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EX-TIAZINHA, SUZANA ALVES SE ARREPENDE DA "EXPOSIÇÃO DO CORPO"


Em entrevista ao suplemento Veja São Paulo, a atriz Suzana Alves explicou a volta por cima em relação aos tempos em que era a assistente de palco "Tiazinha", do programa H, apresentado por Luciano Huck na TV Bandeirantes.

Embora ela tenha superada a angústia de ter sido associada à personagem, Suzana afirma que se arrependeu da exposição do corpo.

Juntamente com a Feiticeira, personagem de outra assistente, Joana Prado, Suzana simbolizou a hipersexualização do corpo feminino no entretenimento do fim dos anos 90.

Hoje tanto Suzana quanto Joana levam vida de casadas e são mães. Enquanto Joana é casada com o lutador Vítor Belfort, Suzana é esposa do tenista e comentarista de TV Flávio Saretta.

Como Tiazinha e Feiticeira, as duas foram duramente criticadas por estudiosos da Comunicação.

Elas simbolizavam o sensacionalismo e a coisificação do corpo feminino, e a exploração exagerada e mercenária da sensualidade feminina através da grande mídia.

No entanto, Tiazinha e Feiticeira não são os piores exemplos, sobretudo num contexto de hoje, em que a Mulher Melão exibe demais o corpo que parece usar roupas comportadas só por ironia.

O "funk" e o "pagodão", além de outras atrações como as "musas do futebol", "peladonas", ring girls e ex-BBBs, mostram exemplos muito mais grotescos de exibição do corpo feminino.

Talvez as outrora Tiazinha e Feiticeira tivessem pago demais pelos pecados que outras "boazudas", blindadas pela mídia até por terem bons empresários, cometem com muito mais gosto.

Muitos reclamaram quando a Mulher Melão invadiu um evento de toplesszaço e eliminou o sentido ativista da manifestação, desviando a atenção de jornalistas pelo sensacionalismo da funqueira.

A declaração de Suzana mostra o diferencial em tempos como este, em que o "popular demais" mostrou realmente a que veio, sabotando os debates e expressões culturais nas classes populares.

Suzana deu um banho de água fria no mito da "liberdade do corpo" que transforma uma parcela de mulheres em escravas de uma sensualidade grosseira, ostensiva e obsessiva.

Uma "liberdade" que fazia um ridículo maniqueísmo entre a "rainha do lar" e a mulher-objeto, como se esta última fosse "feminista" pelo suposto desvínculo conjugal a um homem.

Pode ser que Suzana tenha dito isso para um suplemento de uma revista reacionária, como Veja.

Mas sua declaração põe muito à pensar diante do "mercado sensual" que chegava a despejar centenas de mulheres que mostravam demais o corpo mas nada tinham a dizer de relevante.

No contexto de hoje, em que as esquerdas analisam seus erros, a declaração da ex-Tiazinha serve como subsídio para avaliarmos o machismo fantasiado de feminismo das "boazudas".

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