Pular para o conteúdo principal

INTELECTUAIS "BACANAS", TOMA QUE A PEC DO TETO É SUA!!


Tanto burburinho contra o tal do "preconceito ao popular demais" que a intelectualidade que apostava num Brasil mais brega ajudou a chegarmos a esse governo temeroso de hoje.

Intelectuais surgidos dos porões do PSDB acadêmico e jornalístico e que passaram toda a Era PT tentando um falso vínculo com as esquerdas, hoje sumiram de cena.

Devem voltar como neocons histéricos, fazendo o papel de "esquerdistas arrependidos".

O que se sabe é que esses intelectuais da bregalização, que tanto choraram pelo "combate ao preconceito" que só serviu para transformar a degradação cultural num negócio rentável, causaram os estragos que geraram o contexto retrógrado de hoje.

Eles faziam apologia a valores retrógrados às classes populares, diante de um "ufanismo das favelas" que lembrava os tempos da Era Médici.

Vendiam como "progressista" um processo de degradação e desmonte do antigo patrimônio cultural das classes pobres.

Fizeram com que antigos quilombos fossem privatizados para virar senzalas controladas pela casa grande alinhada com a Casa Branca.

O processo de degradação era defendido abertamente, mas sempre como um suposto contraponto à "tirania elitista", equivocadamente associada à aliança CPC/Bossa Nova da MPB de Chico Buarque.

A degradação consistia em dar uma imagem positiva ao que havia de mais negativo nas classes pobres.

Havia a apologia à prostituição, para aprisionar certas moças pobres num subemprego, visando atender ao recreio de homens diversos, inclusive machistas violentos.

Falava-se que a prostituição era a "afirmação" da feminilidade das mulheres pobres brasileiras.

Havia a apologia ao mercado informal na sua pior maneira, no comércio de produtos clandestinos ou falsificados, do comércio dos camelôs sujeitos à repressão de fiscais ou policiais.

Falava-se que esse comércio era o "mercado independente" que sustentava pobres trabalhadores.

Havia a apologia à ignorância popular, que fazia os pobres, manipulados pela mídia e pelo mercado, a desempenhar um papel de ridículo enquanto a miséria lhes fazia perder até os dentes.

Falava-se que essa ignorância era sinal de "pureza e felicidade" das classes populares.

Havia a apologia de resíduos de valores retrógrados, como o machismo, o racismo e o arrivismo elitista, observados em manifestações de intérpretes musicais ou musas "populares".

Falava-se que eram valores que o povo pobre usava como "autoesculhambação" ou "ironia".

Havia a defesa da americanização da "cultura popular", assim como a inserção, no imaginário das classes populares, em sempre desejar e assimilar o que não é seu, mesmo quando se trata de um dado novo ou inusitado.

Falava-se que essa americanização, aliada a um provincianismo das classes pobres, era uma forma "intuitiva" de "reinventar" a "cultura das periferias".

Enquanto isso, criavam uma fantasia que um simples programa trainée poderia transformar um ídolo brega-popularesco num "figurão do primeiro time da MPB".

Tudo com banho de loja, tecnologia, uma estrutura administrativa, com assessoria e tudo.

Só que sabemos ninguém vira gênio musical com trainée e montes de dinheiro nas mãos.

A geração neo-brega dos anos 1990 tentou ser "emepebizada" e foi um grande desastre. Pareciam mais calouros de reality shows musicais.

Das musas siliconadas, então, transformá-las em ícones de beleza as entregou em padrões estéticos mais rígidos do que as que beneficiam socialites, supermodelos e atrizes.

A intelectualidade "bacana" falava mal dos padrões estéticos impostos às mulheres pelas revistas femininas das editoras Globo e Abril e pelas campanhas de publicidade.

Mas não enxergava que, no "popular demais", se via tanto uso de botox, silicone e maquiagem nas musas que representavam o "imaginário sexual das periferias".

O que era, nas mulheres de classe média, a "coisificação" da imagem feminina, nas mulheres pobres era visto como "liberdade do corpo" e "direito à sensualidade".

Durante muito tempo prevaleceu essa visão que, no exterior, teria constrangido gente renomada como Guy Debord, Umberto Eco e Noam Chomsky.

Mas que era servido nos meios acadêmicos como "verdade absoluta" e empurrado para as esquerdas nas publicações da mídia alternativa.

Os intelectuais orgânicos do academicismo tucano dos anos 90 estavam aos pés do Centro Barão de Itararé impondo, "sem preconceitos", os preconceitos culturais da Folha de São Paulo e da Rede Globo.

Chegaram mesmo a se acharem os "reis da cocada preta" do esquerdismo intelectual, mediando debates sobre manipulação da mídia venal e tudo o mais.

Faziam seu teatro do "bom esquerdismo" para impor a degradação cultural.

Uma degradação que contribuiu para a despolitização das classes populares que, depois, eram entregues pela manipulação midiática em meio ao duelo de influências entre o crime organizado (tráfico e milícias) e as seitas evangélicas pentecostais.

Os intelectuais "bacanas" que emporcalharam as páginas da mídia de esquerda tiraram o povo pobre do debate político, cada vez mais isolado.

Com isso, desmobilizou o povo e abriu o caminho para a mobilização reacionária das elites.

Enquanto intelectuais "bacanas" tentavam convencer as esquerdas que um Brasil brega é "o máximo", abriram caminho para reaças virarem "justiceiros culturais".

Reaças que nunca gostaram de povo de repente falavam mal da imbecilização cultural do "popular demais" no brega-popularesco.

Criou-se um engodo à esquerda e à direita, que a gente até imagina se farofafeiros ou urubólogos seriam, na verdade, os luzias e saquaremas da intelectualidade cultural, não haveriam combinado um "diálogo" ideológico.

Defendendo a bregalização, afastava-se o povo dos debates públicos, confinando-o no entretenimento da imbecilização cultural.

Isolando os debates públicos, se enfraquecia as esquerdas.

Enfraquecidas, elas poderiam ser abatidas pela reação direitista e pelos "revoltados" nas ruas.

Resultado: a intelectualidade "bacana" queria um Brasil brega, mas desejou, no fundo, a plutocracia de volta ao poder.

Ela se infiltrou nas esquerdas com uma falsa solidariedade e até pegando carona em movimentos como a causa LGBT.

Queriam a "reforma agrária na MPB" com bregas de toda espécie. Mas era uma reforma udenista que favorecia os empresários do entretenimento "popular" e os barões da mídia.

Agora temos o governo de Michel Temer e a PEC 241 (PEC 55 no Senado) que vai realizar cortes drásticos para a Cultura.

O jeito agora é a intelectualidade que quis um Brasil brega assumir que gosta da PEC do Teto.

Porque o brega que eles acreditam já é resultante de outros cortes sociais profundos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

LITERATURA DESCARTÁVEL

Na minha caminhada pelas ruas de Niterói, eu vi, perto de um poste, um monte de livros jogados no chão descartados por quem havia adquirido tais obras. Por curiosidade, eu vi o conteúdo. Livros juvenis banais, desses que o calor do momento faz badalação intensa, mas o tempo condena ao esquecimento mais fúnebre, e o Floresta Encantada, "clássico" dos "livros para colorir". FLORESTA ENCANTADA, LIVRO PARA COLORIR, FOI UM DOS LIVROS DESCARTADOS. Tudo literatura analgésica, em que palavras como Conhecimento e Saber são praticamente inexistentes. São muitos vampiros estudantis, muitos cavaleiros medievais atormentados que correm atrás do segredo do Livro do Nhem-Nhem-Nhem, da Espada de Piroca, da Medalha de Telkur... Gente que lê livros sob a desculpa de exercer um "saudável entretenimento", mas foge de medo de livros que trazem algo diferente em termos de compreensão da realidade. Daí o grande medo que se tem de Esses Intelectuais Pertinentes... , que desconstr...

A IDIOTIZAÇÃO CULTURAL BRASILEIRA INVIABILIZA O SONHO DO PRIMEIRO MUNDO

TORCEDORES BRASILEIROS DANÇAM A "MELÔ DO CRÉU" EM NOVA YORK. Em Nova York, pessoas celebraram a chegada da Copa do Mundo tocando a “melô do Créu”, do funqueiro MC Créu, um dos símbolos da idiotização musical brasileira. A supremacia da música brega-popularesca atinge níveis de quase monopólio, ganhando uma reputação falsamente cult no Brasil. Isso representa uma catástrofe cultural muito grande e isso é preocupante, se compararmos com a situação do exterior, quando a geração nascida a partir dos anos 1990 começa a apreciar artistas antigos considerados bastante relevantes e até seminais. Nomes como Fleetwood Mac e o falecido David Bowie estão entre os nomes mais apreciados. Os Rolling Stones e os dois remanescentes dos Beatles, Paul McCartney e Ringo Starr, lançam novos trabalhos não só bastante inspirados mas também bem recebidos por um público jovem lá fora. No Brasil, ocorre o oposto. Temos o modismo do brega-vintage, uma falsa nostalgia que tentava mostrar ares pseudocul...

MARMANJOS BRASILEIROS SÃO MAIS INFANTILIZADOS QUE ADOLESCENTES NOS EUA

  Existe uma coisa esquisita, entre os EUA e o Brasil. Nos EUA, jovens com menos de 30 anos de idade estão ouvindo sons mais antigos. Não apenas um passado relativamente mais recente, como o som dos anos 1980, mas veteranos ainda mais antigos, como Fleetwood Mac, Bob Dylan e os pioneiros da Invasão Britânica dos anos 1960, os Rolling Stones e os dois remanescentes dos Beatles, Paul McCartney e Ringo Starr. Em contrapartida, no Brasil, pessoas com mais de 30 anos mergulham fundo na mediocridade musical dos sucessos popularescos e, quando há alguma nostalgia, ela se situa nas breguices que fizeram sucesso comercial há 30, 40 e 50. Michael Sullivan, É O Tchan, Gretchen, Odair José, e a versão de “Evidências” com Chitãozinho & Xororó. É preocupante que,num momento em que uma parcela privilegiada da sociedade brasileira vive uma megalomania crônica, se achando dona do mundo e ávida pela entrada do Brasil no Primeiro Mundo e no protagonismo mundial pleno,o cenário cultural esteja tão...

SELEÇÃO BRASILEIRA DE 2002 FOI MARCADA PELA MEDIOCRIDADE

SELEÇÃO BRASILEIRA EM 2002 - Gols fáceis demais que abafaram jogadas medíocres. Não é preciso gostar ou entender de futebol para desmentir as narrativas que tentam engrandecer o medíocre desempenho da Seleção Brasileira nas eliminatórias e na Copa de 2002, há cerca de 25 anos. Virou onda falar do medíocre time comandado pelo técnico Luís Felipe Scolari, o Felipão, como “genial e grandiosa”, sobretudo quando se discute o empate que a Seleção sofreu quando enfrentou a seleção do Marrocos, no sábado passado. A narrativa é construída por uma campanha da mídia que, através da fragmentação de cenas dos jogos, evidentemente destacando os momentos de gols marcados pelos jogadores brasileiros, procura explorar comercialmente o legado da desastrosa Copa de 2002. Afinal, alguns desses jogadores do “penta” seguem com contratos publicitários muito rentáveis. Além da mídia empresarial, as narrativas são espalhadas pelas redes sociais por gente que foi criança ou adolescente em 2002, que mal consegui...

A MEDIOCRIDADE SOCIOCULTURAL DE ONTEM NÃO É MELHOR QUE A DE HOJE

UNIVERSITÁRIOS CANTANDO E DANÇANDO SUCESSOS INFANTILIZADOS COMO "ILARIÊ", QUE PENSAM SER "CANÇÃO DE PROTESTO". Existe uma narrativa muito comum hoje em dia, que é a de incluir a mediocridade sociocultural e artística de ontem entre as coisas boas do passado, como se houvesse um merecimento às avessas que transformasse coisas sem importância em relíquias valiosas. Isso soa como uma pegadinha para as gerações mais recentes, nascidas sem poder acompanhar vários fenômenos que eram marcados por sua excelência em qualidade e foram substituídos por supostos similares que não possuem 0,001% do brilhantismo dos outros. Como explicar, por exemplo, a Fluminense FM para aqueles que só puderam conhecer a 89 FM, a”rádio rock” da Faria Lima com seus locutores que, salvo um e outro, parecem terem sido contratados de alguma festinha infantil, alguma propaganda de eletrodomésticos ou algum evento de ginástica fitness? Para quem é muito jovem, grupos medíocres como Guns N'Roses e ...

COPA DO MUNDO MOSTRA O QUANTO O BRASIL VIVE NUMA ETERNA INFÂNCIA

Tive que ver, no meu ambiente de trabalho, a partida entre as seleções brasileira e japonesa de futebol. Pude conhecer um pouco o canal Cazé TV e ver a sua estrutura profissional, com narração ao nível das grandes redes de TV, embora os comentaristas mostrem um ranço de influenciadores digitais e, nas legendas do canal, frases persuasivas do tipo “Quem não acorda com confiança é maluco’ e “Eu quero muito esse hexa” fossem mostradas na tela. As reportagens mostravam uma euforia descomunal. Pessoas com alegria de crianças de cinco anos de idade felizes e esperançosas por mais uma vitória fácil no futebol. A única ressalva é o profissionalismo da repórter Fernanda Gentil, bastante competente em sua cobertura. Nem vou detalhar muito o desempenho da Seleção Brasileira de Futebol, apenas definindo como regular. Mas o clima de conto de fadas se deu quando o primeiro tempo foi marcado por um gol feito pela seleção do Japão. Um drama que entristeceu a torcida, que no entanto não se conformou e ...

DEVOTOS DE “SÃO SOLIP”

CONGESTIONAMENTO NA RJ-106 EM NITERÓI, EM 2024 - Necessidade de nova rodovia entre Rio do Ouro e Várzea das Moças iria resolver boa parte desse transtorno. O que muitas vezes dificulta ou impede a solução de problemas no Brasil é a falta de sensibilidade das pessoas para dados problemas, por conta da falta de percepção real dos impedimentos e limitações vividos pelo outro. A ideia pessoal de que “se estou bem, está tudo bem” faz com que a agonia ou o transtorno do outro fossem uma coisa sem importância. Há uma expressão que se refere a pessoas que se iludem com suas impressões particulares, e acabam moldando a percepção geral da realidade conforme seis instintos. Esta palavra é solipsismo, que é o ato de medir a realidade conforme a experiência de cada pessoa. É como se essa pessoa achasse que o mundo age de acordo com o que ela acha que age. Isso bloqueia as ações por melhorias das pessoas, porque indivíduos se recusam a entender os problemas alheios e reagem com indiferença. Mesmo qu...

EM REUNIÃO DO G-7, LULA ADMITE “NUNCA SER ESQUERDISTA”

O PRESIDENTE LULA DURANTE ENTREVISTA COLETIVA EM GENEBRA. Uma gravação de um trecho da reunião dos líderes do G-7 em Evian, na França, o presidente brasileiro Lula, membro convidado do evento, afirmou que “nunca foi esquerdista”, jogando uma pá de cal na imagem idealizada de seus apoiadores de que ele era um “lider revolucionário”. Eis o que Lula disse na reunião, se dirigindo à diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e ao chanceler alemão, Friedrich Merz: "Eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, uma relação muito forte, uma relação boa com o sindicalismo italiano e uma relação boa com a UGT [União Geral dos Trabalhadores] da Espanha". Fazendo pesquisas sobre a biografia de Lula para o livro Lula - Uma Decepção , que critica o terceiro mandato de Lula sem sucumbir aos clichês bolsonaristas, pude verificar que Lula, originalmente, era apolítico. Seu irmão, Frei Chico,...

A GROSSERIA DE LULA, EM MAIS UMA GAFE

Em mais um "pum" declaratório, o presidente Lula cometei mais uma de suas gafes, desta vez das mais grosseiras. Foi durante a cerimônia do programa Brasil Sorridente, em Brasília, ontem. O programa se destina a fabricar próteses dentárias através da tecnologia 3-D, considerada sofisticada. Lula fez um discurso que soou agressivo, mesmo quando disse que "pobre gosta de coisa boa". A declaração, da maneira como foi feita, foi deplorável. Eis o que o presidente disse, mostrando o sinal obsceno do dedo do meio: " Porque nós precisamos acabar com essa história de que eles pensam que pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles [mostra o dedo do meio]. Nós gostamos de coisa boa. Nós queremos tudo de primeira. Tudo. É comida de primeira, roupa de primeira, viajar de primeira, dentista de primeira, médico de primeira ". Só que não foi coisa boa essa grosseria do sinal do dedo e do comentário bruto do presidente, que peca por ser bastante impulsivo. Com certeza, nã...

A FALTA DE CORAGEM DAS ESQUERDAS DE REVERTER O LEGADO GOLPISTA NO BRASIL

  LULA NÃO É DE FAZER RUPTURAS E NÃO COMBATE INTEGRALMENTE OS RETROCESSOS OCORRIDOS NO BRASIL. Notamos que as esquerdas brasileiras se tornaram frouxas, fajutas, mais preocupadas em discursar do que fazer. A cada retrocesso que o Brasil vive, as esquerdas se sentem impotentes em revertê-los e acabam aceitando vários deles com naturalidade. É o caso dos “brinquedos culturais” da direita, o culturalismo viralata dos tempos da ditadura militar que envolveram a bregalização cultural e o obscurantismo religioso, entre outras coisas. Se esses fenômenos, que geraram funqueiros, “médiuns”, ídolos cafonas, mulheres-objetos e craques fanfarrões, faziam, em tese, o povo pobre sorrir, as esquerdas apoiavam. Bastava a direita moderada dizer palavras mágicas como “paz”,”amor”, “interatividade”, “mobilidade urbana”, “sustentabilidade” e “democracia” para dominar as esquerdas médias conquistando seu apoio. Daí que, nos primeiros mandatos de Lula e nos de Dilma Rousseff, boa parte das agendas cult...