina.

Humilhados pela periferia caricatural, pelo catastrofismo huckiano ou pelo proselitismo funqueiro.

Uma periferia que nunca será além de puro lixo e pobreza.

Uma pobreza que "não tem mais jeito", uma miséria tida como fatalista.

Os cinco cariocas mortos só queriam ser alguém melhor na vida, trabalhando e estudando com dignidade e prazer em desenvolver suas vocações profissionais.

Os haitianos também têm esse desejo. E querem mostrar a Huck que não vivem de baixa auto-estima e reconhecem o valor que têm deles mesmos e de seu país de origem.

A periferia caricatural das mentes das elites e dos plutocratas que sempre patrocinaram o "funk" é que deseja que os pobres fiquem sempre pobres.

Seja a ideologia da "periferia legal" do "funk" ou da "devastação generalizada e irrecuperável" do Haiti.

Fora dessas ideologias, as periferias buscam melhorias com seus esforços.

Reconstruindo vidas, com o desejo de superação.

É por isso que os plutocratas não entendem o povo. Acham que o povo deveria viver eternamente na pobreza, acham que a pobreza é irrecuperável.

Lamentável visão dessa elite que, de forma golpista, reconquistou o poder. E tem muita gente que acha que é essa elite, da qual faz parte tanto o governo Michel Temer quanto Luciano Huck, que irá progredir nosso país.

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ESTUPRO COLETIVO DERRUBA MITO DA "LIBERDADE DO CORPO"

O vergonhoso caso do estupro coletivo desmascarou uma situação que a intelectualidade "bacana" sempre abafou com falso relativismo.

O mito da "liberdade do corpo" num país do combate ao assédio abusivo.

O terrível caso ocorreu num bairro popular, na região de Jacarepaguá.

33 homens afoitos cercando uma moça de 16 anos, dopando a menina, depois a estuprando sob o registro da câmera do celular e depois publicando na Internet.

Um episódio de pura truculência, mas condicionado pela ilusão de liberdade sexual que a intelectualidade "bacana", que apostava num Brasil brega, queria para as classes pobres.

Mesmo mulheres aparentemente ativistas, dentro dessa intelectualidade, davam dois pesos e duas medidas.

Elas reclamavam contra a imagem caricatural que as mulheres, de classe média, recebiam dos comerciais de TV.

Mas consentiam que a mesma imagem fosse impunemente abordada sob o rótulo do "popular".

Reclamavam quando a imagem da mulher de classe média…

GOVERNO TEMER E A REVOLTA DOS UMBIGOS

A "revolta dos umbigos" que surgiu nas mídias sociais achou que tinha o poder pleno nas mãos.

Lutaram para ter Michel Temer no lugar de Dilma Rousseff para realizar uma agenda mais conservadora para o Brasil.

Essa agenda é um misto do programa eleitoral derrotado de Aécio Neves em 2014 com as "pautas-bombas" do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Primeiro, os "revoltados" na Internet se escondiam nas mídias sociais, se limitavam a trolar assuntos culturais ou coisa próxima e fingiam serem progressistas.

Depois, deixaram a máscara cair e iniciaram uma campanha para derrubar Dilma Rousseff.

Conseguiram o que fizeram, pois faziam parte de uma "frente ampla" às avessas, que clamavam por retrocessos políticos sob a desculpa do "combate à corrupção".

Estavam junto dos empresários em geral e, em parte, os que controlam a grande mídia.

Foram animadores juvenis de uma campanha que ludibriou a sociedade inteira, que passou …

CRIMINALIZAÇÃO DO "FUNK" É UMA PROPAGANDA ÀS AVESSAS

Um abaixo-assinado na página do Senado atingiu, anteontem, a marca de 20 mil assinaturas, diante de uma causa bastante controversa, a de criminalização do "funk".

A proposta é de autoria do empresário paulista Marcelo Alonso, que se declara pai de família e afirma estar tentando "salvar a juventude".

Deu um tiro no pé, porque a proposta acabou estimulando mais o natural coitadismo do "funk", tido como "vítima de preconceito".

A repressão policial transformou um ritmo musicalmente medíocre em "canção de protesto".

A presença de "bailes funk" em noticiários policiais transformou os ricos empresários-DJs, ávidos por dinheiro, em supostos ativistas culturais.

A criminalização transformou medíocres MCs de vozes esganiçadas em pretensos militantes.

Da mesma forma, a criminalização do "funk" fez um mero ritmo dançante e comercial virar, durante anos, um pretenso paradigma de folclore popular.

Enquanto rolava o discurso de…