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CAIO CASTRO REVELOU TER RECEBIDO CACHÊ PARA IR A ANIVERSÁRIO DE MARRONE


O dito "popular demais" do brega-popularesco sempre foi uma usina de jabaculê subornando por todos os lados.

Depois de Samara Felippo e do advogado das celebridades, Sylvio Guerra, chamarem a atenção pelo fato de que famosos recebem cachê para irem a eventos popularescos, mais um revelou tal esquema.

E foi Caio Castro, referência para o jovem médio no Brasil, dizer que recebeu cachê para eventos com o "sertanejo" Marrone. Caio foi ver o cantor mais uma vez.

Marrone é integrante da dupla Bruno & Marrone, que há dez anos havia sido um dos nomes popularescos mais populares entre os chamados "midiotas" das redes sociais.

Era os tempos em que Bruno & Marrone, Exaltasamba, Ivete Sangalo e o "funk carioca" faziam a trilha sonora da "galera" do Orkut e Facebook que, anos depois, militaria pelo "fora PT".

Era época em que os "coxinhas" faziam gozação com nerds (não da linha "cervejão-ão-ão" e "campus party" que prevalece hoje, mas da linha Vingança dos Nerds) porque eles não gostavam de "mulheres-frutas".

As siliconadas eram o "modelo de afirmação feminina" do coxismo digital de então e quem rejeitasse as "turbinadas" ganhavam dos "coxinhas" uns sarcásticas xingações homofóbicas.

Voltando ao jabaculê vip do brega-popularesco, a preocupação com que Samara e Sylvio haviam falado de que famosos recebiam cachê, sim, mostra o quanto a música brega-popularesca apelava para garotos-propagandas para empurrar seus produtos ao grande público.

Pessoas iam para micaretas ou "bailes funk" aparentando felicidade plena, sem que viva alma desconfiasse de que a felicidade era mais pelo dinheiro que seria sacado depois.

Atores e atrizes que não iam com a cara-caramba-cara-caraou do Bell Marques, no auge do Chicletão, mas que por um bom cachê se deixavam fotografar ao lado dele, como "fãs fervorosos".

Atores e atrizes que odiavam rodeios e achavam os "sertanejos" uns metidos iam para vaquejadas cantar as canções que fingiam gostar, aparentando ter largos sorrisos ou choros de comoção, lágrimas de crocodilo "muito bem choradas" pelo dinheiro que seria sacado depois.

Atrizes que rebolavam o "funk" como se caíssem de paixão pelo ritmo, mas que faziam isso para o cachê, até porque essas atrizes são mães e precisam de um bom papel nas novelas.

Atores que se abraçavam a cantores de "pagode romântico" para cantar junto, numa "cumplicidade" condicionada pelos valores financeiros que lhe cairão nas mãos dos televisivos depois do espetáculo.

Espertos, os empresários de "funk", "sertanejo", axé-music etc faziam parcerias com empresas diversas com apelo para o público rico e juvenil e também com emissoras de TV, como a Rede Globo.

A ideia é criar um esquema no qual atores e atrizes não podiam escapar.

Eles teriam que ir a eventos de brega-popularesco visando não só receber um bom cachê, mas sendo praticamente reféns do mercado da fama e do entretenimento.

Se a atriz não for para um "baile funk", não fará propaganda de marca de cosméticos e perderá aquele papel de protagonista da novela das nove da Globo, geralmente de maior audiência.

Se o ator não for para a micareta abraçar os canastrões da axé-music, perde a chance de fazer aquele comercial de curso de inglês e nem para o núcleo ostracista de Malhação será aproveitado.

É um esquema autoritário, no qual dinheiro e profissão forçam atores e atrizes, dentro de um mercado competitivo e voraz, a serem garotos-propaganda de eventos brega-popularescos.

É a degradação cultural da música brasileira forçando a barra para se inserir no gosto musical de jovens de classe média alta ou até mesmo ricos, passando também pelo público universitário com "chopadas" combinadas entre a indústria de cerveja e os diretórios acadêmicos mais pelegos.

Empurra-se a mediocridade musical para um público tido como "mais exigente" e, com isso, usa-se, de forma hipócrita, o apoio das elites ou algo próximo delas para "legitimar" (sic) o suposto apelo popular dos lotadores de plateias.

Tudo isso era descrito pela intelectualidade "bacana" como se fosse "etnografia ecumênica", uma tal de "MPB com P maiúsculo" (mas com "m" bem minúsculo e um "b" caricato) "respeitada e admirada por todas as classes".

Era a tal desculpa do "combate ao preconceito". Que em mais de uma década forçou a opinião pública a acreditar que "perder o preconceito" é aceitar uma imagem caricatural, ao mesmo tempo idiotizada e glamourizada, de povo pobre, que no fundo é carregada dos piores preconceitos.

Só que isso nunca foi mais do que desculpa para prevalecer o jabaculê musical brasileiro, que imbecilizou o grande público de forma a esvaziar o apoio aos movimentos de esquerda diante do consumo da "cultura hipermidiatizada" do "popular demais".

E foi o "popular demais" que esvaziou as plateias de esquerda e abriu caminho para Michel Temer.

A tal "MPB com P maiúsculo" e "popular demais" do brega-popularesco nunca passou de uma "MPB Mishell" da retórica festiva dos intelectuais "bacanas" e sua "etnografia de resultados".

Agora, paciência: com a PEC do Teto a caminho, o Brasil vai "descer até o chão".

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