RÁDIOS NÃO PODERIAM USAR O PERFIL ROCK COMO PARÓDIA?


Observando os cardápios musicais que rádios comerciais ditas "de rock", como a 89 FM de São Paulo e a finada Rádio Cidade, notei uma coisa.

A única música de Jimi Hendrix tocada era "Fire".

É um gancho para a imagem preconceituosa que não-roqueiros têm do saudoso guitarrista.

Ele havia incendiado uma guitarra, durante o Festival de Monterey, em 1967.

Isso fez com que Hendrix fosse visto como um maluco piromaníaco, um vândalo contumaz.

Mas a verdade é que o episódio foi feito uma única vez.

E Hendrix fez isso por orientação do empresário Chaz Chandler, baixista do grupo inglês Animals.

Chandler não queria fazer por mal, ele sugeriu uma brincadeira para causar impacto e fazer a fama do artista.

No entanto, Jimi Hendrix era um músico sério, nunca foi o forte ficar incendiando guitarras.

Ele tinha um grande respeito com este instrumento.

Nos seus últimos anos, Hendrix estava ensaiando guitarra no seu estúdio Electric Lady.

Estava pesquisando novas linguagens, e parecia estar caminhando para o jazz rock quando faleceu.

E aí a gente fica perguntando, sobre essas "maravilhosas rádios rock".

Por que elas só tendem a tocar "Fire", de Jimi Hendrix?

Para reforçar a imagem preconceituosa de um astro piromaníaco?

A música "Fire" é muito boa, mas não é a única que Hendrix havia feito em sua breve carreira.

Depois a gente faz críticas a essas rádios e o pessoal não gosta.

Elas veem o rock de fora, não com os olhos de quem vive essa cultura.

Daí as visões preconceituosas que rádios como a 89 e, até uns dias atrás, a Rádio Cidade, haviam trabalhado sobre o rock.

Tocando só "Fire", queriam promover a imagem de louco incendiário de Jimi Hendrix.

Isso mostra o que é ter rádio feita por radialistas de mentalidade pop.

Eles não se tornam bons profissionais, mas pessoas preconceituosas sem conhecimento de causa.

Daí ser possível FMs comerciais usarem o segmento rock por pura paródia.

Nem todo mundo que diz "roquenrooooool!!" entrará no reino das guitarras respeitáveis.

Comentários