A CAÇA ÀS BRUXAS NO SERVIÇO PÚBLICO

PABLO REZENDE, PROTEGIDO DO EX-GOVERNADOR GOIANO ÍRIS REZENDE, É ESCOLHIDO AUXILIAR DO MINISTRO DA CASA CIVIL, ELISEU PADILHA.

Uma verdadeira devassa está sendo feita contra funcionários públicos no Brasil.

Por enquanto, a medida atinge, aparentemente, aqueles servidores comissionados, que assumiram cargos sob livre nomeação.

Eles estão sendo demitidos supostamente por não obedecerem a critérios técnicos, mas por questões puramente ideológicas.

Houve o caso das demissões em massa de entidades vinculadas ao Ministério da Cultura, num total de 81.

Aparentemente, o ministro Marcelo Calero recuou de cinco demissões, ligadas à Cinemateca Brasileira.

Ele havia visitado a instituição, parecia gentil com os funcionários, prometeu investir na proteção do seu acervo etc etc etc.

E depois fez a "degola", o que causou repercussão bastante negativa.

No entanto, corre nos bastidores que Calero vai demitir os funcionários aos poucos, para "limpar a área" para servidores "cordeirinhos", aliados do governo temeroso.

O pretexto é realizar concursos públicos para preencher a vaga.

Mas são concursos públicos feitos apenas para advogados e matemáticos, disfarçados de "nível médio" ou focalizados a funções nada matemáticas como Ciências Sociais e Comunicação Social.

O mesmo objetivo está sendo feito em outros ministérios e secretarias.

Segundo reportagem de Carta Capital, um auxiliar foi nomeado pelo governo de Michel Temer para colaborar com o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Ele é o jovem Pablo Rezende, protegido do ex-governador de Goiás, Íris Rezende, hoje aposentado da política.

Pablo foi designado para identificar servidores que "devem" entrar na lista de exonerações da Esplanada dos Ministérios.

Paralelamente, ele foi promovido, durante a Rio 2016, ao cargo de superintendente em Brasília da Autoridade Pública Olímpica (APO), mas vai continuar desempenhando o outro papel.

Denúncias apontam, no entanto, que a "faca" golpeia, sim, servidores públicos concursados, por mais que o discurso e o aparato sugiram apenas exonerações em cargos comissionados.

No Ministério da Saúde, 57 dos 73 exonerados eram servidores públicos, sendo apenas 16 os que não eram servidores de carreira.

Uma servidora pública, que não quis se identificar, foi reconduzida a um cargo anteriormente ocupado, como prevê a Lei 8112 de 1990 (o Estatuto do Servidor Público).

No entanto, sua exoneração se deu porque foram divulgadas fotos nas mídias sociais com a servidora participando dos protestos contra o impeachment.

Isto é inconstitucional.

É verdade que o servidor público não deve levar suas opções ideológicas para o serviço, nem humilhar ou exaltar alguém por tais questões ou motivos do mesmo nível particular.

Mas as fotos não se referem ao cotidiano profissional do servidor, mas a uma atividade fora do âmbito do trabalho.

Afinal, por outro lado pessoas também têm livre opção ideológica e esta é garantida pela Constituição.

Como na votação. As pessoas podem até serem proibidas de fazer propaganda de candidatos no dia da Eleição, mas estão livres para votar nos candidatos que desejam.

Mesmo diante de alegações tecnocráticas, o que se nota é a pura perseguição ideológica.

É praxe do PMDB adotar arbitrariedades sob alegações falsamente técnicas.

E isso é muito ruim. O governo de Michel Temer já mostra vários aspectos antidemocráticos.

O Brasil está sob risco.

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