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RÁDIO FM DERROTA RÁDIO AM MAS É DERROTADO PELA TELEVISÃO


O rádio FM não teve tempo de comemorar sua vitória na concorrência desleal que derrubou o rádio AM.

A televisão derrotou o rádio FM antes.

Dias atrás, o colunista de UOL, Flávio Ricco, teve que admitir que o radialismo esportivo está perdendo para as jornadas da TV paga.

Sem mencionar o fato, o que o colunista disse é reflexo desta ocorrência.

Que o rádio FM pagou o preço caro demais pelo fim do rádio AM.

E isso se deu desde que o coronelismo radiofônico na época da ditadura militar criou arremedos de programas AM nas emissoras FM para manipular e dominar os ouvintes.

Que se ampliou sob o apoio de oligarcas políticos: José Sarney e Antônio Carlos Magalhães.

Eles entregaram FMs a políticos que não entendiam de rádio e mal conseguem saber a diferença entre um cavalo e um jumento.

Resultado: o AeMão de FM se propagou pelo país.

Com tediosos programas noticiosos cujos apresentadores comentavam aquilo que não entendiam.

Ou cansativos debates esportivos em que os participantes discutiam o sexo da bola.

Ou mofadas e emboloradas transmissões de partida de futebol com o som ruim que parece fita cassete antiga, com o som abafado e um forte chiado em cima.

O AeMão de FM recebeu o apoio de Fernando Collor e, mais tarde, a "invasão AM" nas FMs foi patrocinada por Fernando Henrique Cardoso.

Que ajudou até o "coronel" baiano Mário Kertèsz, afilhado político de ACM, senador que atuava na cola de FHC.

Kertèsz quis ser "dono" das esquerdas baianas, para disfarçar esse apadrinhamento todo, mas fracassou.

E sua Rádio Metrópole FM nunca passou de uma CBN de porre.

E se a própria CBN hoje está um porre, imagina então a emissora baiana.

O AeMão de FM derrubou rádios autenticamente rock e deu uma "contribuição" ao quadro de desemprego que há muito atinge o país.

A farsa da dupla transmissão AM/FM, cinicamente apelidada de "rádios AM + FM", como se o sinal "positivo" fosse um diferencial, representou isso.

Duas rádios com registros diferentes e personalidades jurídicas independentes transmitindo a mesma programação numa mesma região.

O que isso significa?

Menos espaço para emprego. Mais demissão de funcionários de antigas emissoras. Empresários de rádio obtendo superfaturamento de rádios que trabalham como uma e faturam como duas.

E ainda tinha a Rede Transamérica, nessa ciranda toda, com um dono banqueiro que transformou a rádio num "caixa dois" da CBF.

Aliás, o futebol ultrapassou a música no esquema jabazeiro das FMs.

A denúncia de um desses escândalos entre donos de rádio e dirigentes esportivos quase acabou com a vida do já citado Kertèsz.

E, voltando a Transamérica, hoje a rádio nem é sombra do que foi nos anos 80 e começo dos 90.

O AeMão de FM acabou com o AM? Pode ser, mas acabou também com o próprio rádio FM.

A segmentação foi para as picas, em nome de uma competição desleal.

Perdemos rádios autenticamente rock, o espaço da MPB diminuiu consideravelmente, enquanto o blablablá apenas repetia, como papagaio, o agenda setting dos noticiários da TV e dos jornais.

De FMs musicais, tudo se limitou à mesmice do hit-parade: para adultos (pop adulto), meninas adolescentes (pop dançante), meninos adolescentes (rock comercial) e pobretões (brega-popularesco).

O mercado radiofônico se espremeu tanto que o número de radialistas fora do meio é maior do que os que estão dentro.

E a audiência despencou, mas nada que um jabaculê não pudesse disfarçar.

Rádios sintonizadas por estabelecimentos comerciais e por profissionais que variam de porteiros de prédio a donos de botecos, de taxistas a jornaleiros, incomodavam a vizinhança com seus sons estridentes.

Até papelarias e lojas de departamentos em shopping centers tiveram audiência comprada pelas FMs.

Tudo para disfarçar um Ibope anoréxico e humilhante, sobretudo durante as pachorrentas jornadas esportivas e as barulhentas transmissões de futebol em FM.

O rádio AM continuava na sua, mas os barões da telefonia móvel se juntaram aos tecnocratas do rádio e aos coronéis da mídia.

Quiseram consagrar o gradual processo de monopolização do rádio FM.

Agora falam em migrar emissoras AM para o FM, mas o dial ficará congestionado.

E nessa competição "lobo comendo carneiro", AMs de pequeno porte irão dançar.

Essa armação do "AM no FM" só garantiu mesmo o poder de coronéis radiofônicos nacionais e regionais.

Mas também está levando uma surra violenta da TV paga.

Para os barões da mídia, isso não tem muita importância.

Afinal, não lhes é desvantagem se uma transmissão esportiva da Rádio Globo e da CBN perdem para o canal Sportv. Ou a Rádio Bandeirantes e Band News FM perdendo para o Band Sports TV.

É como se a Pepsi amargasse nas vendas e a Elma Chips tivesse um grande faturamento.

Tudo da mesma companhia.

Os rapagões sarados que sintonizam AeMão de FM até tentam dar sua sintonia em alto volume, chamando atenção das pessoas.

Como também alguns poucos cidadãos que tentam minimizar o anoréxico Ibope sintonizando essas FMs.

Nas mídias sociais e nos fóruns sobre rádio, há até o "Ibope do umbigo".

Há sempre um carinha que diz que a FM tal tem "boa audiência" porque ele a sintoniza. E combina com meia-dúzia de amigos para concordar com ele, criando falsa unanimidade.

Mas não tem jeito.

Para cada pobre coitado que sintoniza um Aemão de FM, milhões sintonizam um canal da TV paga.

Se o rádio FM quis ser o "novo rádio AM", só se tornou assim da pior forma.

Revivendo a crise que o rádio AM sofreu nos anos 90.

Pior: nenhum AeMão de FM teve uma audiência comparável ao das AMs na época áurea.

Até a "grande audiência" de alguma delas é um dado falso forjado na sintonia de estabelecimentos comerciais, onde uma única pessoa sintoniza e milhares de fregueses - que não têm ideia de que rádio é sintonizada e nem estão aí para isso - são responsabilizados pela "audiência".

O AeMão de FM também nunca reproduziu a grandeza do rádio AM dos melhores tempos.

O AeMão de FM limitou-se a fazer uma média da linguagem da TV aberta, das FMs mais comerciais e dos últimos arremedos de radiodifusão feitos pelo rádio AM já no período de declínio.

No fundo, o AeMão de FM só teve um público-alvo: os próprios barões da mídia.

Foi um processo de concentração de poder, de redução de investimentos e aumento exorbitante de lucros, com uma programação noticiosa, esportiva e humorística de valores duvidosos.

Mas agora os barões da mídia têm um impasse interno.

As FMs AeMizadas sofrem a concorrência ainda mais voraz da televisão.

Fora a Internet, cujo mundo não consegue ser acompanhado sequer pelas mais esforçadas rádios all news, FMs de hit-parade noticioso.

Um mundo que escapa sobretudo às linhas editoriais das CBN, Jovem Pan, Transamérica, Metrópole, Gaúcha, Band News e outras que emitem os pontos de vista dos barões midiáticos.

Evidentemente a TV paga também não cobre esse mundo que escapa do filtro das redações midiáticas dominantes.

Mas mostra o caos que é uma grande mídia que quer fazer da História do Rádio um monte de cinzas, com a extinção do rádio AM, mas também vê as FMs despencarem no Ibope.

O FM matou o AM, mas depois sofreu de AVC.

É o circo trágico da grande mídia e da ganância das oligarquias empresariais que têm medo de ficarem pregando no deserto.

Sobretudo depois que o FM, em nome do mercado, deixou de sintonizar os ouvintes, a partir dos anos 90.

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